Câncer de ovário: 7 sinais silenciosos que podem passar despercebidos

Por EdiCase

Considerado um dos tumores ginecológicos mais agressivos e silenciosos entre as mulheres, o câncer de ovário continua sendo um dos maiores desafios da oncologia justamente porque seus sintomas costumam passar despercebidos, especialmente após os 50 anos, fase em que muitas mulheres associam mudanças do corpo ao envelhecimento natural.

Esse cenário ganha ainda mais relevância diante do envelhecimento acelerado da população: segundo projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2070 cerca de 37,8% dos brasileiros terão 60 anos ou mais, quase o triplo do patamar atual, o que tende a ampliar a incidência de doenças relacionadas à idade, como o câncer de ovário, e reforça a importância do diagnóstico precoce.

“Embora não esteja entre os tipos mais frequentes, o câncer de ovário preocupa pela elevada mortalidade: aproximadamente 70% dos diagnósticos acontecem em estágios avançados. E o Brasil deve registrar cerca de 8 mil novos casos por ano no triênio 2026-2028. O grande desafio é que os sinais iniciais são muito inespecíficos e frequentemente confundidos com alterações hormonais, intestinais ou sintomas ligados ao envelhecimento”, explica Cristovam Scapulatempo Neto, diretor médico de Patologia e Genética do Delboni, da Dasa.

Sinais silenciosos do câncer de ovário

Abaixo, Cristovam Scapulatempo Neto destaca sinais silenciosos do câncer de ovário que merecem atenção. Confira!

  1. Inchaço abdominal persistente: sensação frequente de barriga estufada, mesmo sem mudança alimentar, pode ser um dos primeiros sinais da doença.
  2. Sensação rápida de estômago cheio: comer pequenas quantidades e sentir saciedade excessiva merecem investigação, especialmente quando o sintoma persiste.
  3. Dor abdominal ou lombar recorrente: dores contínuas na região da pelve, abdômen ou costas podem indicar alterações ovarianas.
  4. Alterações intestinais sem explicação: constipação, gases, desconforto intestinal e mudanças repentinas no funcionamento do intestino podem estar associados ao tumor.
  5. Aumento do volume abdominal: mesmo sem ganho de peso, algumas mulheres percebem crescimento abdominal progressivo.
  6. Perda de peso inexplicada: emagrecimento sem dieta ou mudança de rotina deve sempre ser investigado clinicamente.
  7. Histórico familiar de câncer: casos de câncer de mama ou ovário na família aumentam significativamente o risco, principalmente quando há mutações nos genes BRCA1 e BRCA2.
O acompanhamento médico é essencial para o diagnóstico precoce do câncer de ovário (Imagem: Monkey Business | ShutterStock)
O acompanhamento médico é essencial para o diagnóstico precoce do câncer de ovário (Imagem: Monkey Business | ShutterStock)

Envelhecimento pode mascarar o câncer de ovário

É comum mulheres normalizarem sintomas persistentes após os 50 anos, atribuindo sinais importantes à menopausa, alterações hormonais ou ao próprio envelhecimento. “Os ovários ficam profundamente localizados na pelve e os tumores podem evoluir de forma bastante silenciosa. Muitas pacientes acreditam que se trata apenas de questões digestivas ou hormonais e demoram para procurar avaliação médica“, afirma Adriana Bittencourt Campaner, ginecologista do Delboni e Lavoisier Medicina Diagnóstica.

Exames ajudam na investigação precoce da doença 

Diferentemente dos tumores de mama e de colo do útero, a doença ainda não possui um método de rastreamento eficaz para a população geral. Por isso, o acompanhamento ginecológico regular e a investigação individualizada tornam-se fundamentais. Entre os principais exames utilizados, estão:

  • Ultrassom transvaginal;
  • Ressonância magnética;
  • Testes genéticos em pacientes com histórico familiar.

Genética muda prevenção e tratamento

Os avanços da medicina de precisão também vêm transformando o cuidado com a doença. Hoje, exames genéticos conseguem identificar mutações hereditárias associadas ao câncer de ovário e direcionar tratamentos mais personalizados.

“A oncologia moderna caminha cada vez mais para terapias individualizadas. Identificar alterações moleculares específicas amplia possibilidades terapêuticas e pode melhorar os resultados clínicos”, destaca Cristovam Scapulatempo Neto.

Entre os avanços recentes, estão os inibidores de PARP, terapias-alvo utilizadas principalmente em pacientes com mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 que possuem tumores com Deficiência de Recombinação Homóloga (HRD).

Por Bárbara Cheffer