EaD acelera entrada no mercado de trabalho e faz salário quase dobrar
Universidades apostam em currículos práticos e quebra de barreiras geográficas para ajudar profissionais que têm pressa para crescer na carreira
Nos últimos anos, as redes sociais se encheram de debates questionando o valor real do diploma de ensino eletrônico ou presencial, com discursos que sugerem que a faculdade perdeu o sentido no mercado moderno.
No entanto, os dados oficiais e a realiadade do trabalhador brasileiro mostram justamente o oposto. A graduação e a pós-graduação continuam no radar dos jovens adultos como a principal via de ascensão profissional, aumento de renda e transição de carreira.

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), realizada pelo IBGE, profissionais com ensino superior completo não apenas apresentam maiores níveis de ocupação e menor taxa de desemprego, como também registram rendimentos que chegam a corresponder a quase o dobro da média brasileira geral.
A grande mudança em relação à década passada não está no valor do diploma, mas em como as pessoas estão estudando. Com a consolidação da Educação a Distância (EaD) e currículos focados na urgência do mercado, o ensino superior se modernizou para atender quem precisa trabalhar, estudar e colher resultados rápidos.
O fim das barreiras geográficas: autonomia no interior
Para muitos estudantes, o formato digital foi o único caminho possível para conciliar rotina e qualificação. É o caso de Vanessa Zanella, de 29 anos. Moradora do interior do Rio Grande do Sul, ela se formou em Publicidade e Propaganda e hoje atua como designer gráfica em uma empresa de educação e tecnologia.
Com sete anos de experiência, Vanessa não parou na graduação: ela investiu em três pós-graduações, todas no formato EaD. Foi essa especialização contínua que garantiu sua promoção no emprego atual.
”O EaD quebra as barreiras geográficas e garante acesso à mesma qualidade acadêmica disponível nos grandes centros. A diversidade de formatos, cursos e ofertas me dá a autonomia necessária para estudar onde e quando for produtivo para o meu dia a dia”, explica Vanessa.
Para ela, manter o currículo atualizado vai além do título. “É uma comprovação de dedicação e aprofundamento técnico. Estar aberto ao aprendizado contínuo nos dá as ferramentas necessárias para alavancar a carreira e realizar objetivos”, pontua.
Faculdade como passaporte para recalcular a rota
Se para alguns a faculdade consolida uma carreira, para outros ela é a chave para mudar completamente de rumo. O produtor audiovisual Lelber Barboza, de 32 anos, iniciou sua trajetória profissional ainda no ensino médio como auxiliar administrativo e depois trabalhou em call center enquanto cursava Engenharia Civil. Embora não tenha surgido oportunidades diretas na Engenharia após a formatura, o raciocínio lógico e a gestão de processos que aprendeu na faculdade ficaram bagagem.

Durante a pandemia, trabalhando no atendimento de uma empresa de educação digital, o interesse pela comunicação falou mais alto. Lelber decidiu cursar uma nova graduação, desta vez em Marketing, de olho em uma transição de carreira. Ele emendou pós-graduações e especializações até que surgiu um processo seletivo interno na empresa.
”Naquele momento, senti que era a oportunidade perfeita para colocar em prática tudo aquilo que eu vinha estudando há anos. Consegui ser aprovado e hoje atuo justamente na área que sempre sonhei. Exigiu coragem, persistência e confiança no processo”, celebra Lelber.
Ele reforça que o crescimento do EaD tornou o processo mais democrático em termos de custos e flexibilidade. “Independentemente de você atuar diretamente na área em que se formou ou não, o ensino superior sempre traz aprendizado, amadurecimento, networking e amplia sua visão”, defende.
O modelo das certificações intermediárias
Percebendo que o estudante adulto e em transição de carreira não tem tempo a perder, o mercado educacional começou a desenhar metodologias focadas na empregabilidade imediata. As instituições mais inovadoras entenderam que o aluno não quer — e muitas vezes não pode — esperar de dois a quatro anos pelo diploma para começar a colher os frutos financeiros do investimento.
De acordo com André Corrêa, Diretor Acadêmico da Gran Faculdade, as grades curriculares precisam ser criadas a partir de dados reais de mercado, identificando onde faltam profissionais qualificados e quais competências estão em alta. A grande virada do modelo atual está nas chamadas certificações intermediárias.
”Para não deixar o aluno esperando o diploma para alcançar seus objetivos de carreira, trabalhamos com certificações intermediárias a cada período. Ao longo da graduação, o aluno de Gestão de Recursos Humanos, por exemplo, já obtém títulos como ‘People Analyst’ ou ‘Business Partner’. Isso permite que ele atualize o currículo e conquiste novas posições e aumentos antes mesmo de se formar”, explica André Corrêa.
O modelo pedagógico também se transformou, deixando de lado a teoria pura para focar em projetos integradores, estudos de caso reais e simuladores virtuais do ambiente de trabalho.
”Preparar para o mercado não é uma etapa final da graduação, é uma intenção que precisa atravessar toda a jornada do aluno. A melhor forma de respeitar o estudante é oferecer uma formação que o leve ao mercado mais rápido, mais preparado e com mais ferramentas do que qualquer outro caminho ofereceria”, conclui o diretor.