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Elza Deusa Soares

“Eu me alimento de música, música serve de remédio para a alma!”, diz a cantora e compositora que foi homenageada no carnaval de São Paulo e do Rio de Jane

Por: Redação

Por Letícia Motta 

Na véspera da comemoração do Dia da Mulher, o Samba em Rede entrevistou Elza Soares, importante representante da música brasileira que traz em suas obras o foco no protagonismo feminino.

Aos 89 anos, a cantora e compositora viu pela primeira vez a sua história desfilar no Rio de Janeiro e em São Paulo. Na Sapucaí, ela foi homenageada pela Mocidade Independente de Padre Miguel com o enredo “Elza Deusa Soares” e, no Carnaval paulistano, pelo bloco Acadêmicos do Baixo Augusta, com o tema “Viva a Resistência”.

Patrícia Staude
Elza Soares concede entrevista exclusiva ao Samba em Rede

A cantora, que já enfrentou a pobreza, a fome, a morte precoce de filhos e renasceu musicalmente nos últimos anos, reconhece que a música é um caminho para politizar a sociedade e promover a resistência.

Confira a entrevista na íntegra:

O bloco Acadêmicos do Baixo Augusta, um dos maiores do Carnaval paulistano, te homenageou, assim como a escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel, no Rio de Janeiro. Consegue nos descrever como foram essas emoções? Quais as diferenças e peculiaridades entre as homenagens em São Paulo e Rio? 

Deixa eu te contar: sabe que eu vejo tudo isso acontecer, parece que não é comigo, é estranho; eu me vejo ainda quando eu era aquela menina de Água Santa, andando na rua de terra com minha mãe carregando lata de água na cabeça. Tem horas que não acredito que vivi tantas coisas; por ter passado por tantas coisas boas e ruins e ter lutado tanto, hoje as pessoas respeitam meu trabalho. Fico feliz, lógico, me emociono e fico grata, mas eu não consigo dizer em palavras o que sinto; prefiro seguir em frente, não quero parar para pensar no resultado hoje, o futuro talvez um dia dirá e prefiro assim.

A homenagem do Acadêmicos do Baixo Augusta foi forte, ver o povo na rua brincando, feliz, se divertindo, é bonito demais. Você viu o painel que fizeram homenageando a Elza? O desfile da Mocidade foi “fodástico”!!! Fiquei no setor um assistindo a escola passar, contando a minha vida, e depois desfilei. Amei tudo, meu bem!

O Carnaval de São Paulo está maravilhoso, bem organizado, ganhando espaço a cada ano: está lindo! O Carnaval do Rio é maravilhoso: o carioca já é folião de natureza, mas o meu Rio está pedindo socorro, precisando ser cuidado, tadinho…

Com o tema ‘Elza Deusa Soares’, você viu pela primeira vez a sua história desfilar na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro. Mais de 70 mil pessoas ovacionaram a sua passagem no alto de um carro alegórico e se emocionaram em viver ali a representação de momentos da sua vida, marcada por enfrentamentos e superações desde muito cedo. Homenagem em vida tem uma grande importância, um significado especial?

Lógico: quero flores em vida! Quero cantar até o fim, como canto na música “Mulher do fim do mundo”.  É gratificante subir ao palco e ver essa juventude cantando comigo em um só coro. Enquanto eu puder cantar e ter alguém para me ouvir, serei a mulher mais feliz do mundo!

O Acadêmicos do Baixo Augusta desfilou com o tema “Viva a Resistência”, a favor da democracia e da liberdade de expressão: o desfile em São Paulo reuniu quase um milhão de pessoas.  O Carnaval é um ato político e de resistência? 

Completamente: temos que lutar pela cultura neste país; o que será do futuro do meu país sem cultura? Nunca imaginei que pudesse haver uma onda contra a cultura. Educação e cultura sempre, por favor, né? O Carnaval é um movimento também político. Nos meus shows sempre grito em favor da liberdade de expressão e pela democracia.

Os seus últimos álbuns “A mulher do fim do mundo”, “Deus é Mulher”, e “Planeta Fome” simbolizaram um renascimento artístico da deusa mulher, de uma Elza forte, guerreira, necessária e dura na queda. Os três títulos citados refletem a temática polêmica e engajada dos discos. Você reconhece que a música é um caminho para aventar a consciência da sociedade? 

Quando gravei “A mulher do fim do mundo”, não tinha ideia no que ia se transformar esse trabalho. Achava que um público muito pequeno ia consumir e gostar do disco, pois eu não faço nada pensando em sucesso, faço por acreditar. Na época que gravei esse disco, até fora do Brasil as pessoas enlouqueceram com o trabalho.

Depois veio “Deus é Mulher” com um discurso forte e mais solar. E agora o “Planeta Fome”, um disco que eu pensei nele todo, que sugeri o repertório. Pensando nele, já imaginava as músicas nos shows, as pessoas cantando… Eu me alimento de música, música serve é de remédio para a alma.

Elza Soares já foi tema de livro, de filme, de peça de teatro e agora tema no Carnaval 2020. A caminho dos 90 anos, a serem festejados este ano, o que te move para não parar? Pode nos contar quais mais novidades para 2020?

Quem disse 90 anos? Eu? Não sei a minha idade, tem dia que nem nasci ainda. O que me move é a música, é o palco, é o público.

+ Entrevista: 

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