Esquecida, mas poderosa: a taioba, a folha nutritiva que muita gente trocou por alface sem saber o que perdeu
A taioba é uma planta alimentícia não convencional que os brasileiros consumiam diariamente até algumas décadas atrás
Tem uma folha verde escura que crescia nos quintais das avós e simplesmente desapareceu dos pratos modernos substituída por alface sem graça e pobre em nutrientes. A taioba é uma planta alimentícia não convencional que os brasileiros consumiam diariamente até algumas décadas atrás, quando a industrialização mudou os hábitos alimentares do país. Essa folha poderosa entrega muito mais ferro, cálcio e proteína que qualquer verdura vendida hoje em supermercados, mas foi esquecida porque exige preparo cuidadoso.

Por que a taioba desapareceu das mesas brasileiras?
A chegada dos supermercados nas décadas de sessenta e setenta trouxe produtos padronizados como alface, repolho e couve que duravam mais nas prateleiras refrigeradas. A taioba não sobrevive bem ao transporte e murcha rapidamente depois de colhida, tornando-se inviável comercialmente para redes de distribuição que precisam de produtos com longa vida útil. As novas gerações urbanas que migraram do campo para as cidades perderam o conhecimento sobre como identificar, colher e preparar corretamente essa planta tradicional.
Outro fator importante foi o medo injustificado que se espalhou sobre a toxicidade da taioba quando confundida com outras plantas da mesma família como o inhame bravo. A taioba verdadeira é totalmente segura quando cozida adequadamente, mas histórias de intoxicação por consumo de espécies erradas assustaram as pessoas e criaram uma reputação negativa. A preferência por alimentos industrializados de preparo rápido também contribuiu porque a taioba exige cozimento prolongado que não combina com a vida corrida contemporânea.
Quais são os benefícios nutricionais impressionantes?
A taioba contém o dobro de cálcio do que o leite de vaca quando comparada em porções equivalentes, sendo aliada fundamental para a saúde óssea especialmente em pessoas com intolerância à lactose. O teor de ferro é quatro vezes superior ao do espinafre, combatendo anemia de forma muito mais eficiente que a maioria das verduras convencionais. Rica em proteína vegetal de boa qualidade, uma xícara de taioba cozida fornece aproximadamente três gramas de proteína completa com todos os aminoácidos essenciais.
As folhas são carregadas de vitaminas A, C e do complexo B que fortalecem o sistema imunológico, melhoram a visão noturna e mantêm a pele saudável. A quantidade de fibras solúveis ajuda a regular o intestino e controlar os níveis de açúcar no sangue, sendo excelente para diabéticos. O baixíssimo teor calórico, apenas trinta e cinco calorias por porção generosa, torna a taioba perfeita para dietas de emagrecimento sem sacrificar a nutrição. Conheça outras vantagens dessa planta esquecida:
- O custo zero para quem tem um cantinho no quintal porque a taioba cresce vigorosamente sem exigir cuidados especiais, se multiplicando rapidamente e fornecendo colheitas semanais durante o ano todo em climas tropicais
- A sustentabilidade ambiental total já que dispensa agrotóxicos, fertilizantes químicos ou irrigação artificial, crescendo naturalmente em solos úmidos e sombreados onde outras hortaliças não se desenvolvem bem

Como preparar a taioba com segurança?
Primeiro você precisa ter certeza absoluta de que está colhendo taioba verdadeira e não uma planta tóxica parecida, o ideal é comprar mudas identificadas em feiras de orgânicos ou com produtores conhecedores. As folhas corretas têm um formato de coração alongado com nervuras bem marcadas e um brilho característico na superfície superior. Nunca consuma as folhas cruas porque contêm cristais de oxalato de cálcio que causam irritação intensa na boca e na garganta, mas que se dissolvem completamente com o cozimento prolongado.
Lave bem as folhas em água corrente, retire os talos mais grossos e rasgue em pedaços médios com as mãos ao invés de cortar com faca. Cozinhe em água fervente com uma pitada de sal por no mínimo quinze a vinte minutos até as folhas ficarem bem macias e escuras. Escorra completamente a água do cozimento que concentra os oxalatos dissolvidos e nunca aproveite esse líquido para outros preparos. Refogue com alho, cebola e um fio de azeite como você faria com couve, o sabor final lembra espinafre mas com textura mais aveludada e gosto levemente adocicado.
Onde encontrar e como cultivar em casa?
Feiras de produtos orgânicos e mercados municipais em cidades do interior ainda vendem taioba fresca ocasionalmente, principalmente em regiões de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro onde o consumo tradicional resistiu melhor. Grupos de agricultura urbana e permacultura nas redes sociais frequentemente oferecem mudas gratuitamente para quem quer começar a cultivar. Alguns supermercados especializados em produtos naturais estão redescobrindo a taioba e incluindo nas prateleiras refrigeradas ao lado de outras PANCs que voltaram à moda.
Cultivar taioba em casa é extremamente fácil mesmo para iniciantes sem experiência em jardinagem, basta plantar as mudas em canteiros ou vasos grandes com terra rica em matéria orgânica. A planta prefere locais com sombra parcial e solo sempre úmido mas não encharcado, crescendo vigorosamente sob árvores ou ao lado de muros que bloqueiam o sol forte da tarde. Após três meses do plantio você já pode começar as primeiras colheitas semanais, sempre deixando pelo menos três folhas na planta para garantir a continuidade do crescimento e da produção abundante durante anos.