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Homem coloca pílula abortiva na namorada contra sua vontade e confessa crime

Em entrevista exclusiva a Catraca Livre, Tamires contou como tudo aconteceu. Ela estava grávida de 13 semanas e chamou a Polícia. O filho não resistiu.

Por: Redação
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Giuliano Augusto Trondoli Cunha, de 28 anos, confessou a Polícia Civil ter causado um aborto sem o consentimento de sua namorada, grávida de 13 semanas, no último dia 14. O homem colocou pílulas abortivas na sua namorada contra vontade dela e confessou o crime. Ele foi preso em flagrante e a pedido do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) teve sua prisão convertida em preventiva, mas depois da Justiça ter aceitado um pedido de Habeas Corpus, ele foi solto e aguarda o julgamento em liberdade.

Crédito: Polícia CivilHomem coloca pílulas abortivas na namorada contra sua vontade e confessa crime

Em entrevista exclusiva a Catraca Livre, Tamires contou como tudo aconteceu. A pedido da vítima nós preservaremos sua identidade.

Tamires contou que Giuliano “estava acompanhando a gravidez normalmente”.

Na semana véspera do crime, Tamires contou que na “Quarta ele foi ao exame, sexta tive consulta e ele sempre perguntando como tinha sido. Eu pedi para ele marcar os retornos, sábado de manhã mandou mensagem dizendo que não tinha conseguido marcar, mas marcaria na semana seguinte.

No sábado 15 de novembro, a vítima contou que Giuliano foi almoçar com ela. “Por volta de 15h, nós fomos a um restaurante perto de casa, de lá fomos ver preço de uma vitamina chamada Regenesis para gestante. Ele demonstrava mesmo estar todo interessado na gestação. Chegamos em casa, vimos filme, eu dormi, depois saímos, compramos pizza e jantamos”, relatou

De acordo com Tamires, após o jantar, os dois tiveram relação sexual e contou: “Como eu estava grávida estávamos bem tranquilos, com óleos de massagem, gel e tal. Em algum momento enquanto ele fazia sexo oral, ele colocou os comprimidos sem me avisar, eu só senti o dedo, e isso era uma prática normal da gente. Nada mudou aquela noite. Sabe? Terminamos, conversamos e dormimos juntos como se nada tivesse acontecido”, afirmou.

Foi pela manhã que os sintomas do aborto começaram. “Acordei por volta de 7h da manhã já com dor. Eu fui ao banheiro e percebi que expeli dois pedaços de comprimidos, fui mostrar para ele e questionar. Ele tomou os comprimidos da minha mão e só então me disse que tinha ‘feito uma surpresa e comprado Viagra feminino’. Eu entrei em pânico porque estava sangrando. Eu falei que ia ao hospital e ele falou para eu tomar um remédio para cólica e ficar descansando em casa. Eu insisti para ir ao hospital, me troquei e falei que estava indo. Só então ele se mexeu e resolveu chamar um carro desses por aplicativo”, revelou a vítima.

“No carro, ele me abraçou e passava a mão na barriga dizendo que ia ficar tudo bem, que era só um susto. Chegando na recepção, ele perguntou se eu tinha expelido o terceiro comprimido. Entrei em pânico de novo e percebi que aquilo estava estranho. Como alguém coloca comprimidos em você sem te avisar? E como alguém põe três ainda sabendo que você está a grávida?! Fiquei em Pânico. Entrei para a consulta e contei para o médico, ele pesquisou na internet e disse que aquele comprimido que ele tinha dito o nome, o tal Viagra, era para tomar e um só, nada de colocar e muito menos três.

O médico foi examinar Tamires, ela ainda sem saber, já estava em processo de aborto. “Eu implorei para fazer um ultrassom porque queria de qualquer forma ouvir o coração do meu filho e que alguém me dissesse que dava para salva-lo. Quando eu saí da sala do médico pedi a ele para afastar o réu, quando eu saí dali sangrando e já sabendo que estava perdendo meu filho, eu pensei que como tinha feito a ultrassonografia morfológica na quarta-feira, não tinha como ser normal o aborto. Ali, sentada numa cadeira de rodas e sangrando, enquanto duas enfermeiras me levaram para a ultrassom eu liguei para a polícia”, contou a vítima que formada em administração e direito.

“Sai do ultrassom sabendo que meu bebê estava morto e aquele momento eu não consigo nem explicar a dor que sentia, tanto física quanto emocional”, contou Tamires.

Em seu relato a Catraca Livre, a vítima ainda contou que foi levada para a enfermaria e que lá pediu para que Giuliano fosse chamado. “Eu o questionei, não sei em que tom de voz, mas falei que ele não precisava ter matado meu filho, que ele poderia ter sumido das nossas vidas. Eu não acreditava sabe… que ele estava há dois meses fingindo estar me apoiando e tinha feito aquilo, parecia um pesadelo”, afirmou Tamires.

