Halo: Campaign Evolved me fez lembrar por que eu amo Halo
O primeiro passo para o Master Chief não ser só o cara do Fortnite para alguns jogadores.

Como fã de Halo há mais de 16 anos, digo com tranquilidade: Halo: Campaign Evolved é o melhor projeto da falecida 343 Industries, agora chamada Halo Studios, desde Halo 4.
Eu talvez seja o exemplo perfeito da diferença entre um fã e um fanboy quando falamos de Halo. Joguei todos os jogos da série, assisti a todas as adaptações audiovisuais da franquia, incluindo a websérie Red vs. Blue, tenho livros e até mesmo uma tatuagem em homenagem a Halo.
Mesmo assim, admito que andava afastado da franquia desde Halo Infinite. Não porque o jogo fosse ruim, mas porque fiquei decepcionado com a decisão de ignorar uma das poucas coisas boas de Halo 5: seu gancho extremamente climático para uma sequência.
Na minha opinião, Halo: Campaign Evolved representa um ótimo primeiro passo para essa nova era da franquia. O jogo marca a saída de Halo de sua engine proprietária e a chegada à Unreal Engine, mas não completamente.

Em uma das abordagens mais inteligentes no uso da Unreal que já vi, a Halo Studios modificou a engine e incorporou os sistemas de física, inteligência artificial e animações de Halo: Reach. Assim, conseguiu mesclar uma das melhores sensações de gameplay que a franquia já teve com os gráficos impressionantes da Unreal Engine 5.
Visualmente, este é facilmente um dos jogos mais bonitos da geração atual, levando a Unreal Engine 5 a um novo patamar. Obviamente, o uso de recursos como Lumen e Nanite tem seu preço.
Jogando em uma RTX 4060, consegui experimentar o jogo em 1080p, no preset Ultra e com DLSS no modo Qualidade, mantendo 60 fps durante uma parte do tempo. Porém, as quedas de desempenho eram constantes, e travadas maiores aconteciam com certa frequência durante as transições entre áreas das fases.
Nada que tenha prejudicado demais a minha experiência, mas o suficiente para mostrar que o lado técnico e gráfico do jogo ainda não estava 100% resolvido.

Além de fã de Halo, sou entusiasta da Unreal Engine há cerca de dez anos. Na minha opinião, a abordagem da Halo Studios foi um pouco precipitada.
Veja só, caro leitor: mais do que gerar gráficos bonitos, a Unreal Engine 5 também tem como objetivo facilitar e acelerar o desenvolvimento. Luzes dinâmicas e milhões de polígonos na tela podem ser impressionantes, mas a verdadeira razão de esses recursos serem tão utilizados por jogos AAA atualmente é a economia de tempo.
Uma estátua com milhões de polígonos na tela representa um artista que não precisou fazer uma etapa adicional de retopologia. A iluminação dinâmica, mesmo quando o jogo nem sempre exige isso, economiza o tempo dos artistas de iluminação, que não precisam refazer o bake a cada alteração apenas para visualizar o resultado.
Mas será que o ganho visual compensa os milhões de jogadores que não terão hardware suficiente para aproveitar a experiência a sólidos 60 fps?
Eu mesmo não encontrei uma configuração ideal que mantivesse essa taxa de quadros durante todo o jogo. Será que essa dificuldade de alcançar os 60 fps também não foi uma das barreiras para o jogo receber um modo multiplayer? Vamos falar sobre isso daqui a pouco.
Apesar da polêmica envolvendo a Unreal Engine 5, Halo: Campaign Evolved é, para mim, a melhor versão do famoso “Halo 1”.
Eu não joguei Halo: Combat Evolved no Xbox clássico ou no PC durante seu lançamento. Minha primeira experiência com o jogo aconteceu na Master Chief Collection, em 2014, e depois em servidores piratas no PC, alguns anos mais tarde.

De longe, Halo CE foi o jogo da franquia que mais envelheceu. Sua gameplay, apesar de revolucionária, ainda é um produto de seu tempo. Não à toa, a própria Bungie implementava melhorias a cada novo título antes de deixar a franquia. Isso era necessário para impedir que Halo ficasse preso ao passado.
Para mim, tirando o polêmico Halo 5, no qual eles praticamente transformaram Halo em Call of Duty mesmo, kkkkk, Halo Infinite encontrou a melhor gameplay da franquia no quesito conceito, apesar de sua história não ter me agradado.
Agora, quando juntamos o conceito da gameplay de Halo Infinite, a física e a inteligência artificial de Halo: Reach e os gráficos da Unreal Engine 5, chegamos a algo que eu achava difícil dizer alguns anos atrás:
O “Halo 1” voltou a ser o melhor jogo para apresentar a franquia a novos jogadores, agora por meio de Halo: Campaign Evolved.
Temos gráficos lindos, gameplay fluida e divertida e cutscenes refeitas de uma maneira que, na minha opinião, torna a história mais interessante.
O jogo também apresenta três missões bônus. Sinceramente, elas são legais, mas, por serem apenas três missões contando uma história separada da campanha principal, acabam parecendo mais um episódio especial de uma série do que algo realmente necessário.
Mesmo assim, é muito bom passar mais tempo com Master Chief, que finalmente utiliza uma das armaduras mais bonitas da franquia. Até então, ela havia aparecido apenas no universo expandido, principalmente na antologia em anime Halo Legends.
O único pecado mortal do jogo, para mim, é a falta do multiplayer competitivo.
A Halo Studios pode apresentar qualquer justificativa para não lançar um multiplayer em Halo: Campaign Evolved. Nada me fará perdoar a decisão do estúdio de não me permitir ver, pela milésima vez na franquia, o mapa clássico de Halo CE que serviu como cenário principal de Red vs. Blue durante várias temporadas e que também já apareceu oficialmente em Fortnite.
Estou falando, obviamente, do icônico Blood Gulch.
Ver esse mapa novamente, agora com essa gameplay e esses gráficos, certamente significaria mais algumas centenas de horas da minha vida dedicadas a Halo.
Tirando esse triste fato, Halo: Campaign Evolved é uma ótima maneira de os fãs revisitarem o começo de tudo em uma versão modernizada, mas que não abandona o charme do original.
Para novos jogadores, é atualmente uma das melhores portas de entrada para a franquia, ao lado de Halo: Reach.
Nesta minha coluna de reviews, não quero atribuir uma nota aos jogos. Quero resumir meus sentimentos em uma frase, para que você, leitor, entenda exatamente o que aquela experiência despertou em mim.
O sentimento deixado por Halo: Campaign Evolved é:
“Caramba, era por isso que eu amava Halo. Quero mais!!!”