Médicos operam feto dentro do útero da mãe em cirurgia inédita

Procedimento minimamente invasivo durou menos de duas horas

Feto foi operado com 33 semanas de gestação
Feto foi operado com 33 semanas de gestação - Divulgação/ Hospital da Criança e Maternidade

Em um procedimento inédito, médicos de três instituições operaram o intestino de um feto com má formação congênita dentro do útero da mãe. A cirurgia aconteceu no Hospital da Criança e Maternidade (HCM), em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo.

Os médicos realizaram pequenos cortes na barriga da mulher para introduzir instrumentos usados na cirurgia. O procedimento minimamente invasivo corrigiu uma gastrosquise, anomalia em que o intestino fica para o lado de fora do abdômen. Até então, essa correção só era feita após o nascimento do bebê.

O feto foi operado com 33 semanas de gestação e a opção por realizar esse procedimento ainda na barriga é pelo fato disso diminuir riscos e complicações. Além de nascer sadio, a correção permite que o bebê mame imediatamente no seio da mãe depois de nascer.

Cirurgia durou 1 hora e 40 minutos
Cirurgia durou 1 hora e 40 minutos - divulgação/Hospital da Criança e Maternidade de Rio Preto

“Quando essa cirurgia é feita após o nascimento, o intestino já tem um dano inflamatório grande, muitas vezes nasce muito inchado e rígido e é mais difícil colocar para dentro, por isso o tempo de internação tão grande”, explica Gustavo Henrique de Oliveira, especialista em medicina fetal do Hospital da Criança e Maternidade. “Se corrige dentro do útero, o intestino não sofre o processo inflamatório tão intenso e já está se acostumando,” completa;

A cirurgiã fetal Denise Lapa, que desenvolveu esta técnica de fetoscopia, ressaltou que o sucesso deste feito inédito deve-se ao trabalho da equipe, motivada pelo impacto emocional da evolução médica para a paciente. “Poder pegar seu filho no colo no momento que ele nasce, poder amamentá-lo é extremamente importante, precioso para a mãe”, afirma.

Os cirurgiões acreditam que a experiência com esse procedimento agora possa beneficiar milhares de futuros bebês no Brasil e no mundo.

Fatores de risco da Gastrosquise

A gastrosquise ocorre durante o desenvolvimento do feto. Com a anomalia, a parede abdominal não fecha completamente e os intestinos e outros órgãos podem sair por essa abertura.

A má formação ocorre com maior frequência em bebês de adolescentes brancos, mas alguns comportamentos e condições da mãe durante a gestação aumentam os riscos disso acontecer, como, por exemplo, fumar, consumir álcool ou ter infecções urinárias.

Um exame de sangue nos primeiros meses de gravidez pode indicar a possibilidade de gastrosquise. A anomalia também pode ser vista com um ultra-som do feto.