Opinião: 8 de março e o que nós queremos de vocês, homens

Neste Dia Internacional da Mulher, não queremos flores, bombons ou parabéns

Por: Heloisa Aun
Ação da ONG Rio de Paz na Praia de Copacabana contra o abuso sofrido pelas mulheres
Crédito: Tânia Rêgo/Agência BrasilAção da ONG Rio de Paz na Praia de Copacabana contra o abuso sofrido pelas mulheres

Nesta sexta-feira, 8 de março, é lembrado o Dia Internacional da Mulher. Uma data que representa, acima de tudo, a luta dos avanços conquistados pelas mulheres ao longo das últimas décadas.

Diferentemente de outras datas comemorativas criadas pelo comércio, o 8 de março tem origem nos movimentos sociais. É comum associá-lo ao incêndio ocorrido em Nova York (EUA) em 25 de março de 1911, na Triangle Shirtwaist Company, quando 146 trabalhadores morreram carbonizados, sendo 125 mulheres e 21 homens.

Embora o ocorrido tenha marcado a trajetória das lutas feministas, outros eventos anteriores podem ter levado à criação da data. O Dia Internacional da Mulher foi oficializado apenas em 1975, quando a ONU intitulou de “Ano Internacional da Mulher” para lembrar suas conquistas políticas e sociais.

Ao contrário do senso comum, nós, mulheres, não queremos parabéns, bombons ou flores.

Não queremos ser mortas após terminar um relacionamento.

Não queremos ser agredidas apenas porque recusamos beijar um homem.

Não queremos viver com medo de ser assediada ou estuprada.

Não queremos que nos culpem pela violência sofrida ou questionem nossa denúncia.

Não queremos que o assassinato de mulheres negras aumente a cada ano.

Não queremos que nossos corpos sejam sexualizados.

Não queremos viver relacionamentos abusivos.

Não queremos ganhar menos do que vocês exercendo a mesma função.

Não queremos que mulheres pobres morram depois de abortarem.

Não queremos nos privar de algo apenas por ter nascido mulher.

Mas o que nós queremos de vocês, homens?

Queremos que essa transformação parta de vocês, também.

Queremos que vocês intervenham, sim, quando virem um homem assediando uma mulher.

Queremos que vocês ouçam e respeitem quando damos a nossa opinião sobre algo.

Queremos que vocês repensem todos os dias seus comportamentos machistas.

Queremos que vocês dividam e se responsabilizem pelas tarefas de casa.

Queremos que vocês desconstruam as piadas sexistas dentro da família ou em grupos de amigos.

Queremos que vocês parem de tentar controlar suas companheiras.

Queremos que vocês deixem de justificar atitudes agressivas por “ciúmes”.

Queremos que vocês assumam seus filhos e filhas.

Queremos que vocês não nos estuprem.

Queremos que vocês não nos matem.

8 de março não é dia de flores. É dia de lembrar de todas as mulheres mortas e violentadas. É dia de luta, de acolhimento e de cobrar da sociedade direitos básicos a todas nós. 

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Por: Heloisa Aun

Repórter de Cidadania na Catraca Livre. ("nossas costas / contam histórias / que a lombada / de nenhum livro / pode carregar" - Rupi Kaur)

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