Confira as redações que tiraram nota máxima no Enem

Por: Redação Comunicar erro

Nesta segunda-feira, 13 de junho, o Inep (Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) liberou a consulta à correção das redações da prova do Enem de 2015. Alguns dos candidatos que tiraram nota máxima nos textos disponibilizaram-nos ao portal G1.

O tema dos textos foi "A Persistência da Violência contra a Mulher na Sociedade Brasileira"
O tema dos textos foi “A Persistência da Violência contra a Mulher na Sociedade Brasileira”

De 5.631.606 redações corrigidas, apenas 104 tiveram a nota mil. Já outras 53.032 receberam zero. Estas foram anuladas por terem fugido do tema, desrespeitado os direitos humanos, sido escritas com uma tipologia diferente da permitida e outros motivos.

O assunto dos textos foi “A Persistência da Violência contra a Mulher na Sociedade Brasileira”. Veja abaixo a transcrição, sem edições, da redação da candidata Amanda Carvalho Maia Castro:

“A violência contra a mulher no Brasil tem apresentado aumentos significativos nas últimas décadas. De acordo com o Mapa da Violência de 2012, o número de mortes por essa causa aumentou em 230% no período de 1980 a 2010. Além da física, o balanço de 2014 relatou cerca de 48% de outros tipos de violência contra a mulher, dentre esses a psicológica. Nesse âmbito, pode-se analisar que essa problemática persiste por ter raízes históricas e ideológicas.

O Brasil ainda não conseguiu se desprender das amarras da sociedade patriarcal. Isso se dá porque, ainda no século XXI, existe uma espécie de determinismo biológico em relação às mulheres. Contrariando a célebre frase de Simone de Beavouir “Não se nasce mulher, torna-se mulher”, a cultura brasileira, em grande parte, prega que o sexo feminino tem a função social de se submeter ao masculino, independentemente de seu convívio social, capaz de construir um ser como mulher livre. Dessa forma, os comportamentos violentos contra as mulheres são naturalizados, pois estavam dentro da construção social advinda da ditadura do patriarcado. Consequentemente, a punição para este tipo de agressão é dificultada pelos traços culturais existentes, e, assim, a liberdade para o ato é aumentada.

Além disso, já o estigma do machismo na sociedade brasileira. Isso ocorre porque a ideologia da superioridade do gênero masculino em detrimento do feminino reflete no cotidiano dos brasileiros. Nesse viés, as mulheres são objetificadas e vistas apenas como fonte de prazer para o homem, e são ensinadas desde cedo a se submeterem aos mesmos e a serem recatadas. Dessa maneira, constrói-se uma cultura do medo, na qual o sexo feminino tem medo de se expressar por estar sob a constante ameaça de sofrer violência física ou psicológica de seu progenitor ou companheiro. Por conseguinte, o número de casos de violência contra a mulher reportados às autoridades é baixíssimo, inclusive os de reincidência.

Pode-se perceber, portanto, que as raízes históricas e ideológicas brasileiras dificultam a erradicação da violência contra a mulher no país. Para que essa erradicação seja possível, é necessário que as mídias deixem de utilizar sua capacidade de propagação de informação para promover a objetificação da mulher e passe a usá-la para difundir campanhas governamentais para a denúncia de agressão contra o sexo feminino. Ademais, é preciso que o Poder Legislativo crie um projeto de lei para aumentar a punição de agressores, para que seja possível diminuir a reincidência. Quem sabe, assim, o fim da violência contra a mulher deixe de ser uma utopia para o Brasil.”

Para ver os textos de outros nove participantes, confira a matéria publicada no G1.

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