Uma em cada três crianças no mundo é míope, diz estudo
Pandemia, telas e falta de luz natural são os principais vilões do aumento global da miopia
Um estudo abrangente publicado no British Journal of Ophthalmology revelou um quadro preocupante sobre a saúde visual de crianças e adolescentes.
A análise de mais de 5,4 milhões de jovens de 50 países ao redor do mundo aponta para um aumento constante nos casos de miopia, com projeções alarmantes para o futuro.

Uma em cada três crianças com miopia
Até 2023, cerca de 33% das crianças em todo o mundo apresentavam miopia ou dificuldade em enxergar à distância. A expectativa é que esse índice atinja 40% nos próximos anos. Entre 1990 e 2023, os casos de miopia triplicaram, com crescimento significativo após a pandemia de Covid-19.
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Esse aumento é descrito como “particularmente notável” nos anos pós-pandêmicos, evidenciando os efeitos de mudanças no estilo de vida durante o isolamento social.
Impacto da pandemia: telas contra atividades ao ar livre
A pandemia desempenhou um papel central no agravamento do problema. Com escolas e creches fechadas, muitas crianças passaram a estudar e se entreter exclusivamente em telas de computadores, tablets e celulares.
Paralelamente, houve uma drástica redução no tempo dedicado a atividades ao ar livre, consideradas essenciais para o desenvolvimento saudável da visão.
Especialistas destacam que a exposição prolongada a telas e a falta de luz natural podem alterar o desenvolvimento ocular, aumentando a predisposição à miopia.

Ásia no epicentro da crise
A prevalência de miopia varia drasticamente entre diferentes regiões do mundo. Países asiáticos apresentam as taxas mais altas: no Japão, 85% das crianças sofrem de miopia, seguido pela Coreia do Sul, com 73%, e China e Rússia, ambas com mais de 40%.
Em contraste, países como Paraguai e Uganda registram menos de 1% de casos, enquanto o Reino Unido, Irlanda e Estados Unidos apresentam cerca de 15%. Essa disparidade está relacionada, entre outros fatores, ao início da escolarização.
Idade escolar e fatores genéticos
Nos países onde a escolarização começa mais cedo, como aos dois anos, as taxas de miopia são significativamente maiores.
Crianças expostas precocemente a livros e telas têm maior risco de desenvolver o problema. Na África, onde a educação geralmente inicia aos seis ou oito anos, os índices de miopia são sete vezes menores do que na Ásia.
Além disso, fatores genéticos desempenham um papel importante. Crianças com pais míopes têm maior probabilidade de desenvolver a condição.

Diferenças entre gêneros
O estudo também revelou diferenças de gênero: meninas e jovens mulheres apresentam taxas de miopia mais altas do que meninos e jovens homens. Isso pode ser atribuído ao menor tempo dedicado a atividades ao ar livre entre as meninas, tanto em casa quanto na escola.
Projeções futuras: um cenário preocupante
Os pesquisadores alertam que, até 2050, mais da metade dos adolescentes em todo o mundo pode ser diagnosticada com miopia. Este aumento representa não apenas um desafio para a saúde pública, mas também para a qualidade de vida das futuras gerações.