Entenda como a pressa na hora de comer pode sabotar sua saúde
O ‘mindful eating’ vem ganhando relevância como antídoto ao estresse moderno
O Brasil lidera o ranking de prevalência de ansiedade no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), e esse traço tem repercussões também à mesa.
Relatórios de comportamento de consumo, como o Brasil Food Trends, indicam avanço na busca por conveniência, mas evidenciam um paradoxo: cresce a valorização da alimentação saudável ao mesmo tempo em que as refeições se tornam mais rápidas, solitárias e frequentemente feitas diante de telas.

Especialistas alertam que esse padrão, descrito como “alimentação distraída”, desconsidera um mecanismo fisiológico relevante: o cérebro leva cerca de 20 minutos para registrar a saciedade. Ao comer com pressa, a tendência é ingerir mais do que o necessário antes que o organismo sinalize que já está satisfeito.
‘Mindful eating” ganha destaque
Nesse contexto, ganha espaço o conceito de mindful eating —ou alimentação com atenção plena. A proposta não é uma dieta, mas uma mudança de comportamento que busca restabelecer a conexão entre mente e corpo durante a refeição. Quando o ato de comer ocorre no “piloto automático”, com mastigação acelerada e foco disperso, há perda de percepção sensorial —aroma, textura e sabor— e possíveis impactos na digestão e nos níveis de estresse.
“A digestão e a saciedade são também processos neurológicos. Quando comemos focados em telas ou preocupações, bloqueamos a percepção de prazer que a comida deveria proporcionar. O resultado é que o corpo continua pedindo alimento, não por fome física, mas por insatisfação sensorial ou emocional”, afirma Priscila Andrade, nutricionista e gerente de Marketing-Nutrição da Ajinomoto do Brasil.
Para a executiva, a discussão envolve também a indústria de alimentos. Segundo ela, além de oferecer produtos práticos e nutricionalmente equilibrados, o setor pode contribuir para estimular uma relação mais consciente com a comida. A praticidade, diz, não precisa ser sinônimo de pressa, mas de soluções que reduzam o tempo de preparo e permitam que a refeição seja feita com mais calma.
“É importante lembrar que a refeição é uma pausa necessária. A indústria deve oferecer opções que combinem conveniência e experiência sensorial”, afirma. De acordo com a nutricionista, a empresa mantém equipes dedicadas ao desenvolvimento de receitas e conteúdos voltados a incentivar uma relação mais atenta com o ato de comer, associando o momento da refeição à promoção de bem-estar físico e mental.