Ativismo feminino: mulheres ‘hackeiam’ o sistema e mudam o mundo

Em bate-papo promovido por programa de empoderamento da Change.org, mulheres contaram como transformaram realidades a partir da liderança de causas

Por: Change.org (Oficial)
Crédito: Anna Ferrari/Frente Feminista Casperiana LisandraA oficina foi realizada em parceria com as estudantes universitárias do coletivo Frente Feminista Casperiana Lisandra

Elas são jornalistas, empreendedoras, digital influencers, mães, médicas e estudantes que têm em comum histórias inspiradoras de empoderamento. “Eu sou uma mulher que veio da quebrada, então eu vim ‘hackeando’ o sistema desde sempre”, declarou Viviane Duarte, criadora do projeto “Plano de Menina”, em workshop promovido pela Change.org. Na oficina “Elas Mudam o Mundo”, as participantes debateram sobre ativismo feminino e os desafios que as mulheres enfrentam quando decidem liderar campanhas e quebrar paradigmas sociais.

Nas rodas de conversa, realizadas entre terça e quarta-feira, 27 e 28, na Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo, quatro mulheres e duas adolescentes que encabeçaram ou ainda lideram mobilizações, por meio da plataforma, dividiram suas experiências de ativismo com as estudantes da universidade. Como convidadas especiais, Viviane e a jornalista Gabriela Mayer participaram do bate-papo levantando reflexões sobre feminismo e empoderamento, além de abordarem questões ainda enfrentadas pelas mulheres, como o direito à contracepção, violência obstétrica, prostituição, desigualdade salarial, preconceito e julgamento social.

A advogada e digital influencer Paula Chohfi, que criou uma mobilização online reunindo 1 milhão de assinaturas pela liberação de um remédio de alto custo, contou como levou a “vontade de ajudar” as pessoas para as redes sociais, tornando-se uma ativista digital. “Com certeza é o ativismo moderno. Você consegue recrutar pessoas do Brasil inteiro”, comentou a influencer sobre a ferramenta de petições online que utilizou para lançar a campanha vitoriosa em favor das crianças portadoras da doença Atrofia Muscular Espinhal (AME).

A decisão de abraçar uma causa e tornar-se líder de campanha vem, entretanto, com o peso do julgamento da sociedade, conforme comentou Paula no workshop. “Você vai ser chamada de ‘louca’ sempre que sair de um padrão. Mas são essas as pessoas que têm coragem de mudar o mundo”, disse a influencer. Segundo explicou a jornalista Gabriela, apresentadora do podcast feminino “Elas com Elas”, esse comportamento da sociedade é muito conveniente para uma estrutura que quer enfraquecer e desacreditar as narrativas das mulheres.

“O mesmo adjetivo que tem um peso positivo para um homem pode ter um peso muito negativo para a mulher. Se é um cara que vai lá e briga e defende o que acredita, ele é um cara determinado, já a mulher é louca, é histérica. Se o cara é assertivo, a mulher é o que? Ela é mandona, ela passa por cima das pessoas”, exemplificou a podcaster durante o primeiro dia do debate. Na segunda oficina, o mesmo assunto foi abordado pela empreendedora Viviane, que contou sempre ter sido considerada a “maluca do rolê” por ter saído de um cortiço e, através da educação, ter dado a cara a tapa e ido para espaços que não eram considerados seus.

A assistente social Lívia Camargo, que recolheu 32 mil apoiadores em um abaixo-assinado para incluir os dois filhos adotivos no plano de saúde, lembrou que chegou a ser questionada por conhecidos sobre a escolha de “comprar um briga”. Depois de passar um ano enfrentando um processo judicial sem sucesso, Lívia decidiu criar um abaixo-assinado pela conquista dos direitos dos filhos e, em menos de 20 dias, alcançou vitória em sua luta.

“Em um dia consegui 1.500 assinaturas”, destacou a assistente social. “Em uma semana eu obtive 33 mil. A partir daí, a gente conseguiu que o prefeito fosse acionado e tudo mudou totalmente, ele me ligou pessoalmente”, contou Lívia sobre a mobilização que resultou na alteração do estatuto da Caixa de Saúde do município de São Vicente, no litoral de São Paulo. Situação semelhante viveu a advogada Alessandra Begalli, que depois de abrir uma petição online conseguiu em meses a aprovação de uma lei que poderia demorar mais de uma década.

“Nós conseguimos a ‘Lei Lucas’ aprovada no país em oito meses. E eu tenho certeza que a petição fez a grande diferença porque ela realmente mobilizou muita gente”, ressaltou Alessandra no bate-papo. A advogada lutou pela elaboração e sanção da lei 13.722/2018 depois que seu filho Lucas morreu engasgado por falta de socorro em um passeio escolar. A norma obriga estabelecimentos de ensino e recreação infantil, tanto públicos quanto privados, a oferecerem capacitação em primeiros socorros aos funcionários.

