Seu sangue pode revelar quem corre risco de esquizofrenia relacionada à cannabis

Um estudo revela que os ácidos graxos no sangue podem ser a chave para entender a ligação

31/03/2025 12:02

Uma nova pesquisa publicada na Scientific Reports sugere que os níveis de ácidos graxos no sangue podem ser fundamentais para entender a conexão biológica entre esquizofrenia e o transtorno por uso de cannabis. O estudo da Universidade do País Basco (UPV/EHU) analisou padrões metabólicos distintos em diferentes grupos de indivíduos, revelando biomarcadores que podem ajudar a identificar pessoas com maior risco de desenvolver transtornos psiquiátricos devido ao consumo da substância.

A relação entre cannabis e esquizofrenia

Estudos indicam que o uso precoce da substância pode aumentar significativamente o risco de desenvolver esquizofrenia. Estatísticas mostram que cerca de 10% dos usuários desenvolvem transtorno por uso de cannabis ao longo da vida. Além disso, até 42% das pessoas diagnosticadas com esquizofrenia também sofrem com o transtorno por uso da substância.

Diferenças biológicas e biomarcadores

O estudo buscou responder por que alguns usuários de cannabis desenvolvem esquizofrenia, enquanto outros não. Para isso, os pesquisadores analisaram amostras de sangue de quatro grupos distintos:

  • Indivíduos com esquizofrenia que não usam cannabis;
  • Usuários de cannabis com transtorno por uso da substância;
  • Pessoas diagnosticadas com esquizofrenia e transtorno por uso de cannabis;
  • Grupo de controle sem transtornos psiquiátricos ou consumo de drogas.
Estudos indicam que o uso precoce da cannabis pode aumentar significativamente o risco de desenvolver esquizofrenia
Estudos indicam que o uso precoce da cannabis pode aumentar significativamente o risco de desenvolver esquizofrenia - Dmitry_Tishchenko/istock

Segundo os pesquisadores, os resultados mostraram padrões metabólicos diferenciados entre os grupos. Eles detectaram potenciais biomarcadores no sangue que podem ajudar a prever o risco de desenvolver esquizofrenia devido ao uso de cannabis.

A análise revelou que os indivíduos com esquizofrenia apresentavam alterações significativas nos níveis de certos ácidos graxos, que são essenciais para funções cerebrais. Segundo os pesquisadores, eles conseguiram diferenciar perfeitamente os grupos com base na quantidade de metabólitos presentes no sangue, indicando que há um metabolismo alterado ou distinto entre essas populações.

Os achados reforçam a possibilidade de desenvolver ferramentas preditivas para identificar pessoas com maior vulnerabilidade à esquizofrenia devido ao uso de cannabis. Isso pode ser um grande avanço na prevenção de transtornos psiquiátricos relacionados à cannabis.

Os pesquisadores ressaltam que estudos futuros com amostras mais amplas são necessários para validar esses biomarcadores e aprofundar a compreensão sobre a relação entre o metabolismo lipídico e a esquizofrenia.