Nigéria Futebol Clube extrapola rótulos em novo álbum “Ambiente Jazz”

Nigéria Futebol Clube é um acontecimento para a cena de música independente contemporânea. Inicialmente o trio formado em Itaquaquecetuba procurava uma sonoridade próxima do No Wave e o Post-Hardcore, influências bem evidenciadas no álbum de estréia “Entre Quatro Paredes”.
Desde o lançamento do primeiro álbum, a banda se apresentou em palcos importantes, como no show no “Sesc Pompéia”, que foi do moshpit até solilóquios de PH que se faziam ouvir entre uma música e outra, tornando o espaço em uma plataforma catártica. E a participação no programa “Cultura Livre” da Cultura, onde a banda apresentou um repertório mais diverso.
A mudança de direções no segundo álbum
Ao longo do tempo o trio composto por Conceição, Eduardo ‘Lengui’ e Rodrigo ‘Rosbigo’ cresceu e começou a integrar diversos membros como o caso de Derick Barbosa, que chegou com o trompete para adicionar mais camadas para a banda. O resultado das efervescentes ideias e da mudança criativa radical está no novo álbum “Ambiente Jazz”, lançado em 26 de outubro de 2026. De copão na mão e ambient na cabeça, o álbum se apresenta como uma união de diversas influências, do post-rock à colagem musical.

O álbum chama atenção pelas sonoras 3 horas de duração. Em entrevista à Interzine Brasil, a banda se mostrou bastante insatisfeita com os rumos musicais focados em algoritmos. As escolhas binárias de certo e errado vão à loucura com um álbum de música que ainda não está classificado, mas que recebe participações diversas. De Dinho Almeida do Boogarins, até voyeur, um artista do ABC que produz música noise
Retrato do êxodo das periferias para os centros
É possível olhar o álbum como abstrato, todavia, seria leviano segmentá-lo tão somente nesse espectro. O álbum é um retrato sonoro das cenas de São Paulo, que emergem das periferias, andam pelos centros e se fazem ser ouvidas.

Em um papo com a banda, o baixista Eduardo ‘Lengui’ definiu a banda como Exu, pois abre caminhos para o desconhecido e o estranhamente conhecido. “Ambiente Jazz” abre caminhos, de fato. Para uma nova escuta, para as diversas texturas dos arredores. De uma forma de enxergar a arte como além da lógica, e da eterna metamorfose que é se criar, se recriar e se mostrar ao mundo como diferente em tempos de indiferença.
Quer ouvir o som que a gente tá falando? Aperta o play e deixa rolar!
Quer descobrir mais sons que traduzem o Brasil e a América Latina de hoje? Continue acompanhando a GINGA, a vertical de música do Catraca Livre, e siga @gingacatraca no instagram para não perder nenhum lançamento.
Conteúdo de total responsabilidade do autor. Opinião não reflete, necessariamente, o posicionamento da Catraca Livre.