Giuliano Trondoli  ainda tentou sustentar a versão de que se trataria de um viagra feminino e não um remédio abortivo. “Ele me abraçou, disse que nunca faria mal algum ao bebê e que tinha comprado o remédio em outubro para me fazer uma surpresa. Ele me mostrou uma ligação de um número que estava salvo como ‘Viagra fem’ na agenda dele. E então a polícia chegou”, relatou a vítima.

Tamires contou que foi bem tratada no hospital. “No hospital eu fui bem tratada. Passei por um parto, nasceu o bebê e depois a placenta. Eu peguei meu filho morto na mão. Eu vi cada detalhe da mãozinha, dos pés, é muito doloroso. Lembro que uma enfermeira entrou e disse que eu tinha sido muito forte por ter conseguido chamar a polícia”.

Giuliano Trondoli foi preso em flagrante dentro do Hospital Salvalus, na Móoca, em São Paulo e encaminhado para 8º DP, no Brás.  “Era dia de eleição. Se não fosse esse flagrante eu não sei de ele teria sido preso”, disse Tamires.

Da delegacia, Giuliano enviou mensagens para Tamires e confessou o crime para ela e para a polícia.

Em depoimento à Polícia, que a Catraca Livre obteve acesso, Giuliano afirmou que “possui uma relação com Tamires desde de janeiro de 2020. No final do mês de agosto ela engravidou e chegaram a cogitar a possibilidade de aborto, contudo, Tamires desistiu da ideia e resolveu dar continuidade à gravidez”. Ainda de acordo com o agressor, ele “teria se incomodado com o fato de Tamires querer manter a gravidez e adquiriu os comprimidos Citotec pela internet”.

De acordo com a ocorrência registrada na Polícia, “na data dos fatos, alegou se tratar de um estimulante sexual, introduziu 03 comprimidos na vagina de Tamires que começou a se sentir mal e apresentou leve sangramento e como Tamires continuou a ter muitas cólicas, ele a socorreu ao PS do Hospital Salvalus e, diante do quadro de abortamento, afirmou ter introduzido os comprimidos na região vaginal, sem a ciência da vitima e que está arrependido”.

Tamires contou que recebeu um tratamento humano pelas autoridades policiais. “A polícia me tratou bem, provavelmente precisavam descartar a possibilidade de ter tido o meu consentimento no aborto, mas como eu estava com dor eles foram muito humanos. A delegada Sabrina me atendeu após minha alta do hospital e disse que foi lá e conversou com quem tinha me atendido. Ela foi muito humana comigo, de verdade”.

Giuliano foi preso em flagrante e teve a prisão convertida em preventiva na audiência de custódia. Depois disso, ele foi solto pois a Justiça aceitou seu pedido de Habeas Corpus mediante o pagamento de fiança de R$ 10 mil.

Sob a conduta de Giuliano Trondoli o durante o relacionamento, Tamires contou que “ele nunca foi abusivo”. “Quando descobrimos a gestação ele surtou, falou sim de aborto, falou de doar a criança, mas como descobrimos dia 14 e dia 18 ele já tinha pedido desculpas e passou a ser muito solícito e a fazer de tudo por nós eu nunca pensei que ele estivesse planejando algo assim, tão cruel e frio”. Disse a vítima.

O Ministério Público apresentou denúncia contra o agressor de Tamires. “O denunciado confessou a prática delitiva diante da autoridade policial, e para Tamires, assumindo ter introduzido, de maneira dissimulada, os comprimidos de ‘Cytotec’ na vagina da vítima, sem que ela soubesse, durante a relação sexual. denuncio Guiliano Augusto Trondoli Cunha como incurso no artigo 125 do Código Penal”, afirmou o MP, nesta segunda-feira, 23.

Enquanto Giuliano não vai a julgamento, ele aguarda em liberdade.

“Eu me sinto sem chão até agora. Parece que estou num pesadelo, parece que não é real. Eu não consigo acreditar que alguém é capaz de uma monstruosidade dessas. De verdade. Eu não consigo. Eu não estou nada bem, eu revivo cada momento todos os dias, todas as horas. Eu já reli as minhas conversas com ele milhões de vezes e fico me perguntando como ele foi. Capaz dele ser psicopata. Por que como a pessoa consegue fingir tão bem ser o bom moço eu não consigo entender sabe?”, questionou Tamires.

Para a vítima, sua busca por justiça é motivada por seu filho, Vicente. “É a única pessoa em quem eu penso agora”.

“Eu espero que seja feita justiça pelo crime bárbaro que ele cometeu e que ninguém mais acredite na lábia de bom moço dele, porque ele me enganou mesmo, enganou todo mundo que conhecia, enganou a família”, afirmou Tamires.

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