Ximbinha é acusado de agredir cantora: ‘Ele gosta de humilhar’

"Agressões não são só físicas. Eu vivi uma tortura com um homem me chamando de vagabunda o tempo todo. Isso é uma grande violência”, disse a cantora

Por: Redação

O guitarrista e produtor musical Ximbinha está sendo acusado de agressão pela ex-vocalista da banda Cabaré do Brega, da qual ele é dono, Carla Maués. O caso veio a tona depois ex-deputado federal Wlad Costa, amigo da cantora gravou um vídeo expondo a situação.

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Crédito: Reprodução/Instagram e Reprodução TV GloboXimbinha é acusado de agredir cantora: ‘Ele gosta de humilhar’

Após a repercussão do vídeo, Carla Maués falou em entrevista, na tarde desta quarta-feira, 15, ao programa ‘A Tarde é Sua’, comandado por Sônia Abrão. “Eu venho sofrendo, na verdade, esse tipo de humilhação, sabe? Ouvindo ele dizer que eu sou feia, que eu sou gorda, que a minha voz não é bonita, que a minha voz não é boa… Entre outras coisas que é ruim até de ficar alimentando, que me fizeram muito mal durante esse tempo todo, que eu estive lá… E a gota d’água foi esse dia, dessa agressão, na frente da minha filha”, disse Carla.

Sônia Abrão perguntou para Carla se a agressão foi física ou psicológica e a cantora explicou. “Ele veio pra cima de mim, não sei se ele iria me bater, mas veio me chamando de… Eu não posso falar aqui no ar… Em respeito as famílias que assistem o teu programa… As palavras que ele me xingou”, revelou.

“Agressões não são só físicas. Eu vivi uma tortura com um homem me chamando de vagabunda o tempo todo. Isso é uma grande violência”, disse a cantora.

Carla ainda contou que Ximbinha ligou para ela pedindo que fosse ao estúdio, onde ocorreu o episódio. “Quando eu cheguei lá, que ele viu a minha filha, ele falou: ‘ela não pode ficar aqui, ela tem que ir embora’. Aí eu falei: ‘Mas eu não tenho como mandar minha filha embora’. Daí ele falou: ‘Mas se você precisava vir pro estúdio, não tinha que trazer tua filha’. Aí eu expliquei que eu não vinha pro estúdio. Eu fui dispensada do estúdio hoje para resolver minha vida pessoal, por isso eu to com a minha filha. Não tinha estúdio agendado pra mim hoje, ainda peguei o celular e mostrei pro DB’, mostrando então as mensagens que ela tinha feito anteriormente, e continuou: “Se eu sou uma profissional, e tenho um horário agendado de trabalho, é óbvio que eu não vou levar minha filha. Aí… foi o suficiente, foi isso”, revelou.

Depois da explicação dada para Ximbinha, ele teria ficado irritado e então começou a gritar com Carla e a confusão culminou no episódio de agressão.

No mesmo dia da briga, ocorrida no final da tarde e presenciada pela filha de Carla, a vocalista tinha uma viagem com a banda Cabaré do Brega de noite. Carla disse que sua filha “implorou para que não viajasse com o monstro” com medo de ela ser agredida. Porém, acabou viajando. A mãe de Carla, de 67 anos, que sofre de hipertensão, soube do episódio pela neta e teve de bater de madrugada na casa da cantora para pedir que não fosse ao show. “Mas eu precisava ir.”

A assessoria de imprensa de Ximbinha afirmou que processará Wlad Costa. “Em relação ao vídeo veiculado pelo vocalista aposentado da falida banda Wlad nas redes sociais, informamos que o projeto Cabaré do Brega tomará todas as medidas judiciais cabíveis”.

A violência contra a mulher tem que ser levada a sério. Só no ano de 2015 já foram registrados mais de 32 mil casos e esse número é muito maior, pois ainda há muitas mulheres que sofrem agressão mas não têm coragem de pedir ajuda.

ENTENDA COMO FUNCIONAM AS DELEGACIAS DE DEFESA DA MULHER

A medida protetiva, baseada na Leia Maria da Penha, busca proteger as vítimas de violência doméstica. Para isso, a medida restringe a aproximação do agressor. Para solicitar esse recurso, a mulher deve fazer a denúncia na polícia e, em seguida, o juiz tem 48 horas para determinar se a medida protetiva será concedida. O acusado que descumprir as determinações pode pegar de 3 meses a 2 anos de prisão.

Também ocorreu um aumento expressivo no número de inquéritos policiais instaurados. Em março e abril, essas quatro delegacias tiveram 1.322 inquéritos, o que significa um crescimento de 38% em comparação ao primeiro bimestre, quando essas delegacias não funcionavam 24 horas.

Disque 180

O Disque-Denúncia foi criado pela Secretaria de Políticas para Mulheres (SPM). A denúncia é anônima e gratuita, disponível 24 horas, em todo o país. Os casos recebidos pela central são encaminhados ao Ministério Público.

Disque 100

O serviço pode ser considerado como “pronto socorro” dos direitos humanos pois atende também graves situações de violações que acabaram de ocorrer ou que ainda estão em curso, acionando os órgãos competentes, possibilitando o flagrante. O Disque 100 funciona diariamente, 24 horas por dia, incluindo sábados, domingos e feriados.

As ligações podem ser feitas de todo o Brasil por meio de discagem gratuita, de qualquer terminal telefônico fixo ou móvel (celular), bastando discar 100.

Polícia Militar (190)

A vítima ou a testemunha pode procurar uma delegacia comum, onde deve ter prioridade no atendimento ou mesmo pedir ajuda por meio do telefone 190. Nesse caso, vai uma viatura da Polícia Militar até o local. Havendo flagrante da ameaça ou agressão, o homem é levado à delegacia, registra-se a ocorrência, ouve-se a vítima e as testemunhas. Na audiência de custódia, o juiz decide se ele ficará preso ou será posto em liberdade.

Atenção ao protocolo policial! O atendimento presencial de um chamado depende de muitos fatores, como a disponibilidade de uma viatura no momento e uma avaliação da gravidade da situação. A ameaça à vida e à integridade física de alguém são sempre prioridade em relação a outros chamados, por isso, é importante explicar exatamente o que está ocorrendo quando solicitar o atendimento ao 190. Fale se já ouviu outras discussões antes e ligue mais vezes caso a viatura demore a aparecer.