Saiba como os deficientes visuais tiram fotos

Por: Keila Baraçal

A luz que passa pelas lentes dos fotógrafos não lhes chega aos olhos, mas apesar de serem cegos, eles não deixam de fazer fotos com a luz e o foco necessários. Mostraram que mesmo não vendo com os olhos é possível enxergar com os demais sentidos. Tanto que a partir desta quinta e sexta, 27 e 28, será possível  apreciar a exposição “Percepção do Visível: fotografias feitas por deficientes visuais”. A mostra, que acontece no Centro de Convenções do Centro Universitário Senac – Campus Santo Amaro, reúne 35 imagens tiradas pelos alunos com deficiência visual. O evento é Catraca Livre.

Henrique Issao Aoki AUTO RETRATO: foto tirada por Henrique Issao Aoki
AUTO RETRATO: foto tirada por Henrique Issao Aoki

De acordo com o curador da exposição, João Kulcsár, durante a mostra, haverá aquilo que ele batizou de “Sala Sensorial”. Nela, o  público entrará num ambiente completamente escuro e serão submetidos a experimentar outros tipos de sentidos.

“O público, impossibilitado de enxergar, participa de uma experiência inesperada e os visitantes [que não sabem o que vão fazer] serão guiados por deficientes visuais pela sala”, explica. No local haverá morangos para serem cheirados e a fruta, para ser provada. Isso nada mais é uma vivência que os próprios alunos fizeram, durante uma atividade em que foram ao Mercado Municipal e registraram as imagens de morangos.

Esse esforço de mostrar que os cegos também podem ser fotógrafos apareceu depois que os próprios estudantes que freqüentavam a biblioteca em braile pediram para ter um curso de fotografia para quem não vê. “No começo, muitas foram as perguntas e provocações”, explica o professor. Mas, ao longo do tempo, Kulcsár percebeu que esta seria uma porta para a inclusão social.

O curso em si tem uma metodologia um pouco diferente. Os alunos passam por basicamente três módulos – “Ensaio”, “Sentidos”, e “Ensaio Fotográfico”. Na primeira parte são desenvolvidas técnicas de distanciamento e enquadramento. Depois, no segundo momento, eles usam otato, olfato, epaladar, tendo condições de expressar suas idéias. E, em seguida, começam a registrar momentos na última parte do curso.

Mais
Quem quiser conferir a experiência de Kulcsár e seus alunos também poderão participar da “Conferência de Direitos Visíveis III – Fotografia como Ferramenta de Alfabetização Visual.” Há 100 vagas  e também é Catraca Livre. O encontro prevê debates sobre assuntos ligados à fotografia e à inclusão dos deficientes visuais na sociedade.

Galeria de imagens:

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