Corpo, comida e culpa

Quem vive da própria imagem não sofre menos; pelo contrário, muitos estão desabando sobre a pressão que sentem

Por: Marcela Kotait
mulher na balança com um doce e uma maçã
Crédito: :sam thomas/istockNove em cada dez mulheres têm algum grau de insatisfação com sua aparência

Você já percebeu como existem milhares de promessas para emagrecer? Alimentos mágicos e produtos de outros planetas capazes de te deixar com pinta de modelo? A falsa sensação de que basta força de vontade para moldar o corpo como se ele fosse de massinha é uma preocupação que me acompanha há muito tempo.

A maioria das pessoas vive insatisfeita com o próprio corpo e idealiza um tipo de alimentação inatingível, o que traz consequências seríssimas à saúde. Pensando nesses conflitos, escreverei periodicamente neste espaço sobre alimentação, nutrição e forma física em um contexto real e verdadeiramente saudável.

Há mais de uma década estudo essa ‘mania’ de saúde e obsessão com o corpo perfeito. Dedico meus dias a pesquisar e a tratar transtornos alimentares e obesidade, algo que já é muito explorado no exterior e que vem ganhando força no Brasil.

Meu foco é construir abordagens acolhedoras que proporcionem qualidade de vida e bem-estar para todos. Compartilharei neste espaço minha experiência como nutricionista e coordenadora do ambulatório de Anorexia Nervosa do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

Mas como ser acolhedora num mundo com um padrão de beleza tão implacável? Basta ligar a TV, folhear uma revista ou rolar a tela do celular para perceber a influência que as mídias causam em nossas vidas. Mulheres e homens são diariamente forçados a permanecer na busca eterna pelo corpo perfeito.

E não pense que quem vive da própria imagem sofra menos; pelo contrário, cada vez mais gente que trabalha com isso está desabando sobre a pressão que sente. Nove em cada dez mulheres têm algum grau de insatisfação com sua aparência. E isso inclui as modelos das revistas que você vê.

Com os próximos textos, espero ajudar você a repensar e a questionar padrões de saúde; respeitar seus sinais internos e gostos pessoais; e valorizar prazeres. Usarei esse espaço não apenas para discutir nutrição, mas para refletir sobre as implicações que o nosso mundo produz quando falamos em comida e corpo.

Texto escrito pela nutricionista Marcela Kotait

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