Geração de renda: ‘as profissões e relações de trabalho irão mudar’

O mercado de trabalho em tempos de pandemia foi o ponto de partida desta edição do Causando Encontros, projeto da Catraca Livre e do Festival Path

Por: Redação

A pandemia da covid-19 gerou impactos em diferentes esferas da sociedade, principalmente na área da saúde e da economia. No segundo caso, as consequências são presentes desde o início e terão impactos também no futuro, uma vez que vivemos uma das maiores recessões da história. Com o aumento do desemprego, o fechamento de pequenos negócios e a interrupção da prestação de serviços de autônomos, outro panorama vem se acelerando no mercado de trabalho e demanda medidas efetivas das próprias marcas, apesar das dificuldades do momento atual. Este assunto foi o destaque do terceiro evento do Causando Encontros, projeto realizado pela Catraca Livre e o Festival Path nesta quarta-feira, 22.

Mediado por Wal Flor, sócia-fundadora da Agência Lynx, o evento teve a participação de nomes de segmentos distintos para debater um tema tão urgente: Patrícia Monteiro, diretora de People do Mercado Livre, Nohoa Arcanjo, co-founder da Creators Trusted Creative Net, e Laura Kroeff, vice-presidente de Produto e Desenvolvimento da Box1824. Embora a situação para os trabalhadores autônomos tenha se tornado ainda mais complicada, as especialistas mostraram que há uma mudança de cenário em meio à pandemia no que diz respeito às relações de trabalho e à aceleração do processo de inovação dentro das empresas.

De acordo com Patrícia, todos nós estamos nos recriando de alguma forma, seja no ambiente pessoal ou profissional. Seguindo o mesmo raciocínio, Nohoa afirma que tudo irá mudar: as profissões, as formas de contratação e as relações entre colaboradores. “A dica é testar, aprender e melhorar. E isso serve para tudo: mudar de carreira ou aprender uma nova habilidade”, ressalta. Já Laura acrescenta sobre a oportunidade do acesso a conteúdos online gratuitos de grandes universidades pelo mundo, mas pontua que é preciso cuidar da saúde mental antes de tudo, buscando aliar momentos de prazer com a questão profissional.

Patrícia Monteiro, Nohoa Arcanjo e Laura Kroeff
Crédito: Divulgação / Causando EncontrosPatrícia Monteiro, Nohoa Arcanjo e Laura Kroeff participaram do Causando Encontros sobre geração de renda

Ações das empresas

A partir de sua experiência, Patrícia diz que o momento da pandemia colocou o Mercado Livre em um lugar privilegiado em relação a outras marcas, pois este período está muito ligado ao propósito da empresa: democratizar o comércio, tanto por meios de pagamento como no e-commerce. “Dentro desse contexto, pudemos impactar mais do que o imaginado”, comemora. No braço do empreendedorismo, a plataforma recebeu durante a quarentena mais de 71 mil novos vendedores em busca dos meios digitais para a geração de renda.

“Nós temos dois grandes pilares: serviços e meios de pagamento, e o comércio eletrônico de venda por meio da internet. Com a crise, cresceu a necessidade de muitos empreendedores migrarem para o mundo virtual e eles não necessariamente estavam acostumados com essa tecnologia. Por isso, intensificamos os mecanismos de capacitação desses vendedores”, relata.

No outro pilar de atuação, a empresa focou em manter e apoiar os próprios colaboradores, com a grande maioria deles trabalhando de casa e novas práticas de recursos humanos. Primeiro, definiu com os líderes como eles fariam uma gestão empática e cuidadosa, e formulou um questionário online para medir o estado emocional de todos os profissionais regularmente. Também organizou ações em prol da saúde mental, como aulas de yoga virtuais, acesso a psicólogos, entre outros serviços.

Para além das ações com colaboradores e empreendedores, o Mercado Livre investe em capacitação profissional, com diversas parcerias vinculadas a sua missão. “Temos outros projetos nos quais impactamos socialmente enquanto empresa para contribuir com o ecossistema econômico e social. Por exemplo, temos uma iniciativa com o Sebrae de capacitação direcionada a empreendedores. Inclusive, organizamos para este ano um prêmio para gerar impacto dentro da cadeia de empreendedorismo e ensinar como é ser empreendedor”, acrescenta.

Co-fundadora da Creators, Nohoa conta que o projeto surgiu há três anos com o objetivo de oferecer um serviço seguro e confiável a ambos os lados: para os freelancers de comunicação e tecnologia e para as empresas. A plataforma é responsável por conectar profissionais cadastrados a projetos em suas respectivas áreas, solicitados pelas marcas.

Na pandemia, ela afirma que viu um grande aumento de pessoas trabalhando de forma independente, principalmente devido às demissões. “É um cenário triste, de crise, onde muitos perderam seus empregos, então a disponibilidade para contratação sob demanda cresceu”, pontua. De 2017 até hoje, a iniciativa já transacionou, no total, R$ 2 milhões para trabalhadores.

