Entenda como trombose pode levar à morte, como no caso da Miss ES

Modelo morreu aos 35 anos em decorrência de complicações decorrentes de um quadro de trombose

Silvia Melo em parceria com João Gabriel Braga (Médico - CRMGO 28223)
Miss ES morreu em decorrência de complicações de uma trombose
Miss ES morreu em decorrência de complicações de uma trombose - reprodução/instagram/nabilafurtado

A modelo e ex-primeira-dama de Cariacica (ES), Nabila Furtado, morreu nesta terça-feira (22) aos 35 anos, após complicações decorrentes de um quadro de trombose que evoluiu para uma embolia pulmonar. A Miss Espírito Santo esteve internada por um mês lutando contra a doença, mas não resistiu. A confirmação da morte foi feita por seu marido, Juninho Geraldo, ex-prefeito da cidade.

A notícia trouxe novamente à tona a importância de se falar sobre os riscos associados à trombose e suas possíveis complicações fatais, como a embolia pulmonar, uma condição grave que pode levar à morte em poucas horas se não for diagnosticada e tratada a tempo.

O que é a trombose?

A trombose é uma condição médica grave e potencialmente fatal, caracterizada pela formação de coágulos sanguíneos (trombos) que impedem o fluxo normal do sangue. Embora muitas vezes silenciosa no início, a trombose pode desencadear complicações fatais, como embolia pulmonar, AVC e infarto.

Segundo o Ministério da Saúde, a trombose venosa profunda (TVP) e suas consequências estão entre as principais causas de morte cardiovascular no Brasil e no mundo.

Ainda de acordo com a pasta, as doenças tromboembólicas venosas são responsáveis por mais de 100 mil internações por ano no Brasil, e muitos casos não são identificados a tempo.

Como a trombose pode matar?

A morte por trombose normalmente ocorre quando o coágulo se desprende do local onde se formou e viaja pela corrente sanguínea. Se ele atingir os pulmões, o cérebro ou o coração, pode haver um bloqueio súbito do fluxo de sangue, resultando em:

  • Embolia pulmonar – ocorre quando o coágulo atinge os pulmões, impedindo a oxigenação adequada do sangue. É a complicação mais comum e pode ser fatal se não for tratada com urgência.
  • Acidente vascular cerebral (AVC) – quando o coágulo atinge vasos cerebrais, podendo causar danos neurológicos severos ou morte.
  • Infarto agudo do miocárdio – o coágulo bloqueia artérias coronárias, provocando um ataque cardíaco.

Como evitar uma trombose?

De acordo com o angiologista e cirurgião vascular Rodolpho Reis, não é possível prevenir completamente a TVP, mas algumas medidas podem reduzir significativamente o risco. Manter-se ativo e evitar longos períodos de imobilidade são recomendações gerais importantes. 

“Exercícios regulares, manter um peso saudável e evitar cigarro são atitudes que contribuem para a saúde vascular. Em situações específicas, como viagens longas ou após cirurgias, o uso de meias de compressão pode ser recomendado, assim como, em alguns casos, medicamentos anticoagulantes prescritos por um médico”, explica.

A trombose venosa profunda (TVP) e suas consequências estão entre as principais causas de morte cardiovascular no Brasil e no mundo
A trombose venosa profunda (TVP) e suas consequências estão entre as principais causas de morte cardiovascular no Brasil e no mundo - iStock/libre de droit

Como reconhecer os sinais de uma trombose?

  • A trombose venosa profunda costuma provocar inchaço repentino em uma das pernas, dor persistente — especialmente na panturrilha.
  • Alterações na cor da pele (como vermelhidão ou tom azulado) também podem ser notadas.
  • A sensação de calor na área afetada é outro sinal comum.
  • Para confirmar a suspeita, o exame mais indicado é o doppler venoso colorido, um tipo de ultrassonografia que identifica a presença de trombos nas veias profundas e superficiais.

Tratamento da trombose

O tratamento depende da gravidade do caso. Medicamentos anticoagulantes são o pilar da terapia, pois impedem o crescimento do trombo e a formação de novos coágulos. Em situações mais críticas, pode ser necessário o uso de trombolíticos (que dissolvem o coágulo) ou até procedimentos cirúrgicos, como a trombectomia.