Hotel na Bahia tem parapente nas falésias e consulta com pai de santo

Maitei Hotel aceita hóspedes a partir dos 12 anos e tem hidromassagem nos quartos

Eu queria mesmo era passar o dia no hotel, fazendo rodízio nas espreguiçadeiras dos terraços em desníveis dessa casa que se debruça sobre o mar, em Arraial d’Ajuda. Mas a proprietária queria ver a gente do lado de fora.

Não que lhe faltasse espírito de hospitalidade. Érika Sanches fazia questão que provássemos seu recente cardápio de experiências para hóspedes do seu Maitei Hotel, um refúgio com apenas 17 quartos, no sul da Bahia.

Crédito: Maitei Hotel/DivulgaçãoStand Up Paddle no rio Bunharém, em Arraial d’Ajuda. no sul da Bahia

As atividades, que quase não cabem em um só final de semana, começam com um drinque sem compromisso no terraço da piscina e seguem com consulta a um pai de santo, no distrito vizinho de Trancoso.

Para os menos crentes, mas que ainda acreditam no poder renovador da natureza, tem Stand Up Paddle no rio Bunharém e parapente sobre as falésias da Pitinga, uma das praias mais belas do destino.

Crédito: Divulgação/Maitei HotelTerraço do Maitei Hotel, em Arraial d’Ajuda. no sul da Bahia

“Eu não quero ter um hóspede que vem pra cá e passa o dia numa barraca de praia, comendo petisco, bebendo e vindo pro hotel dormir. Eu quero que ele venha e sinta o que é estar em Arraial d’Ajuda”, explica a proprietária Érika Sanches.

Daí seu menu de experiências que conta também com cavalgadas na praia (uma das paixões da proprietária), aula de ioga e off road de quadriciclo até Trancoso.

Na volta dá para tomar mais um drinque (dessa vez, uma caipirinha de biribiri ou um gim com hibisco e néctar de cacau) e ainda sobra tempo para arrastar chinelinho na Mucugê, a rua turística desse distrito de Porto Seguro.

O dourado do pôr do sol, na praça da Igreja Matriz Nossa Senhora D’Ajuda, pode ficar para o dia seguinte, assim como a barraca Rio da Barra, que serve de ponto de partida para trilhas até praias mais isoladas, na divisa com Trancoso.

Mas a experiência mais marcante de um final de semana por ali foi a consulta com Pai Roni, daqueles pais de santo que miram bem fundo para dizer tudo o que precisa ser dito.

Invisível e rústico

O Maitei, que em tupi-guarani significa “saudações”, é daqueles hotéis onde nem se percebe que tem gente trabalhando por trás de tudo aquilo. É como chegar em casa e ser abraçado por ela.

Só não pode perder o café da manhã do Maitei Hotel, no dia seguinte, daqueles com açaí no copinho, pão de alecrim, bolo de aipim e o marzão baiano de fundo.

Crédito: Eduardo VessoniCasa Maitei, opção de hospedagem privativa, na Praia de Araçaípe, em Arraial d’Ajuda

Sem falar nos jantares demorados (pela falta de vontade de deixar a mesa, que fique bem claro) que têm dadinho de tapioca com queijo coalho e melaço de entrada, e segue com moqueca ou filé ao molho de framboesa, antes de terminar com um creme broulée de doce de leite, na sobremesa.

Sobre uma colina da praia do Mucugê, esse hotel de 2005 tem design assinado pelo arquiteto Luciano Soares, cujos materiais rústicos e contemporâneos permitem ao hóspede ver o mar, onde quer que ele esteja.

“O Luciano era um cara muito ligado à geografia, à história, na força da natureza. Então elementos como a maré foram muito importantes [na construção do hotel]”, descreve Érika.

Para quem quer mais privacidade, a vizinha Casa Maitei, na praia de Araçaípe, é a versão pé na areia do hotel, mas que funciona como uma casa de dois andares e cinco suítes para até 10 pessoas, em um terreno de cinco mil m².

O local, que é também residência da Érika quando a casa não está alugada, conta com serviços de hotelaria, cozinheira, governanta, jardineiro e concierge para reservas de passeios e restaurantes da região.

Crédito: Maitei Hotel/DivulgaçãoMaitei Hotel aceita hóspedes a partir dos 12 anos e tem serviços como ammenites L’Occitane, duas piscinas, hidromassagem nos quartos, spa, sauna a vapor e academia

“Demorei a amadurecer a ideia de abrir a minha residência para hóspedes. Foi um exercício de desprendimento que, com o tempo, eu aprendi a gostar”, confessa Érika.

E eu, que queria mesmo ter passado o dia no hotel, acabei descobrindo uma Porto Seguro muito além das barracas de axé e da balada pé na areia das casas noturnas com fila na porta.

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