Segredo do fundo do mar é revelado com a descoberta de mais de 30 naufrágios históricos no Estreito de Gibraltar

Expedição espanhola identifica dezenas de embarcações históricas submersas e amplia o conhecimento sobre mais de dois mil anos de navegação.

Uma expedição arqueológica identificou 34 naufrágios completos no Estreito de Gibraltar, revelando um verdadeiro arquivo submerso que ajuda a compreender a história da navegação entre a Europa e o Norte da África.

Entre as descobertas está um navio púnico do século V a.C., considerado o mais antigo encontrado durante a expedição.
Entre as descobertas está um navio púnico do século V a.C., considerado o mais antigo encontrado durante a expedição. - Imagem gerada por IA

Como o Projeto Hércules revela um dos maiores tesouros arqueológicos subaquáticos da Europa?

Os achados fazem parte do Projeto Hércules, conduzido por arqueólogos espanhóis que mapearam o fundo do mar em uma das rotas marítimas mais movimentadas e perigosas do planeta. A região já era conhecida por seus fortes ventos, correntes intensas e frequentes episódios de neblina.

Ao longo das pesquisas, a equipe documentou 34 embarcações completas e também localizou vestígios pertencentes a aproximadamente 100 outros naufrágios, demonstrando a enorme importância histórica da área.

Os naufrágios abrangem mais de dois mil anos de história marítima

Entre as descobertas está um navio púnico do século V a.C., considerado o mais antigo encontrado durante a expedição. Também foram identificadas embarcações dos períodos romano, romano tardio, medieval e da era moderna.

O conjunto permite acompanhar a evolução das rotas comerciais, das tecnologias navais e dos conflitos que marcaram a ligação entre a Península Ibérica e o Norte da África ao longo dos séculos.

Como a canhoneira rara surpreendeu pesquisadores durante a expedição?

Uma das descobertas mais relevantes foi a Puente Mayorga IV, uma pequena canhoneira do final do século XVIII. Esse tipo de embarcação era utilizado em ataques rápidos contra navios britânicos nas proximidades de Gibraltar.

Esses barcos costumavam se disfarçar de embarcações pesqueiras antes de atacar seus alvos, indicando que muitos naufrágios encontrados não foram provocados apenas pelas condições naturais, mas também por confrontos militares.

Uma expedição arqueológica identificou 34 naufrágios completos no Estreito de Gibraltar, revelando um verdadeiro arquivo submerso
Uma expedição arqueológica identificou 34 naufrágios completos no Estreito de Gibraltar, revelando um verdadeiro arquivo submerso - Imagem gerada por IA

Quais os principais períodos históricos identificados nos naufrágios?

A diversidade das embarcações mostra como o estreito permaneceu estratégico durante diferentes épocas da história. Os pesquisadores encontraram embarcações de vários períodos que ajudam a reconstruir a evolução da navegação.

  • 1 navio púnico do século V a.C.;
  • Embarcações romanas e do período romano tardio;
  • 4 naufrágios medievais;
  • 24 naufrágios da era moderna;
  • Mais de 100 vestígios adicionais ainda em estudo.

Esse conjunto transforma o fundo do mar em uma importante fonte de informações para arqueólogos, historiadores e especialistas em patrimônio cultural subaquático.

Por que o Estreito de Gibraltar continua atraindo arqueólogos?

Segundo o responsável pelo estudo, Felipe Cerezo Andreo, da Universidade de Cádiz, o estreito sempre foi um dos principais corredores marítimos entre o Atlântico e o Mediterrâneo, reunindo rotas comerciais, expedições e operações militares.

Além do valor histórico, o levantamento ajuda a proteger esse patrimônio contra ameaças atuais, como obras portuárias, elevação do nível do mar e o avanço de algas invasoras, fatores que colocam em risco a preservação dos naufrágios.