Um túnel com mais de 160 metros de comprimento e 7 condutos de água que poderiam ter atravessado toda Constantinopla foram descobertos sob o átrio de Hagia Sophia
Uma descoberta sob a Santa Sofia revelou estruturas ocultas por cerca de 1.600 anos.

O que estava escondido embaixo de um dos monumentos mais famosos do mundo
No início de 2025, técnicos da Direção-Geral de Fundações do Ministério da Cultura e Turismo da Turquia foram ao átrio da mesquita Santa Sofia para uma tarefa rotineira de limpeza. O que parecia burocrático virou história: eles encontraram um sistema subterrâneo com sete linhas de túneis interconectados, escondidos sob as pedras do pátio por cerca de 1.600 anos. O achado foi documentado em 2026 na revista científica Open Archaeology pelo arquiteto Hasan Fırat Diker, da Universidade FSMVU de Istambul. A pesquisa detalhou pela primeira vez as dimensões, os tipos e as características de cada estrutura, revelando uma engenharia paleobizantina muito mais sofisticada do que qualquer um imaginava.- 🏛️Estrutura 4: O túnel mais extraordinário, com mais de 160 metros de comprimento, possivelmente do período paleobizantino, anterior à grande construção de Justiniano I
- 💧Conduções de água de múltiplas épocas: Canais integrados ao sistema hidráulico de Constantinopla, construídos em diferentes períodos históricos dentro do mesmo complexo de túneis
- ⚰️Hipogeu: Um complexo funerário subterrâneo, de onde foram retiradas mais de 102 toneladas de sedimentos
- 🪨Escavação intensa: Mais de 1.068 toneladas de sedimentos foram retiradas dos túneis ao longo de quatro meses de trabalho
- 📅1.600 anos de história: As estruturas foram construídas entre os séculos V e XX, atravessando os períodos bizantino, otomano e republicano
Quando uma simples faxina vira descoberta do século
Pensa bem: ninguém foi até o átrio da Santa Sofia esperando reescrever a história. A equipe foi lá para limpar e fazer manutenção. Mas, ao abrir abóbadas semienterradas, os técnicos perceberam que os galhos subterrâneos se multiplicavam e que o trabalho era muito maior do que qualquer um havia previsto. O resultado surpreendeu até os arqueólogos mais experientes. Por baixo do pátio onde milhões de turistas passam todo ano, existia uma teia de passagens, cisternas e canais que nenhum registro histórico havia mencionado. A arqueologia subterrânea de Istambul acabou de ganhar um novo capítulo.
A parte que quase ninguém conta: para que serviam esses túneis?
Muita gente imagina de imediato rotas secretas e passagens de fuga dos tempos do Império Bizantino. A realidade é igualmente fascinante, mas mais prática. Especialistas turcos apontam que o sistema cumpria funções essenciais: ventilação, drenagem e controle de umidade, fatores indispensáveis para preservar uma construção monumental erguida no século VI.A engenharia da água em Constantinopla
Uma cidade movida pela hidráulica
Na época do Império Bizantino, Constantinopla dependia de uma rede gigantesca de cisternas, aquedutos e reservatórios para abastecer igrejas, palácios e bairros inteiros. Era uma infraestrutura hídrica comparável às grandes obras de engenharia da Roma antiga, funcionando por gravidade e distribuição cuidadosa dos fluxos.
Um exemplo preservado desse sistema funciona até hoje a poucos metros da Santa Sofia: a famosa Cisterna da Basílica, que ainda recebe visitantes e guarda colunas de mármore mergulhadas em água escura. Os túneis recém-descobertos parecem ter feito parte desse mesmo projeto coletivo de abastecimento e drenagem da cidade.
Dezesseis séculos de Istambul guardados no subsolo
A Santa Sofia foi construída entre 532 e 537 d.C. pelo imperador Justiniano I e já foi basílica cristã, mesquita otomana e museu. Cada uma dessas fases deixou marcas visíveis nas paredes, nos mosaicos e nos minaretes. Agora, a descoberta mostra que o subsolo também guardou essa história em camadas, como se o chão fosse um arquivo vivo com 1.600 anos de registros. Para os especialistas em arqueologia, o achado reposiciona a Santa Sofia como uma fonte ativa de conhecimento sobre as práticas construtivas e o cotidiano de Constantinopla, muito além do ícone visual que o mundo inteiro já conhece.