Como o estresse interfere no funcionamento do intestino

Entre as doenças mais associadas a esse desequilíbrio emocional está a síndrome do intestino irritável

28/01/2026 08:47

Dor abdominal, diarreia, constipação e sensação de inchaço costumam surgir ou se intensificar em momentos de estresse e ansiedade. A relação entre mente e sistema digestivo é respaldada pela ciência

Segundo estudo publicado no “Bioinformation Journal“, mais da metade dos pacientes com sintomas gastrointestinais apresenta ansiedade moderada a grave, o que indica que o quadro emocional pode agravar ou até desencadear doenças digestivas.

Especialista explica como ansiedade, estresse e depressão influenciam o intestino e quando é necessário buscar ajuda médica
Especialista explica como ansiedade, estresse e depressão influenciam o intestino e quando é necessário buscar ajuda médica - iStock/kirisa99

De acordo com o cirurgião do aparelho digestivo André Augusto Pinto, da clínica Gastro ABC, esses sintomas estão ligados ao chamado eixo cérebro-intestino, um sistema de comunicação direta entre o sistema nervoso e o trato gastrointestinal.

O médico explica que situações de estresse, ansiedade e depressão estimulam a liberação de hormônios como cortisol e adrenalina, que alteram o funcionamento do intestino. “Essas substâncias podem acelerar o trânsito intestinal, provocando diarreia e cólicas, ou reduzir sua atividade, resultando em prisão de ventre”, afirma.

Síndrome do intestino irritável

Entre as condições mais associadas a esse desequilíbrio está a síndrome do intestino irritável (SII), um distúrbio funcional caracterizado por dor abdominal, mudanças no hábito intestinal, distensão abdominal, náuseas, indigestão e, em alguns casos, vômitos.

Segundo o especialista, a SII é considerada um diagnóstico de exclusão. Antes de confirmá-la, é necessário descartar outras doenças com sintomas semelhantes, como tumores do aparelho digestivo, problemas na vesícula biliar, doenças gástricas e enfermidades inflamatórias intestinais. Por isso, a orientação é buscar avaliação médica logo nos primeiros sinais.

O tratamento exige uma abordagem multidisciplinar. Ajustes na alimentação são essenciais, com aumento do consumo de fibras, líquidos, verduras, legumes e alimentos ricos em vitaminas, além da redução de carnes muito vermelhas, enlatados e embutidos. Atividade física regular, controle do estresse e acompanhamento psicológico ou psiquiátrico também fazem parte do cuidado.

“Quando o estresse, a ansiedade e os sintomas intestinais não são tratados adequadamente, o quadro pode se tornar crônico e evoluir para problemas mais graves. O intestino reage diretamente ao estado emocional, e cuidar da saúde mental é fundamental para o bom funcionamento do sistema digestivo”, conclui o médico.