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#ElaNãoPediu: Catraca desenvolve campanha contra violência doméstica

Nosso enfrentamento começa agora, em novembro, mas requer atuação durante todo o ano, dia após dia; saiba como ajudar vítimas

Por: Redação
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Os números são impactantes: pesquisas mostram o crescimento de vítimas de feminicídio e agressões contra mulheres a cada ano no Brasil. Entre 2008 e 2018, o Brasil teve um aumento de 4,2% nos assassinatos de mulheres. Em alguns estados, a taxa de homicídios em 2018 mais do que dobrou em relação a 2008: é o caso do Ceará, cujos homicídios de mulheres aumentaram 278,6%; de Roraima, que teve um crescimento de 186,8%; e do Acre, onde o aumento foi de 126,6%. Normalmente, esse quadro é  decorrência de um problema social complexo, bastante conhecido, mas pouco debatido: a violência doméstica.

Os dados são do Atlas da Violência e do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2020. Esse tipo de violência atinge principalmente mulheres negras, mas também faz entre suas vítimas mulheres brancas, indígenas, pardas, amarelas. Não faz distinção entre adultas, idosas, jovens e crianças, nem entre mulheres cis ou trans, e héteros, lésbicas ou bissexuais.

Atinge quem mora na região Norte do Brasil assim como quem está no Nordeste, no Centro-Oeste, no Sudeste ou no Sul. Tampouco escolhe classe social: dia a dia, faz vítimas em comunidades pobres, na classe média e também em casas luxuosas. Ela não distingue vítimas com preferência ideológica à esquerda, à direita nem ao centro.

Depois de consultar especialistas no tema — a promotora Fabíola Sucasas, do Ministério Público de São Paulo, Jamila Jorge Ferrari, coordenadora das Delegacias de Defesa da Mulher do Estado de São Paulo, e Ana Beatriz El-Kadri, da ONG Mapa do Acolhimento —, a Catraca Livre desenvolveu a campanha #ElaNãoPediu, de enfrentamento à violência doméstica.

Arte com a frase: "a violência doméstica não é só física"
Crédito: Camila Lustosa / Catraca LivreA violência doméstica pode acontecer de diversas formas

E por que #ElaNãoPediu? Simples: a campanha também busca desmistificar frases reproduzidas pela sociedade, mas que são prejudiciais às próprias vítimas. Afinal, a mulher não apanhou por que “estava pedindo”, não pediu para sofrer violência psicológica, não pediu para ser impedida de exercer sua profissão, não pediu para ser humilhada, não pediu para ser afastada de amigos e familiares. Não. #ElaNãoPediu.

O destaque em novembro tem como objetivo trazer reflexão para o Dia Internacional de Combate à Violência contra a Mulher, celebrado no dia 25. A campanha se baseia em três eixos:

– o primeiro é a divulgação de conteúdos que destrincham o problema e mostram caminhos possíveis para resolvê-lo;

– o segundo, uma websérie nas redes sociais da Catraca. Em quatro episódios, contamos histórias de mulheres vítimas da violência doméstica pelo Brasil e discutimos a questão a partir da análise de especialistas;

– o terceiro, trata-se de uma ferramenta que centraliza programas de combate ao problema e também oferece, a partir de um quizz simples, caminhos para quem ainda não sabe que tipo de ajuda precisa para sair do ciclo da violência. São, inicialmente, projetos do poder público e outros desenvolvidos pela sociedade civil, presentes nas 26 capitais e no Distrito Federal.

Ouvimos histórias de vítimas dessas agressões que, quase sempre, têm um mesmo padrão: um ciclo que se repete por muito tempo até que a mulher consiga perceber que vive um relacionamento abusivo e que, na maioria das vezes, vai precisar de uma rede de apoio para conseguir romper este ciclo e se libertar do agressor.

Arte com a frase: "quebre o ciclo: denuncie a violência doméstica contra as mulheres"
Crédito: Camila Lustosa / Catraca LivreA ação vai direcionar as mulheres que querem denunciar a violência doméstica

Outro ponto importante: a violência é algo gradual. A agressão física nem sempre é o primeiro ato do agressor. Geralmente, o relacionamento abusivo tem início com pressões psicológicas, humilhação e falas que minam aos poucos a autoestima da vítima.

A vítima precisa procurar e receber ajuda a partir de acolhimento, apoio psicológico, ajuda jurídica, e, dependendo do caso, atendimento médico e odontológico, além de capacitação para que possa ter uma renda e se torne independente financeiramente. O trabalho de prevenção é considerado o mais importante: quanto mais cedo meninos e meninas estiverem sensibilizados para o tema, menor deve ser a ocorrência dessas agressões.

Neste mês, vamos mostrar o retrato da violência doméstica no Brasil. Mas não fiquemos só em novembro: compartilhe sempre conteúdos e serviços de fontes seguras que podem ajudar outras mulheres a se desvencilhar do problema.