“A petição te dá a oportunidade de ver que existem alguns problemas que talvez a gente não tenha percebido, que estejam fora do seu radar porque não estão na sua realidade”, observou Gabriela ao final do primeiro dia do workshop. Para a jornalista, essa forma de mobilização através de campanhas online funciona como um tipo importante de engajamento político.  “Essas petições e a plataforma como uma ferramenta dão a possibilidade de você se conectar com pessoas que talvez você não tivesse a oportunidade de se conectar”, falou.

De médicas a estudantes secundaristas, elas defendem causas

Crédito: Anna FerrariOs workshops aconteceram nos dias 27 e 28, na Faculdade Cásper Líbero

“Estou levando adiante, ‘pentelhando’ muita gente pelas minhas redes sociais”, falou a médica Marianna Lago sobre uma campanha que lidera, através da plataforma Change.org, para salvar o maior instituto de infectologia do país, o Emílio Ribas. Localizado em São Paulo, o hospital passa há anos por uma reforma enquanto enfrenta falta de recursos básicos. Marianna, que é infectologista no local, já coletou mais de 253 mil assinaturas na mobilização.

Assim como a médica, outras duas convidadas do workshop inspiraram outras mulheres com a história de uma campanha ainda em andamento. Alice Lauria e Lena Giuliano, ambas de apenas 16 anos, defendem uma causa relacionada à valorização e representatividade da mulher. Em nome do coletivo feminino “Eu não sou uma Gracinha”, as estudantes lideram uma mobilização para que a Fuvest torne a lista de livros obrigatórios do vestibular mais igualitária na questão de gênero. Dos 9 livros exigidos na prova, apenas 1 é de autoria de uma mulher.

“É uma pauta importante da vida acadêmica e intelectual. Se eu quiser ser escritora, minha chance de ser lida por um aluno do Ensino Médio é muito menor do que a de um homem”, apontou Lena na discussão. “É uma questão de inspiração, se uma mulher ou uma menina quer ser escritora para quem ela vai olhar, em quem ela vai se inspirar?”, questionou Alice. “Se você só lê os livros do vestibular, você só vai ler homens. Então é um jeito de fazer com os jovens tenham acesso a livros escritos por mulheres”, completou a secundarista.

Criado em outro workshop promovido pela Change.org, o abaixo-assinado lançado pelas estudantes acumula até agora quase 8 mil apoiadores. “A gente tem 16 anos e com essa idade a gente acha que não tem cabeça para fazer alguma coisa relevante para o mundo”, enfatizou Alice sobre a surpresa de ver o impacto e a proporção que a campanha está alcançando.

Mulheres e o desafio da igualdade de gênero 

“Que interessante a gente ver, embora em contextos tão diferentes, as mulheres realmente tomando a frente de pautas. E nós somos tantas, mas tão poucas ainda à frente dos projetos. A gente está ainda um pouco de coadjuvante e é isso que a gente precisa mudar”, ponderou a advogada Alessandra após ouvir as diversas histórias de mobilização lideradas por mulheres.

Levantamento realizado pela Change.org na versão brasileira da plataforma mostrou que as mulheres são maioria (56%) entre os usuários que assinam mobilizações online, mas ainda minoria (34%) entre aqueles que têm a iniciativa de criar os abaixo-assinados. Segundo a coordenadora de campanhas da Change.org Brasil, Yahisbel Adames, essa discrepância revela que as mulheres estão participando, querem se engajar, mas sem empoderamento acabam com a sensação de que não têm protagonismo suficiente para liderar causas.

Conforme explica Yahisbel, mudar esse pensamento e inspirar mulheres com histórias de outras líderes é o objetivo do programa “Elas Mudam o Mundo”. “A gente dá suporte para que ativistas possam colocar suas causas diversas em pauta. A plataforma é uma ferramenta para que elas consigam levar essas causas adiante para outras pessoas”, disse.

A coordenadora de campanhas pontuou, ainda, que apesar de os dados mostrarem que as mulheres não são as que mais assumem a liderança de campanhas, o mesmo levantamento indica que elas venceram mais mobilizações que os homens por meio da plataforma Change.org – 53% de todas as campanhas vitoriosas foram lideradas por mulheres. “É legal ver o potencial que elas têm para levar essas causas adiante”, destacou.

O workshop terminou com uma sessão de treinamento, na qual a estudante de jornalismo Fernanda Naomi, que escreve sobre casos de violência contra a mulher e abuso, abriu uma petição pedindo pela aprovação do Projeto de Lei 5019/2013. O PL determina que mulheres de baixa renda vítimas de violência doméstica possam receber um auxílio-temporário.

Crédito: Anna FerrariYahisbel Adames é coordenadora do programa e de campanhas da Change.org Brasil

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