Apoiado por produtor de cloroquina, Bolsonaro alfineta David Uip sobre uso de medicamento

O que pode estar em jogo na defesa de Jair Bolsonaro sobre uso de cloroquina para o tratamento do novo coronavírus?

Por: Redação

Enquanto a medicina corre contra o tempo em busca de respostas ante ao avanço da pandemia, líderes políticos se lançam ao conflito nas redes sociais atrás de aprovação e protagonismo midiático. Na manhã desta quarta-feira, 8, o presidente da República, Jair Bolsonaro, voltou a usar sua conta no Twitter para defender o uso da cloroquina, contrariando novamente as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS)., e aproveitou para atacar o coordenador do Centro de Contingência contra o Coronavírus em São Paulo, o infectologista David Uip, curado recentemente da doença.

A defesa, segundo  Bolsonaro, resulta de conversas com dezenas médicos e chefes de estados de outros países. Vale citar que Uip integra a equipe de combate ao novo coronavírus liderada por João Doria (PSDB), novo desafeto político de Jair Bolsonaro. “Dois renomados médicos no Brasil se recusaram a divulgar o que os curou da COVID-19. Seriam questões políticas, já que um pertence a equipe do Governador de SP?”.

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Em seguida ironizou o episódio ao questionar o comprometimento de David Uip, e outro profissional da saúde cujo nome não foi divulgado, com o juramento médico. “Acredito que eles falem brevemente, pois esse segredo não combina com o Juramento de Hipócrates que fizeram. Que Deus ilumine esses dois profissionais, de modo que revelem para o mundo que existe um promissor remédio no Brasil.”

bolsonaro doria david uip
Crédito: Agência Brasil e Reprodução/YouTubeJoão Doria rebateu ataque de Bolsonaro a David Uip. “Não foi nenhum médico no Brasil que afirmou que a gravíssima crise do coronavírus era uma gripezinha”

Anvisa reprova uso da cloroquina

A Anvisa emitiu nota afirmando  que a hidroxicloroquina e a cloroquina são registradas para o tratamento da artrite, lúpus eritematoso, doenças fotossensíveis e malária, e que, apesar dos primeiros resultados das pesquisas serem promissores para o novo coronavírus, não existem estudos conclusivos que comprovem o uso desses medicamentos para o tratamento da Covid-19.

Em regra, para que novas indicações terapêuticas sejam incluídas nas bulas dos medicamentos, é necessária a demonstração de segurança e eficácia por meio de estudos clínicos com número representativo de participantes.

Uma vez que os estudos disponíveis acerca da eficácia desses medicamentos ainda não são conclusivos, a Agência tem trabalhado, em conjunto com os principais pesquisadores do país, para discutir, anuir e acompanhar os próximos estudos que trarão mais resultados sobre o uso adequado e seguro dessas e de outras possíveis terapias para o tratamento da Covid-19.

A Anvisa já aprovou a condução do primeiro estudo para a cloroquina e a hidroxicloroquina no Brasil. Os resultados desse e de outros estudos são necessários para que a Agência possa concluir quanto à segurança e à eficácia desses medicamentos no tratamento da Covid-19.

Lobby Bolsonarista

Para além das dezenas de médicos e chefes de estado que Bolsonaro alega ter consultado antes de defender o uso do cloroquina, uma reportagem divulgada pelo site Metrópoles indica também outros possíveis interesses.

Isso porque o medicamento, divulgado como a grande esperança para a cura da doença, é desenvolvido por uma empresa farmacêutica cujo proprietário, Renato Spallici, coincidentemente ou não, é notório apoiador de presidente da República.

Jair Bolsonaro apresenta medicamento à base de cloroquina nas redes sociais e alfineta David Uip – Youtube/Reprodução

No último dia 26, Spallicci divulgou em sua conta no Facebook a notícia de que o Reuquinol havia sido apresentado  por Jair Bolsonaro a outros lideres mundiais. O próprio Bolsonaro levou remédios da Apsen para expor ao público em uma rede social.

Em meio à propagação da eficácia da fórmula no tratamento do novo coronavírus, o remédio desapareceu das farmácias em todo o país. O que causou uma crise no tratamento para pacientes de doenças crônicas e autoimunes, como lúpus e artrite reumatoide, que ficaram sem acesso ao produto.