O que o IMC diz sobre a sua saúde e quando ligar o alerta

Médico explica quando é hora de agir e por quê nem todo excesso de peso é caso de cirurgia

27/01/2026 10:34

Entre as muitas siglas usadas na área da saúde, uma delas costuma gerar dúvidas frequentes nos consultórios: o IMC (Índice de Massa Corporal). A conta, que relaciona peso e altura, é simples, mas os resultados servem de base para decisões médicas relevantes, que vão desde mudanças no estilo de vida até a indicação de tratamentos clínicos ou cirúrgicos.

Para ajudar a interpretar esses números, conversamos com o especialista em obesidade e doenças metabólicas do Instituto de Medicina Sallet, José Afonso Sallet. O médico explica os diferentes intervalos de IMC e de que forma cada um deles orienta o cuidado mais adequado.

Médico explica quando é hora de agir e por quê nem todo excesso de peso é caso de cirurgia
Médico explica quando é hora de agir e por quê nem todo excesso de peso é caso de cirurgia - SOMNATH MAHATA/iStock

O médico ressalta que o avanço da obesidade tem múltiplas causas, com destaque para o impacto do estilo de vida contemporâneo. “Com o avanço da tecnologia e uma rotina cada vez mais sedentária, o número de pessoas com sobrepeso aumenta. Fatores genéticos têm influência, mas os hábitos alimentares e comportamentais são determinantes no quadro de obesidade que vemos hoje”, diz Sallet.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade é caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal e está relacionada a condições como hipertensão, diabetes, apneia do sono, problemas articulares, cálculos biliares e alguns tipos de câncer.

IMC: como interpretar os números

A classificação tradicional auxilia no primeiro diagnóstico:

  • Abaixo de 18,5 — abaixo do peso
  • 18,5 a 24,9 — peso considerado normal
  • 25 a 29,9 — sobrepeso
  • 30 ou mais — obesidade

A partir daí, o olhar clínico faz toda a diferença.

Exemplos práticos de conduta médica

IMC 28 — Sobrepeso

Nesse caso, ainda não se trata de obesidade grau 1. A conduta mais indicada inclui:

  • mudanças comportamentais estruturadas;
  • acompanhamento nutricional;
  • prática regular de atividade física ao menos três vezes por semana.

“O uso de medicação pode ser recomendado de acordo com a avaliação e o perfil de cada paciente”, acrescenta o especialista.

IMC 39 — Obesidade importante

Nessa faixa, é essencial investigar doenças associadas como hipertensão, diabetes, apneia do sono e dislipidemias. O médico destaca que há caminhos intermediários antes de uma cirurgia:

  • balão intragástrico;
  • gastroplastia endoscópica;
  • associação ou não com medicamentos injetáveis (“canetas emagrecedoras”), conforme indicação médica.

IMC 44 — Obesidade grave

O tratamento mais efetivo costuma ser cirúrgico, com técnicas consagradas que promovem:

  • perda de 25% a 30% do peso em 1 a 2 anos;
  • manutenção dos resultados a longo prazo com acompanhamento adequado.

Avaliação especializada: etapa indispensável

O especialista reforça que o IMC isolado não é suficiente para determinar o tratamento. “O simples cálculo não deve levar o paciente a se automedicar ou definir por conta própria sua estratégia. A análise integral feita pelo especialista é fundamental para estabelecer metas realistas, escolher a melhor abordagem e ajustar o tratamento ao longo do processo”, alerta o médico.