Dimenstein: por que eu defendo com prazer Tabata Amaral

Favorável à proposta, a parlamentar contraria a decisão partidária de opor-se ao tema no Congresso

Por: Gilberto Dimenstein

Por ter votado a favor da reforma da previdência, embora sendo de um partido de centro-esquerda, Tabata Amaral está sendo massacrada nas redes sociais.

Ela está certa: votou de acordo com sua consciência, não por qualquer interesse mesquinho.

Pelo contrário: seria melhor entrar na onda da oposição.

Tabata é um diamante nacional.

Saiu da periferia, estudou em Harvard e voltou ao Brasil para defender educação pública.

Com esse diploma, poderia morar nos Estados Unidos.

Crédito: Reprodução/InstagramDeputada Tabata Amaral critica escolha de Bolsonaro para novo ministro da Educação

Como alguém que se interessa pela educação, ela sabe que, sem reforma da previdência – aliás, implantada no mundo inteiro – faltarão recursos ainda mais recursos para as escolas.

A conta é elementar.

Já tapamos um buraco de R$ 300 bilhões por ano por causa das aposentadorias.

Sabem o que isso significa? 10 vezes o valor gasto com a Bolsa Família, que ajuda 40 milhões de brasileiros.

Como a população vai ficar cada vez mais velha, esse buraco só tende a crescer.

De onde vai sair esse dinheiro?

Mais impostos? Mas já pagamos muitos impostos.

Trabalhamos quatro meses por ano apenas para sustentar os governos.

Tabata votou com a razão – e com a matemática.

Não somos um país de cidadãos. Mas de corporações.

Quem se preocupa com um país com menos miséria e desigualdade sabe que terá de enfrentar desperdícios e privilégios.

Vale a pena apanhar por isso.

Por: Gilberto Dimenstein

Jornalista, educador e fundador da Catraca Livre.