Hamilton de Holanda revisita sambas de Chico Buarque em novo álbum

'Foi o sentimento que me levou a esse repertório', revela bandolinista

Por: Redação
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Hamilton de Holanda homenageia o centenário do samba com músicas de Chico Buarque

Hamilton de Holanda acaba de lançar o álbum “Samba de Chico”, o 30º na carreira do compositor e instrumentista. O trabalho acumula 14 faixas revisitadas e uma composição inédita, além da participação ilustríssima do homenageado: Chico Buarque. Com quase 30 anos de estrada, Hamilton é um dos principais nomes da música instrumental brasileira. Escute o álbum completo aqui.

O cancioneiro Buarqueano em torno do samba foi a principal inspiração para este disco. “O resultado mostra quão generoso é o samba e quão grandiosa é a obra de Chico Buarque e a sua contribuição para a cultura deste gênero”, conta Hamilton em entrevista exclusiva ao Samba em Rede.

Acompanhando por Thiago da Serrinha na percussão e pelos contrabaixistas Guto Wirtti e André Vasconcellos, o bandolinista de dez cordas desfila por composições como “A Banda”, “Samba do Grande Amor” e “Morena D’Angola”. A inconfundível voz de Chico aparece em “A Volta do Malandro” e “Vai Trabalhar Vagabundo”; a catalã Sílvia Pérez Cruz mostra a internacionalidade da obra de Chico em “O Meu Amor” e “Atrás da Porta”. Holanda – o Hamilton – ainda inova com “Samba de Chico”, composição inédita inspirada nas melodias do homenageado e que dá titulo ao álbum.

Confira a entrevista completa:

Você está lançando um novo disco que homenageia o centenário do samba e a obra de Chico Buarque em torno do gênero. O que você experimentou de diferente nesse período que puxou o conceito de “Sambas de Chico”?

Faz um tempo que eu venho tocando músicas de Chico nos meus shows, seja com o trio ou com o Baile do Almeidinha e fiquei com vontade de fazer um disco só com a obra dele. No ano passado, me lembrei que 2016 era o ano de comemoração do centenário do samba e aproveitei para fazer um disco só com sambas do Chico, homenageando o Chico e o samba.

O resultado mostra quão generoso é o samba e quão grandiosa é a obra de Chico Buarque e a sua contribuição para a cultura deste gênero.

Como foi o processo de pesquisa e consolidação deste repertório? 

A escolha foi afetiva. Fui escolhendo músicas que gosto, que já tocava em casa, com minha mulher e meus filhos cantando. Foi extremamente afetiva porque, caso contrário, eu teria que gravar uns quatro ou cinco discos só com músicas do Chico. (Risos)

São tantas músicas boas por isso não me apeguei se era lado B ou lado A. Foi o sentimento que me levou a esse repertório.

Como você enxerga essa relação do samba com outras estéticas musicais?

O samba, assim como o choro, é generoso. É um gênero generoso. (Risos)

É uma música do povo, que nasceu misturada, miscigenada. Se não for assim, é porque algo está errado. São maneiras diferentes de se ver a nossa cultura nacional.

Como tem sido a resposta do público desde o lançamento do disco? 

O público tem sido extremamente generoso comigo, seja nos comentários nas redes sociais, crítica de jornalistas e nos shows mesmo; pessoas vibrando com as músicas que interpreto. Eu não tenho do que reclamar: realmente o cancioneiro do Chico ajuda muito também porque só tem coisa boa, é só alegria.

E você já está pensando em novos projetos? Há mais novidades para este ano?

Vou lançar na época do Dia das Crianças um disco que gravei com a Orquestra Sinfônica do Mato Grosso, sob a regência do Leandro Carvalho, chamado “Alegria”, só com músicas infantis, como os temas do Sítio do Pica-pau Amarelo, da Pantera Cor-de-Rosa, do Mário Bros e dos Flintstones.

Vou continuar o trabalho com o quinteto: neste ano fomos convidados para participar do festival Brasil Jazz no Rio e SP. E também entramos em estúdio para gravar um disco só com músicas do Milton Nascimento, que deve sair no fim do ano. E o Baile do Almeidinha tem datas até o final do ano. Sigo trabalhando com muita força e alegria.