Professora faz paródias de funk para ensinar história

Mesmo contando com apoio de pais e estudantes, a iniciativa foi criticada em redes sociais

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A professora Ana Carolina da Silva, de 25 anos, arranjou uma maneira criativa de cativar a atenção e facilitar o aprendizado de conteúdos de história e geografia: ela fez paródias usando funks que não desgrudam da cabeça dos adolescentes.

Recorrer a recursos inventivos sempre foi uma marca de bons professores, principalmente em cursinhos pré-vestibulares. Ao ganhar notoriedade pelo funk, no entanto, Ana Carolina foi criticada nas redes sociais e leu comentários violentos e agressivos.

Crédito: Reprodução/FacebookSem funk, até os moralistas de plantão gostam

“Pelos comentários, acredito que as pessoas pensam que não passo conteúdo algum para os meus alunos ou que ensino as crianças a dançarem funk e uso músicas com palavras de baixo calão na sala”, conta a professora. “Elas esquecem ou não sabem o verdadeiro significado de paródia”

Em meio à pandemia do novo coronavírus, os vídeos da professora foram um alento aos estudantes que, em breve, enfrentarão maratonas de provas. Ela adaptou as aulas, fez apostilas e até montou uma página no Facebook para ajudar com os assuntos mais complexos.

“Nas escolas que leciono, nunca houve crítica alguma pela direção, pais e alunos”, relata. “Foram comentários de pessoas que não têm ideia de como é a realidade das escolas públicas, não fazem nada para apoiar a educação e não sabem o quão difícil é a minha profissão, ainda mais na pandemia.”

Aparentemente, para essas pessoas, a receita da criatividade para ensinar tem limite e não pode ser combinada com funk. Abaixo, assista a um vídeo da aula da professora Ana Carolina da Silva.

Nem sempre a paródia da vez vem do funk. A professora revela que já usou músicas antigas do Metallica, por exemplo, para ensinar sobre Atenas e Esparta. “Geralmente os alunos escolhem as músicas das paródias e depende do gosto musical da sala. São músicas que estão em alta no YouTube e no Spotify.”

A arte de ensinar na pandemia (ou em qualquer outro momento)

O isolamento social trouxe uma nova realidade para o mundo da educação. As aulas remotas, que já existiam em cursos EaD, viraram a regra neste ano. Em um país como o Brasil, as desigualdades ficaram mais visíveis e aumentaram.

“Meu conselho para os alunos que enfrentarão o Enem pós-pandemia é que, mesmo com todas as dificuldades e limitações vigentes, não desanimem! Mesmo sem apoio governamental, não podemos desistir”, diz Ana Carolina.

A professora recomenda que os estudantes separem um tempo para estudar de segunda a sexta, com intervalos de descanso. “Se organizem, planejem e evitem a procrastinação! Façam uma rotina de estudos”, sugere. “Deixem os fins de semana reservados para ficarem com a família e para lazer. Essas atividades ajudam a diminuir a ansiedade”.

Nossa sugestão: acompanhe e valorize professores como Ana Carolina da Silva.

Há mais de 20 anos, uma professora ensinava um macete para memorizar os alcalinos terrosos (ou metais alcalinoterrosos, para os mais jovens) da tabela periódica: “BEla MaGrela CAsou-se com SenhoR BAo” = Be (Berílio), Mg (Magnésio), Ca (Cálcio), Sr (Estrôncio), Ba (Bário) e Ra (Rádio).

P.S.: Obrigado, profª Cris.

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