Um submarino autônomo chamado Ran mapeou 140 quilômetros quadrados debaixo da Plataforma de Gelo Dotson na Antártida e achou planaltos, degraus e buracos em formato de gota criados pelo derretimento na base, depois perdeu o contato e sumiu, deixando para trás dados que mostram o motivo do derretimento conseguir se juntar em fendas escondidas que os modelos costumam esquecer
Os mapas gerados pela sonda mostraram um teto glacial completamente rugoso
Os segredos subaquáticos mais profundos da Antártida começam a ser revelados por tecnologias revolucionárias. Um mapeamento inédito expôs feições ocultas sob as plataformas congeladas, transformando radicalmente o entendimento atual sobre as dinâmicas oceânicas e o derretimento do nosso planeta.
Como o robô Ran operou sob o gelo?
O veículo autônomo realizou missões complexas navegando sem cabos ou pilotos na cavidade oceânica da geleira Dotson. Utilizando tecnologia de sonar avançada, o robô escaneou o teto congelado de uma região completamente inacessível para os satélites.
Esta jornada tecnológica registrou dados cruciais antes de o equipamento sumir permanentemente na imensidão subaquática, detalhando os seguintes elementos:
- 🗺️ Mapeamento: Cobriu cerca de 54 milhas quadradas de relevo subglacial totalmente desconhecido.
- 📏 Alcance: Percorreu mais de 620 milhas e avançou 11 milhas dentro da cavidade.
- 📡 Autonomia: Operou por 27 dias programados apenas com coordenadas e guias internos.
- 🌊 Correntes: Registrou o fluxo marinho exato que atinge fortemente a face oeste.
- 🔬 Ciência: O projeto teve liderança da oceanógrafa Anna Wåhlin, da Universidade de Gotemburgo.
Quais formações surpreendentes foram encontradas?
Os mapas gerados pela sonda mostraram um teto glacial completamente rugoso, cheio de planaltos, fendas profundas e depressões arredondadas em formato de gotas. Essas estruturas indicam erosões ativas, desafiando a antiga suposição de superfícies perfeitamente planas.
O relevo irregular decorre da força de fluxos velozes e lentos que desgastam a base congelada de modos diferentes. Desse modo, a água salgada e aquecida esculpe o gelo assim como os rios desenham a areia.
Como ocorre o derretimento basal na geleira?
O processo erosivo acontece diretamente na parte inferior da estrutura, sendo alimentado por correntes marinhas profundas e salgadas do oceano. A face ocidental perde massa aceleradamente, enquanto a porção leste continua espessa e preservada.
O mapeamento detalhado identificou fendas verticais que atravessam a plataforma e funcionam como verdadeiras rotas de calor, conforme exemplificado a seguir:
Dinâmica das Fendas Glaciais
Impacto das Correntes Subterrâneas
O fluxo de água pressiona o calor diretamente nas paredes das fraturas estreitas. Esse mecanismo acelera o colapso e amplia o desgaste interno continuamente.
Modelos simplificados falham ao ignorar essas estradas ocultas de perda de gelo. Compreender essa topografia acidentada altera completamente as previsões ambientais.
Compreender o comportamento dessas cicatrizes ajuda a calibrar as simulações, gerando alertas indispensáveis. Diante disso, pesquisadores conseguem antecipar os pontos de vulnerabilidade extrema na cobertura antártica através das seguintes evidências gráficas coletadas:
- Fendas verticais mapeadas desde a base que alcançam a superfície congelada.
- Grandes canais que direcionam correntes aquecidas para o núcleo da estrutura.
- Plataformas afinadas assimetricamente pela força das turbulências marinhas profundas.
Por que esses dados afetam as previsões do nível do mar?
As plataformas de gelo funcionam como suportes estruturais que barram o avanço rápido das geleiras terrestres em direção ao oceano. Se essas barreiras enfraquecerem ou romperem, a água continental fluirá de forma veloz para o mar.
Essa dinâmica eleva os oceanos e ameaça o planejamento costeiro global, tornando o monitoramento uma prioridade urgente para as seguintes entidades mundiais:
- Planejadores urbanos de grandes metrópoles litorâneas expostas a inundações.
- Companhias de seguros focadas na avaliação de riscos climáticos futuros.
- Cidades costeiras vulneráveis que dependem de defesas e infraestruturas robustas.
Qual foi o destino final do submarino Ran?
Após cumprir missões de sucesso e registrar dados valiosos, a equipe de cientistas retornou ao local para novos exames em janeiro de 2024. Infelizmente, o robô submergiu profundamente e perdeu totalmente a comunicação nas águas polares.
Buscas intensas envolvendo helicópteros, drones e aparelhos acústicos foram acionadas na área remota, mas nenhum vestígio apareceu sob a espessa camada congelada. O equipamento milionário permanece perdido, mas o legado científico deixado por seus mapas guiará a climatologia moderna.
Referências: Swirls and scoops: Ice base melt revealed by multibeam imagery of an Antarctic ice shelf | Science Advances


