7 das raças de gatos mais antigas
O elo perdido entre o deserto africano e o seu sofá
Entre as espécies domésticas mais presentes nas casas ao redor do mundo, o gato ocupa um lugar estável há milhares de anos, e entender as raças de gatos antigas ajuda a explicar como esses animais se adaptaram a diferentes culturas e ambientes, desde o Crescente Fértil até regiões frias da Europa e da Ásia, mantendo traços claros de seus ancestrais como o gato-selvagem-africano (Felis lybica).

Como surgiu a origem comum das raças de gatos domésticos?
A origem das primeiras raças de gatos está ligada ao processo de domesticação iniciado há cerca de 9.500 a 10 mil anos no Crescente Fértil, área que abrange partes do atual Egito e do Oriente Médio. Pesquisas arqueológicas indicam que o gato-selvagem-africano (Felis lybica) se aproximou das aldeias em busca de alimento e abrigo, ajudando a controlar roedores em estoques de grãos.
Essa aliança milenar moldou não apenas o comportamento dos felinos, mas também o desenvolvimento das primeiras sociedades humanas. No vídeo abaixo, o canal @ANIMALTV apresenta a história completa dessa amizade, detalhando como os gatos passaram de caçadores de roedores a companheiros inseparáveis.
Quais são as raças de gatos mais antigas conhecidas?
Entre as raças mais antigas, algumas se destacam pela forte ligação com culturas históricas. A gato egípcio mau é associada à região onde os primeiros gatos passaram a conviver com humanos, exibindo corpo musculoso, pernas longas e pelagem manchada, muito semelhante aos felinos retratados em artefatos do Egito Antigo.
Outra raça frequentemente citada é a gato abissínio, ligada ao nordeste da África e a ambientes secos e quentes. Para entender melhor como essas raças se relacionam com os primeiros gatos domesticados, vale observar algumas de suas principais características:
- Gato egípcio mau: um dos símbolos felinos do Egito Antigo, possivelmente descendente direto dos primeiros gatos domesticados na região do Nilo.
- Gato abissínio: associado ao nordeste da África, lembrando gatos retratados em arte africana antiga.
- Gato siamês: originário do antigo Sião (atual Tailândia), citado em manuscritos locais de vários séculos atrás e protegido em templos.
- Gato persa: ligado à antiga Pérsia, já descrito por viajantes europeus nos séculos XV e XVI, famoso pela pelagem longa.
- Angorá turca: uma das primeiras raças de pelo longo documentadas, originária da região da Turquia e do Cáucaso.
- Gato manês: nativo da Ilha de Man, no Mar da Irlanda, conhecido desde a Idade Média pela ausência de cauda.
- British Shorthair: descendente dos gatos levados pelos romanos à Grã-Bretanha, consolidado como tipo robusto e de pelo curto ao longo dos séculos.
Como as raças de gatos se adaptaram a climas frios?
Em regiões de inverno rigoroso, algumas raças se destacam pela impressionante adaptação ao frio. O gato siberiano, originário das áreas setentrionais da Rússia, possui pelagem densa em várias camadas, corpo robusto e patas largas, características que protegem contra neve e baixas temperaturas.
De forma semelhante, o gato-da-floresta-norueguesa é associado à Escandinávia e aparece em sagas nórdicas e lendas ligadas à deusa Freya. Para visualizar como essas raças suportam ambientes extremos, observe alguns pontos comuns entre elas:
- Pelagem espessa que isola do frio e da umidade
- Corpo grande e musculoso para enfrentar terrenos difíceis
- Cauda longa que ajuda no equilíbrio em florestas e encostas
- Histórico de uso como caçadores de pragas em vilas e navios

Como algumas raças de gatos mudaram com o tempo?
Nem todas as raças antigas mantiveram a mesma aparência ao longo dos séculos. O gato persa, associado à antiga Pérsia, chegou à Europa entre os séculos XV e XVI com corpo mais esguio e pelagem longa, lembrando o atual angorá turca. A partir do século XIX, criadores intensificaram a seleção por rosto mais curto, cabeça arredondada e pelagem muito volumosa.
Processos semelhantes ocorreram com outras raças, como o siamês e o british shorthair, que tiveram cores, formatos de corpo e padrões de cabeça refinados para atender padrões de beleza definidos por clubes de criadores. Mesmo assim, a base histórica permanece presente, permitindo reconhecer em 2026 traços claros dos ancestrais selvagens que um dia rondaram desertos africanos, florestas frias do norte e planícies da Ásia.