Novo controle de passaportes causa filas de até 5h em aeroportos da Europa; veja como evitar problemas
Sistema digital da União Europeia exige registro biométrico de passageiros de fora do bloco e tem provocado longas esperas em períodos de maior movimento
Quem tem viagem marcada para a Europa precisa ficar atento a uma nova etapa no controle de fronteiras. O Sistema de Entrada/Saída (EES, na sigla em inglês), criado pela União Europeia para substituir o carimbo tradicional no passaporte por um registro digital com dados biométricos, tem provocado filas de até cinco horas em alguns aeroportos europeus.
O impacto tem sido sentido principalmente por passageiros que não possuem cidadania europeia e precisam passar pelo novo procedimento de entrada no Espaço Schengen. Com o aumento do fluxo de turistas durante a temporada de verão europeu, aeroportos registraram dificuldades para processar todos os viajantes, levando a atrasos e, em alguns casos, passageiros perderam seus voos.

Para quem vai viajar nos próximos meses, a recomendação é simples: chegar ao aeroporto com bastante antecedência e considerar um tempo extra para o controle migratório.
O que mudou no controle de fronteiras da Europa
O EES foi criado para modernizar a entrada e saída de cidadãos de países de fora da União Europeia. O sistema substitui o antigo carimbo manual no passaporte por um cadastro eletrônico que reúne informações pessoais, fotografia facial e impressões digitais dos viajantes.
Na primeira entrada na região, o passageiro precisa realizar o registro biométrico. Nas viagens seguintes, a expectativa é que o processo seja mais rápido, com verificação dos dados já cadastrados.

O objetivo do sistema é aumentar a segurança das fronteiras europeias, melhorar o controle sobre o tempo de permanência dos visitantes e identificar casos de permanência irregular no território do bloco.
Por que as filas aumentaram nos aeroportos europeus?
A principal dificuldade está na adaptação dos aeroportos ao novo procedimento. O controle, que antes dependia basicamente da conferência do passaporte, passou a incluir etapas adicionais de coleta e validação de dados biométricos.
Associações do setor aéreo europeu alertaram que os tempos de espera chegaram a até cinco horas em horários de pico e defenderam ajustes no funcionamento do sistema para evitar novos congestionamentos, especialmente durante períodos de férias.
Entre os problemas relatados estão falta de capacidade operacional em alguns terminais, dificuldades técnicas e necessidade de adaptação dos passageiros e das equipes responsáveis pelo controle de fronteira.
Quais viajantes precisam passar pelo novo controle?
O EES se aplica principalmente a cidadãos de países que não fazem parte da União Europeia e que entram no Espaço Schengen para estadias de curta duração. O procedimento ocorre na entrada e também na saída da região.
Países do Espaço Schengen
O Espaço Schengen reúne países europeus que permitem a livre circulação de pessoas entre seus territórios, sem controles de fronteira interna.
Para viajantes brasileiros, o novo sistema de controle de entrada e saída da Europa (EES) se aplica aos países integrantes da área.
Fazem parte do Espaço Schengen:
- Alemanha
- Áustria
- Bélgica
- Bulgária
- Croácia
- Dinamarca
- Eslováquia
- Eslovênia
- Espanha
- Estônia
- Finlândia
- França
- Grécia
- Hungria
- Islândia
- Itália
- Letônia
- Liechtenstein
- Lituânia
- Luxemburgo
- Malta
- Noruega
- Países Baixos (Holanda)
- Polônia
- Portugal
- República Tcheca (Chéquia)
- Romênia
- Suécia
- Suíça
Atenção: Irlanda e Chipre fazem parte da União Europeia, mas não integram o Espaço Schengen.
Como evitar transtornos no aeroporto
Para reduzir o risco de perder conexões ou voos, especialistas recomendam que os passageiros adotem alguns cuidados:
Chegue mais cedo ao aeroporto – Com o novo procedimento, o tempo de imigração pode ser maior do que o habitual. Em viagens internacionais, especialmente durante férias escolares e alta temporada, é indicado chegar com antecedência superior à recomendada pelas companhias aéreas.
Evite conexões muito apertadas – Quem chega à Europa para pegar outro voo deve considerar um intervalo maior entre os trechos. Uma conexão curta pode ser prejudicada caso o passageiro enfrente filas no controle de fronteira.
Tenha todos os documentos organizados – Passaporte válido, comprovantes de hospedagem, passagem de retorno e documentos exigidos para a entrada no país devem estar facilmente acessíveis.
Mesmo com o novo sistema digital, a imigração continua podendo solicitar informações adicionais sobre a viagem.
Confira o aeroporto de chegada – Os impactos não são iguais em todos os terminais. Aeroportos mais movimentados e destinos turísticos populares podem registrar maior concentração de passageiros em determinados períodos.
Aeroportos europeus pedem ajustes no sistema
Representantes do setor aeroportuário europeu solicitaram maior flexibilidade na aplicação do EES para evitar novos episódios de congestionamento. O presidente da associação de aeroportos do bloco, Stefan Schulte, afirmou que passageiros estavam enfrentando horas de espera nos horários de pico e pediu alternativas para lidar com períodos de maior movimento.
A discussão ganhou força com a aproximação do verão europeu, quando milhões de turistas chegam ao continente. O setor teme que o aumento sazonal de passageiros agrave ainda mais os problemas operacionais.
Para quem está planejando uma viagem internacional para algum país da Europa, a principal mudança é incluir esse novo tempo de espera no planejamento. Reservar conexões com folga, chegar cedo ao aeroporto e manter a documentação organizada podem fazer a diferença para começar a viagem sem estresse.
Observações importantes para viajantes brasileiros:
- Brasileiros podem viajar pelo Espaço Schengen para turismo por até 90 dias dentro de um período de 180 dias, sem necessidade de visto de curta duração.
- O passaporte precisa estar válido e atender às exigências de entrada.
- Com a implementação do EES (Sistema de Entrada/Saída), viajantes de países fora da União Europeia, como o Brasil, passam a ter registro biométrico (foto facial e impressões digitais) nas fronteiras externas do espaço.
Com informações da Deutsche Welle Brasil