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Monumento vivo, Casa do Povo é um lugar onde lembrar é agir

A Casa do Povo é um centro cultural que revisita e reinventa as noções de cultura, comunidade e memória

Por: Redação Comunicar erro
TERçA QUARTA QUINTA SEXTA SáBADO
Das 14h às 19h

Para conhecer a longa história da Casa do Povo, é preciso frequentá-la.

fachada da casa do povo, no bom retiro
Crédito: Mila ZachariasA Casa do Povo é um centro cultural que revisita e reinventa as noções de cultura, comunidade e memória com programação fluida

Habitada por uma dezena de grupos, movimentos e coletivos, alguns há décadas e outros mais recentes, o espaço cultural atua no campo expandido da cultura. Sua programação entende a arte como ferramenta crítica dentro de um processo de transformação social.

Sem grade fixa de programação e com horários flexíveis, a Casa do Povo se adapta às necessidades de cada projeto, de forma a atender tanto associações do bairro do Bom Retirno, quanto propostas artísticas fora dos padrões.

Seus quatro eixos de trabalho (memória, práticas coletivas e engajadas, diálogo e envolvimento com o seu entorno) são pensados a partir do contexto contemporâneo em relação direta com suas premissas históricas, judaicas e humanistas.

Nessa empreitada, o público não é alvo, mas participante ativo que, além de visitar, também propõe atividades fazendo do espaço um local de encontro, de formação e de experimentação: um monumento vivo, um lugar onde lembrar é agir.

A programação da Casa do Povo é flexível e se adapta a cada projeto. Para se informar sobre as atividades, clique aqui.

Monumento vivo

Fundada a partir de uma associação cultural sem fins lucrativos logo após a Segunda Guerra Mundial, em 1946, a Casa do Povo foi erguida pelo esforço coletivo de uma parcela da comunidade judaica então chamada de “progressista”, originária da Europa Oriental, politicamente engajada e instalada majoritariamente no bairro do Bom Retiro.

O espaço nasceu de um desejo duplo: homenagear os que morreram nos campos de concentração nazistas e criar um espaço que reunisse as mais variadas associações que tinham nascido aqui, na luta internacional contra o fascismo – visando assim dar continuidade à cultura judaica laica e humanista que o nazi-fascismo tentou silenciar na Europa.

Esse desejo duplo se concretizou na inauguração, em 1953, da Casa do Povo. A tradução dessa ideia foi materializada na construção de um prédio moderno, onde os amplos salões dos andares são espaços maleáveis que se adaptam a diferentes usos. O projeto do espaço é assinado pelo arquiteto Ernest Carvalho Mange.

Em 1960, no subsolo do edifício, foi inaugurado o Teatro de Arte Israelita Brasileiro, o TAIB, desenhado por Jorge Wilheim com murais de Renina Katz, boca de cena de Abrahão Sanovicz e painéis de Gershom Knispel.

Não apenas memorial, não apenas centro cultural, o edifício acolheu o Ginásio Israelita Scholem Aleichem (GIBSA), grupos de leitura, grupos de teatro amador e de teatro ídiche, uma biblioteca, o clubinho Kinderland, reuniões do comitê editorial do jornal Nossa Voz, associações de bairro, assim como o Teatro Popular do SESI, peças do Teatro de Arena, de autores como Plínio Marcos, Gianfrancesco Guarnieri, Augusto Boal, shows do MPB4, aulas de Lygia Fagundes Telles, lançamentos de livros, entre tantas outras atividades que marcaram as vanguardas da época.

Durante a Ditadura Militar (1964-1985), a Casa do Povo se firmou como lugar de resistência cultural e política. Enquanto filhos e filhas de perseguidos políticos estudavam na escola com bolsas e nomes falsos, muitos espetáculos encenados no TAIB foram censurados e, alguns professores, presos e torturados. A instituição sobreviveu aos anos de chumbo mas, a partir dos anos 1980, enfrentou uma crise institucional que acompanhou o relativo declínio da região central de São Paulo.

escadarias da casa do povo no bom retiro
Crédito: Mila ZachariasEscadarias da Casa do Povo, projetada pelo arquiteto Ernest Carvalho Mange
espaço térreo da casa do povo no bom retiro
Crédito: Mila ZachariasA Casa do Povo foi erguida pelo esforço coletivo de uma parcela da comunidade judaica então chamada de “progressista”, originária da Europa Oriental, politicamente engajada e instalada majoritariamente no bairro do Bom Retiro
fachada da casa do povo, no bom retiro
Crédito: Mila ZachariasA Casa do Povo é um centro cultural que revisita e reinventa as noções de cultura, comunidade e memória com programação fluida

No final dos anos 2000, a Casa do Povo iniciou um projeto de renovação com o objetivo de dar continuidade aos ideais de seus fundadores. Voltou à cena cultural da cidade e tem se firmado como um dos poucos espaços que desenvolve, abriga e incentiva práticas artísticas focadas no processo, na experimentação e na transdisciplinaridade, estabelecendo estreita relação com seu bairro e seu passado.

Ao longo desses anos, a Casa do Povo construiu um arquivo composto por mais de quatro mil livros, centenas de fotografias, objetos e documentos que contam parte da história cultural da cidade, do Bom Retiro, da imigração judaica, da resistência à Ditadura e da cultura ídiche. O acervo é aberto a pesquisadores e interessados mediante agendamento prévio feito pelo e-mail: info@casadopovo.org.br.

A Casa do Povo fica localizada na rua Três Rios, 252, no Bom Retiro. A instituição fica aberta de terça a sábado, das 14h às 19h e tem entrada gratuita.