Logo no começo do isolamento social, as empresas estavam preocupadas em tentar se reestruturar e entender o que ocorria, por isso, profissionais freelancers foram duramente impactados. “Soltamos uma pesquisa para a nossa rede, na qual vimos que 75% deles tiveram projetos cancelados e não estavam com nenhuma outra proposta”, lembra. Em paralelo às incertezas sobre o futuro, muitas dessas pessoas tomaram iniciativas, como investir em projetos pessoais, buscar novos conhecimentos e habilidades, e fazer atividades de relaxamento, com aulas de dança e arte.

“Felizmente, em julho já vemos uma luz no fim do túnel e a situação passou a melhorar”, ressalta Nohoa. Como observado pela especialista, o panorama de crise acelerou a mudança que já vinha ocorrendo: o trabalho de forma independente, não só por autonomia, mas por necessidade. Não à toa o fluxo de cadastros na Creators cresceu e mais empresas estão se abrindo para a possibilidade de contratar freelancers. “Hoje, o mundo já entendeu que é possível contratar profissionais de todos os lugares e em home office”, declara.

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Acesse o report completo no destaques #report da @creators.llc _ Nos últimos três meses, profissionais e empresas tiveram que se adaptar a uma nova realidade imposta pela pandemia. Mas e os profissionais independentes de áreas como comunicação, artes e tecnologia? Qual a realidade dessa camada importante de profissionais que não entram nas estatísticas? Fomos investigar! _ Pesquisa realizada entre 17 e 29 de abril de 2020 com 457 profissionais freelancers residindo no Brasil.

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Futuro do mercado de trabalho

No contexto atual, já é possível pensar sobre qual será o futuro do mercado de trabalho? Segundo a vice-presidente de produto e desenvolvimento da Box1824, consultoria de estratégia com foco em inovação, ela já vinha acompanhando uma série de tendências e comportamentos.

“A chamada Gig Economy, ou ‘economia do bico’, está passando por um processo de expansão e atualização. Ela começou associada ao mercado informal de trabalho menos qualificado e, agora, vemos uma mudança, com a busca por profissionais hiper qualificados, inclusive rompendo barreiras físicas”, explica Laura. Em outras palavras, a possibilidade de contratar autônomos por demanda e projeto começou a romper alguns preconceitos há alguns anos e intensificou-se nesse momento.

Outra questão, como pontua a especialista, é o debate sobre a precarização do trabalho, pois essa economia chegou no Brasil associada aos trabalhos de base, que enfrentam condições menos favoráveis, como os entregadores de delivery por aplicativo, por exemplo.

No entanto, ela acredita que essa segunda onda tende a promover uma preocupação mais equilibrada entre quem está contratando e quem está sendo contratado, em termos de condições de trabalho e remuneração. “E isso vem associado à pressão da opinião pública”, evidencia. “A reputação da empresa começa a ser monitorada e a sofrer impactos em relação a sua atitude para além do consumidor, mas também com colaborador e fornecedor.”

Ao mesmo tempo, a chegada da geração Z ao mercado de trabalho representa uma mudança significativa. A consultoria constatou algumas características desse grupo, que diverge das gerações anteriores: para o ambiente de trabalho, eles já são os grandes catalisadores, que aceleram a diversidade dentro das organizações.

Como características principais, a vice-presidente cita que esses jovens odeiam ser rotulados, são preocupados com a comunidade, voltados para o diálogo e realistas. “O foco deles é no fazer e correr atrás, e ainda lidam de um jeito diferente com as emoções porque tendem a ser mais honestos. A questão da saúde mental é trazida como protagonista”, finaliza.

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O @festivalpath e a Catraca Livre promovem o "Causando Encontros", uma programação com lives especialmente pensadas para construir pontes entre grandes marcas e os protagonistas de importantes lutas sociais. ⠀ As conversas acontecerão entre os dias 8 de julho e 05 de agosto e são voltadas para profissionais e estudantes das áreas de comunicação, marketing, sustentabilidade, responsabilidade social corporativa e recursos humanos. E ó, se liga: as vagas são limitadas. Não perca e vem causar com a gente 😉 ⠀ 👉 Saiba mais no link que está na descrição do perfil ou digite 'https://lnk.bio/OL7Y' no seu navegador📱 ⠀ #MarketingdeCausa #CausandoEncontros #FestivalPath

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Causando Encontros

O debate sobre geração de renda foi o terceiro do projeto Causando Encontros, promovido pela Catraca Livre e o Festival Path para conectar líderes de empresas a protagonistas de lutas por diferentes causas da sociedade. Nos dois eventos anteriores, as conversas tiveram como foco o racismo estrutural e a preservação ambiental. Nas próximas semanas, especialistas vão discutir o panorama atual de outros dois temas. São eles: violência doméstica e saúde mental.

Os eventos são voltados para profissionais e estudantes das áreas de comunicação, marketing, sustentabilidade, responsabilidade social corporativa e recursos humanos. Saiba mais na página especial do projeto e se inscreva na 4ª edição do Causando Encontros, na qual vamos falar sobre combate à violência doméstica.

Confira abaixo como foram os dois primeiros encontros:

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