Por Alessandra Petraglia e Heloisa Aun

Você já imaginou ser responsável pela recuperação e preservação de rios e nascentes do Brasil? Com o aplicativo "Plantadores de Rios" isso é possível. A ideia é conectar pessoas interessadas em preservar o recurso natural que é abundante no país, mas que ao longo dos anos sofreu os impactos da urbanização e do crescimento populacional. A novidade foi apresentada no Espaço Brasil, na Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP 23), que acontece em Bonn, na Alemanha.

Créditos: Adriana Carvalho/Ocupe&Abrace

Iniciativas conectam pessoas para preservar a nascentes dos rios no Brasil

O app identifica as nascentes localizadas em um raio de até 50 quilômetros do usuário. Ele escolhe qual deseja adotar e de que forma prefere ajudar, seja com doação financeira, de mudas ou até de cercas para proteção do local. A novidade, até o momento, está disponível apenas para o sistema Android, mas com planos de expansão para iOS.

Como por vezes as nascentes estão localizadas dentro de áreas privadas, após escolher o espaço a ser ajudado, o contato do proprietário do imóvel rural é disponibilizado. Dessa forma, ambos podem interagir através de um chat, compartilhando as principais necessidades e dificuldades na área de preservação. Isso gera uma oportunidade para que, juntos, eles definam as estratégias que julgarem mais eficientes, como por exemplo, a organização de uma campanha de plantio de mudas para recuperação das margens, muitas vezes afetadas pela retirada das matas ciliares.

O aplicativo também possui um banco para coleta de novas informações, onde qualquer pessoa cadastrada pode relatar a descoberta de uma nova nascente, como em uma área urbana. Todos os dados são utilizados para alimentar o Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural (SICAR), destinado ao combate do desmatamento ilegal e outras políticas ambientais. O serviço foi desenvolvido pelo Ministério do Meio Ambiente e o Serviço Florestal Brasileiro, em parceria com a Universidade Federal de Lavras (UFLA), que se comprometeu em adotar as nascentes na área do campus e mobilizar os estudantes nas ações.

Integrar para mudar

Em São Paulo, moradores do bairro da Vila Pompéia se mobilizaram para preservar as oito nascente do rio Água Preta em uma praça degradada próxima a avenida principal da região. Em conjunto e de forma voluntária, o local foi revitalizado e ganhou outra cara, muito mais receptiva para a população. Além disso, no processo de recuperação, outras cinco nascentes foram identificadas.

Com novo nome, a Praça da Nascente recebeu bancos, brinquedos e um lago, que agradou em especial as crianças pela diversidade de peixes que podem ser observados no local. “A revitalização fez com que a praça fosse novamente utilizada pela população. De dia, de noite, sempre tem gente nela agora”, conta Adriana Carvalho, integrante do coletivo Ocupe&Abrace, que surgiu com as ações.

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Crédito da imagem: Adriana Carvalho/Ocupe&Abrace

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Atividades ao ar livre também são organizadas com frequência, integrando pessoas, natureza e cidade em um espaço comum. “Cuidar das nascentes significou também alertar a população sobre os rios e águas que existem sobre nossos pés, para mostrar que eles não estão mortos porque estão canalizados. Estão bem vivos e precisam do nosso cuidado e proteção”, destaca Adriana. Para ela, o trabalho com a comunidade deu tão certo que a população adotou o costume de avisar quando percebe qualquer coisa fora do normal.

E a preocupação dos moradores tem crescido nos últimos tempos com a possibilidade de um grande empreendimento que poderá ser construído próximo às nascentes do Água Preta, comprometendo sua continuidade. “Além de prejudicar as nascentes que estão no próprio terreno da incorporadora, o empreendimento pode baixar o lençol freático e comprometer as demais nascentes que estão na praça”, adiciona a voluntária.

Uma petição online foi organiza com o apoio do Minha Sampa para impedir a construção de 22 andares residenciais. Até o momento mais de 8 mil pessoas já assinaram o documento online para preservação do Água Preta.

  • A cobertura da COP 23 é uma parceria entre o Climate Journalism e oInstituto Clima e Sociedade (iCS) para incentivar a produção de jovens jornalistas sobre temas relacionados às mudanças climáticas e a mobilidade urbana. 
  • As jornalistas viajaram a convite das organizações.