Pressão alta, o inimigo silencioso dos rins
Pressão alta é uma das principais causas de doença renal crônica no Brasil
A hipertensão arterial, também chamada de pressão alta, é uma condição caracterizada pela elevação da pressão do sangue contra as paredes das artérias acima do nível considerado normal. Um dos aspectos mais preocupantes dessa doença é que, em grande parte dos casos, ela não apresenta sintomas evidentes, tornando-se um risco silencioso não apenas para o coração e o sistema circulatório, mas também para os rins, que figuram entre as principais vítimas ocultas da pressão descontrolada.
Segundo a nefrologista Daphnne Camaroske Lopes, da Fenix Nefrologia, a hipertensão é uma das principais causas de lesão renal no mundo, justamente por comprometer os vasos sanguíneos delicados que garantem o funcionamento adequado desses órgãos.

Dados do último Censo Brasileiro de Diálise mostram que a pressão alta é responsável por aproximadamente 32,5% dos casos de doença renal crônica em pacientes em diálise no Brasil, e entre 70% e 80% dos que realizam o tratamento sofrem com hipertensão.
Qual é a relação entre a hipertensão arterial e os danos aos rins?
Os rins atuam como filtros do organismo e dependem da integridade dos vasos sanguíneos para funcionar corretamente. Quando a pressão arterial se mantém alta, ocorre um desgaste progressivo. As artérias renais endurecem, o fluxo de sangue diminui e os glomérulos –unidades de filtragem– ficam sobrecarregados, podendo sofrer cicatrização.
Com o tempo, essa perda de capacidade de filtração evolui para doença renal crônica. O problema é que essa evolução costuma ser silenciosa: o paciente se sente bem enquanto a função renal se deteriora, e os sintomas só aparecem em estágios avançados.
Primeiros sinais de que a pressão alta pode estar
Os primeiros sinais de que a pressão alta pode estar afetando os rins surgem nos exames, não no corpo. A presença de proteína na urina, inchaço nas pernas ou no rosto e dificuldade crescente em controlar a pressão, mesmo com medicamentos, são indícios de alerta. Embora a lesão renal instalada não seja totalmente reversível, é possível frear ou estabilizar sua progressão.

O controle rigoroso da pressão, aliado a dieta adequada, uso correto de medicações e acompanhamento médico, pode evitar complicações mais graves.
A proteção dos rins, no entanto, exige mais do que apenas controlar a pressão. Reduzir o consumo de sal, evitar o uso indiscriminado de anti-inflamatórios e manter hábitos saudáveis, como controle do peso e prática regular de atividade física, são medidas fundamentais.
Para a nefrologista Daphnne Camaroske Lopes, procurar um especialista é essencial mesmo na ausência de sintomas, especialmente diante de alterações em exames de rotina, como creatinina elevada ou proteína na urina, dificuldade em controlar a pressão ou histórico familiar de doença renal.
“O diagnóstico precoce é fundamental para evitar a progressão da doença e a necessidade de diálise, que, apesar de essencial, traz impactos importantes na qualidade de vida. Cuidar da pressão hoje é proteger a saúde dos rins no futuro”, reforça.