Restam apenas 150 exemplares, e os cientistas estão analisando suas fezes para salvá-los da extinção
O mistério do animal que voltou dos mortos na Austrália
O potoroo de Gilbert é considerado um dos mamíferos mais raros do planeta e enfrenta um risco real de desaparecer para sempre. Com apenas cerca de 150 indivíduos vivendo na natureza, cientistas australianos estão recorrendo a métodos inovadores para aumentar suas chances de sobrevivência. Entre as estratégias mais promissoras está a análise do DNA presente nas fezes do animal, uma técnica que permite compreender sua alimentação, identificar habitats adequados e criar novas populações protegidas para evitar a extinção dessa espécie única.

O que é o potoroo de Gilbert e por que ele está ameaçado?
O potoroo de Gilbert é um pequeno marsupial nativo da Austrália Ocidental. Durante décadas, a espécie foi considerada extinta, até que uma pequena população foi redescoberta em 1994, surpreendendo pesquisadores e conservacionistas.
Mesmo após essa redescoberta, sua recuperação tem sido lenta. Incêndios florestais, destruição do habitat natural e a presença de predadores invasores, como gatos selvagens e raposas, continuam representando ameaças constantes para sua sobrevivência.
Como a análise das fezes ajuda a salvar a espécie?
De acordo com um estudo publicado na revista científica Biodiversity and Conservation, os pesquisadores descobriram que as fezes do animal guardam informações essenciais sobre sua dieta e comportamento. Por meio da técnica de metabarcoding (um método de identificação genética em larga escala), é possível identificar o DNA de diferentes organismos consumidos pelo marsupial.
Essa abordagem oferece dados valiosos para os programas de conservação. Entre os principais benefícios estão:
- Identificação dos fungos consumidos pela espécie.
- Mapeamento de áreas adequadas para realocação.
- Compreensão das necessidades alimentares do animal.
- Planejamento mais eficiente de ações de preservação.
Qual é a importância dos fungos para o potoroo de Gilbert?
Os estudos mostram que aproximadamente 90% da alimentação do potoroo de Gilbert é composta por fungos. Essa dependência torna a presença desses organismos um fator decisivo para a sobrevivência da espécie.
Antes de identificar novos locais para reintrodução, os cientistas precisam garantir que existam recursos suficientes para sustentar os animais. Os principais aspectos avaliados incluem:
- Diversidade de fungos disponíveis no ambiente.
- Qualidade do solo e da vegetação local.
- Presença de áreas protegidas contra incêndios.
- Baixa incidência de predadores invasores.

Quais são as perspectivas para evitar a extinção da espécie?
Os programas de realocação já demonstraram resultados positivos em diferentes áreas da Austrália. Algumas populações transferidas para ilhas e reservas protegidas conseguiram sobreviver mesmo após eventos ambientais severos que afetaram o habitat original.
Especialistas acreditam que a combinação entre monitoramento constante, proteção dos ecossistemas e estudos avançados sobre alimentação pode aumentar significativamente as chances de recuperação da espécie. Além de preservar um animal extremamente raro, essas ações ajudam a manter o equilíbrio ecológico, já que o potoroo contribui para a dispersão de esporos de fungos e para a saúde do solo onde vive.