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Macaquinhos

Oito artistas nus realizam uma performance no mínimo inusitada. Em “Macaquinhos”, a exploração do corpo – mais precisamente do ânus – é fator central na coreografia apresentada ao público que, segundo eles, busca “a transformação subjetiva do corpo em seu estado limite, através das ações contínuas de paquerar, cutucar, assoprar, procurar e tocar um o rabo do outro”.

O projeto, que nasceu em 2011, já foi apresentado em alguns pontos do país. Mas, foi em 2014, quando tomou os palcos de São Paulo, que teve grande repercussão. As redes sociais despertaram a admiração de alguns, o preconceito de outros e a curiosidade de todos.

“O material que circula na internet são fragmentos que não exprimem a apresentação em si, e quando descontextualizado o trabalho fica fragilizado e exposto a todo tipo de interpretação”, alerta o grupo.

Na última semana, a polêmica ganhou força ainda maior na internet por conta da 17ª Mostra Sesc Cariri de Culturas, no Ceará, patrocinado pelo programa “Sistema S”. O festival reuniu dezenas de atrações de diferentes linguagens, entre elas, “Macaquinhos”.

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Macaquinhos

Os performers foram criticados nas redes sociais por meio de comentários que hostilizavam o trabalho e colocavam em cheque sua autenticidade artística. “Não espere nada desse governo, pois acabou de mostrar a outra banda podre…”, escreveu um usuário; “(...) me digam o que podemos esperar deste país em tempos de politicamente correto. Sinceramente, essa me revoltou”, comentou outro.

Para os artistas, a dúvida sobre “ser ou não arte” é mais interessante do que a afirmação pronta. Acostumado com a reação negativa por parte de algumas pessoas, o grupo rebate: “Sabemos que a nudez e o próprio corpo humano, de um modo geral, sofrem o estigma de serem tabus nessa sociedade que produzimos juntos. Como ‘Macaquinhos’ aborda uma parte subestimada do corpo humano e para isso lida necessariamente com a nudez, é de se esperar reações de cunho mais conservador”.

Mas afinal, o que é "Macaquinhos"?

A ideia do projeto é usar o ânus como metáfora para chamar a atenção em relação ao desequilíbrio social entre os países do hemisfério sul (representados pelo ânus) e os emergentes. “Temos dificuldade em reconhecer (...) tantas minorias, índios, mulheres, bixas, sapatãs, trans, pretos, moradores da periferia e o cu dos corpos. ‘Macaquinhos’ se propõe a cutucar o que está latente, mas não se fala. E isso é muito trabalhoso, pois exige mudanças”, afirmam.

Para encerrar o papo com o grupo, o Catraca Livre perguntou para todos eles - Andrez Ghizze, Caio, Daniel Barra, Fernanda Vinhas, Luiz Gustavo Fernandes Lopes, Rafael Amambahy, Renata Alcoba e Teresa Moura Neves – o que diriam na hora de convidar uma pessoa para assistir à performance. A resposta foi unânime: “Você quer ver? É sobre cu!”.

Ficou curiosx? Assista a um trecho aqui, lembrando que, segundo os artistas, a experiência do ao vivo é completamente diferente – somente vivenciando para entender.