Em 2023, sismólogos da Universidade Nacional da Austrália, ao analisarem os ecos dos terremotos que reverberam por todo o planeta, confirmaram que a Terra esconde um núcleo interno dentro de seu núcleo externo, uma esfera de ferro distinta com aproximadamente 1.300 quilômetros de diâmetro, cujos cristais se alinham em um eixo diferente do da camada externa
Grandes terremotos liberam ondas sísmicas que cruzam o planeta, refletem perto da superfície e retornam ao interior.
A Terra possui um núcleo mais profundo escondido no centro de seu núcleo interno, segundo evidências apresentadas em 2023 por sismólogos da Universidade Nacional da Austrália. A estrutura seria uma esfera sólida de ferro com aproximadamente 1.300 quilômetros de diâmetro, identificada pela forma peculiar como as ondas sísmicas atravessam o interior do planeta.

Como os terremotos revelaram essa esfera de ferro?
Grandes terremotos liberam ondas sísmicas que cruzam o planeta, refletem perto da superfície e retornam ao interior. Algumas delas podem atravessar o núcleo várias vezes, como ecos produzidos por um sino depois de ser atingido.
Os pesquisadores analisaram registros de cerca de 200 terremotos de grande magnitude. Ao combinar esses sinais, conseguiram observar diferenças muito pequenas na velocidade das ondas que passaram pela região mais profunda do núcleo interno.
- Os terremotos funcionaram como fontes naturais de energia;
- Sismômetros registraram os sinais em diferentes continentes;
- Os ecos atravessaram o centro da Terra várias vezes;
- As variações de velocidade indicaram uma estrutura distinta.
Onde fica o núcleo mais profundo da Terra?
A esfera está localizada dentro do núcleo interno sólido, e não no núcleo externo líquido. Seu diâmetro estimado é de cerca de 1.300 quilômetros, enquanto todo o núcleo interno mede aproximadamente 2.440 quilômetros de uma extremidade à outra.
Por que os cristais de ferro apontam para outra direção?
As ondas de compressão não viajam com a mesma velocidade em todas as direções no núcleo. Na camada externa do núcleo interno, elas se deslocam mais rapidamente em um eixo próximo à direção norte-sul, alinhado aproximadamente com a rotação terrestre.
Na esfera central, a direção mais rápida se inclina em direção ao plano equatorial. Essa diferença sugere que os cristais de ferro estão organizados em outro eixo, possivelmente porque essa região se formou em uma etapa antiga da evolução do planeta.
- A camada externa apresenta alinhamento próximo ao eixo de rotação;
- A região central possui orientação mais próxima de leste a oeste;
- A mudança altera a velocidade das ondas sísmicas;
- A fronteira pode registrar uma transformação na estrutura do ferro.

As ondas de compressão não viajam com a mesma velocidade em todas as direções no núcleo. - Imagem gerada por IA
O que essa descoberta revela sobre a formação do planeta?
Uma possibilidade é que a esfera central seja uma espécie de registro fossilizado dos primeiros estágios do núcleo interno. Quando ela se formou, as condições de temperatura, pressão ou campo magnético poderiam ser diferentes das encontradas durante o crescimento das camadas posteriores.
Outra hipótese considera que o ferro assuma uma estrutura cristalina diferente sob as pressões extremas do centro terrestre. Ainda não há consenso sobre o mecanismo, mas a mudança de orientação indica que o núcleo interno não é uma esfera completamente uniforme.
Por que ninguém pode observar diretamente essa camada?
O centro da Terra fica a aproximadamente 6.371 quilômetros da superfície, muito além do alcance de qualquer perfuração. Por isso, os cientistas dependem do tempo de chegada, da trajetória e da velocidade das ondas geradas por terremotos para reconstruir as propriedades das camadas profundas.
A identificação desse núcleo dentro do núcleo interno amplia o modelo tradicional formado por crosta, manto, núcleo externo e núcleo interno. Os ecos sísmicos mostram que a região mais profunda conserva diferenças na organização do ferro capazes de registrar mudanças ocorridas durante a formação e o resfriamento do planeta.