Anvisa toma decisão sobre uso de ozonioterapia no Brasil

Gerente da Anvisa esclarece assunto após presidente sancionar lei que autoriza uso

Anvisa vai manter as restrições da ozonioterapia
Anvisa vai manter as restrições da ozonioterapia - iStock/Henadzi Pechan

A nova lei que sanciona a prática da ozonioterapia no Brasil, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não promete grandes alterações na maneira em que o procedimento é executado, de acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O gerente de Tecnologia em Equipamentos da instituição, Anderson Pereira, em uma entrevista ao jornal O Globo, garantiu que não haverá flexibilização nas autorizações para a ozonioterapia.

Segundo ele, a Anvisa está aberta a avaliar novos protocolos, entretanto, trata-se de um processo que leva tempo.

A lei, que foi aprovada mesmo sob oposição do Ministério da Saúde e entidades médicas, regulariza que a ozonioterapia pode ser feita somente por meio de equipamentos de produção de ozônio medicinal que sejam devidamente fiscalizados pela Anvisa ou órgão semelhante.

O que muda com a nova lei?

Utilizando os gases ozônio e oxigênio, a ozonioterapia é uma combinação que produz efeitos oxidantes e bactericidas. A aplicação pode ocorrer diretamente com uma seringa, via retal ou por outros orifícios.

Defensores da terapia afirmam que suas propriedades anti-inflamatórias e antissépticas melhoram a oxigenação do corpo, sendo eficaz no tratamento complementar de doenças autoimunes, problemas respiratórios entre outros.

Até então, os equipamentos aprovados são exclusivamente destinados a finalidades odontológicas e estéticas. A Anvisa não define metas para a eficácia da ozonioterapia em tratamentos médicos.

Para que haja uma alteração nesse panorama, seria necessário que a Anvisa concordasse com a eficácia da terapia para esses tratamentos.

“Não existe nenhum equipamento de ozonioterapia aprovado pela Anvisa para uso médico, pois todos demonstraram ser clinicamente ineficazes. Atualmente, a aprovação se restringe ao uso em odontologia, como tratamento de cáries dentárias, prevenção e tratamento de condições inflamatórias, e procedimentos de limpeza de pele”, destaca Pereira.

Riscos associados à ozonioterapia

Apesar de seus supostos benefícios, a Anvisa alerta sobre o perigo da utilização indevida e indiscriminada desta tecnologia.

A agência salienta que existem riscos à saúde decorrentes de indicações de uso que não foram científica e clinicamente comprovadas. Além disso, especialistas avaliam a técnica como insegura, pois terapias inadequadas podem piorar as condições de saúde dos pacientes.

Assim como em qualquer procedimento médico, é vital uma eficiente regulamentação e critérios de segurança. Consequentemente, mesmo aprovada, a lei afirma que o processo de ozonioterapia deve acabar sendo regulado por um órgão competente, como a Anvisa, para assegurar o bem-estar do paciente e evitar complicações desnecessárias.