‘Tetê’ mágico: Amamentação pode evitar 823 mil mortes por ano

Leite materno é vida. É saúde, bem-estar, conexão, nutrição, conforto e uma infinidade de atribuições. É considerada a primeira vacina do bebê e a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a amamentação exclusiva pela mãe até os seis meses de vida.

Todos esses benefícios estão refletidos numa pesquisa realizada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico a pedido da OMS. Nela, foram avaliados dados vindos de 153 países, entre 1995 a 2014, concluindo que o leite materno, em nível quase universal, poderia prevenir 823 mil mortes de crianças menores de cinco anos por ano.

Não para por aí: considerando o mesmo período, evitaria ainda 20 mil falecimentos por câncer de mama. A pesquisa foi divulgada na publicação científica britânica The Lancet e é mais uma comprovação da importância da amamentação. O estudo já é o segundo colocado da 17ª edição do Prêmio Péter Murányi.

A amamentação garante ao bebê e à mãe benefícios não só biológicos como psicológicos também – estimula o vínculo mãe-filho.

O trabalho é de autoria do médico epidemiologista Cesar Victora, professor emérito da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), e observou os benefícios trazidos pela amamentação – além da proteção contra a mortalidade infantil, a redução das hospitalizações por doenças infecciosas na infância e a redução da ocorrência de sobrepeso e diabetes.

Vera Murányi Kiss, presidente da Péter Murányi, comenta o estudo: “Para nós, receber trabalhos com esse alcance demonstra que estamos no caminho certo, reconhecendo a contribuição desses especialistas na garantia de um futuro melhor às próximas gerações”.

O estudo mostra ainda que a situação da amamentação é pior nos países de primeiro mundo. A taxa de aleitamento materno no Reino Unido é de apenas 1%. Na Irlanda e na Dinamarca, é de 2% e 3%, respectivamente. Nos países ricos, apenas uma em cada cinco crianças é amamentada até os 12 meses. Já nos países pobres, o índice é de uma em cada três.

A OMS recomenda a amamentação exclusiva até os seis meses e associada à alimentação adequada até os dois anos. Hoje, apenas cerca de 35% das crianças do mundo estão sendo alimentadas de acordo com esta recomendação.

O aleitamento materno não só combate a mortalidade infantil como previne câncer de mama.

Ainda segundo a análise, com a prevenção de doenças por meio do aleitamento, os custos de tratamento poderiam ser reduzidos, gerando uma economia de até US$ 300 bilhões em todo o mundo. No Brasil, se 90% dos bebês fossem amamentados até os seis meses, a economia por ano com o tratamento de doenças comuns na infância seria de cerca de US$ 6 milhões.

Vale destacar que os benefícios da amamentação não se restringem aos bebês, mas também se estendem às mães. De acordo com o Ministério da Saúde, a amamentação ajuda na recuperação do útero após o parto, diminuindo o risco de hemorragia e anemia.

O aleitamento materno também pode contribuir para a redução do peso da mulher após a gestação e, consequentemente, para a redução de riscos para doenças cardiovasculares e diabetes. Traz benefícios psicológicos para a criança e para a mãe – uma amamentação prazerosa fortalece os laços afetivos entre eles.

  • Leite Artificial

Os responsáveis pela pesquisa manifestam uma preocupação especial com o avanço da indústria que oferece produtos para substituir o leite materno – as vendas globais do setor passaram de cerca de US$ 2 bilhões em 1987 para US$ 40 bilhões em 2014.

Um dos autores, Nigel Rollins, do Departamento de Saúde Materna, Neonatal, Infantil e do Adolescente da OMS, alerta:

“A saturação de mercado em países de alta renda leva as indústrias a penetrar rapidamente em mercados globais emergentes. Quase todo o crescimento em vendas de leite em fórmula para crianças no futuro próximo deve acontecer em países de renda baixa e média, onde o consumo ainda é relativamente baixo”.

A Organização Mundial da Saúde recomenda o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida. Recomenda também a livre demanda.
  • Prêmio Péter Murányi

O Prêmio Péter Murányi é realizado anualmente, com temas que se alternam a cada edição: Saúde, Ciência & Tecnologia, Alimentação e Educação. Os temas são revisitados a cada quatro anos.

A edição 2018, com foco em saúde, recebeu 225 trabalhos inscritos vindos de toda a América Latina. O número representa um recorde em toda a história da premiação.

A premiação conta com o apoio das seguintes entidades: ABC (Academia Brasileira de Ciências); Aciesp (Academia de Ciências do Estado de São Paulo); Aconbras (Associação dos Cônsules no Brasil); Anpei (Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras); CIEE (Centro de Integração Empresa-Escola); CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico);Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior); Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência).

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