Sargento pode ser expulso da Marinha por criticar Bolsonaro

O militar defende o movimento LGBT e é pré-candidato a vereador no Rio

Por: Redação
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O terceiro sargento Michel Uchiha, de 30 anos, pode ser expulso da Marinha depois de ter usado as redes sociais para perguntar por que Michelle Bolsonaro recebeu R$ 89 mil de Fabrício Queiroz. Ele é militante LGBT e pré-candidato a vereador do Rio de Janeiro pelo PSB (Partido Socialista Brasileiro).

Crédito: Reprodução/TwitterSargento pode ser expulso da Marinha por criticar Bolsonaro

Apesar de muitos militares usarem as redes sociais para expressar suas opiniões, a postagem em que ele questiona o depósito na conta da primeira-dama gerou a acusação de uso político-partidário das redes sociais.

Além do processo disciplinar, Uchiha, que atua na Escola Naval e está na Marinha há mais de dez anos, passou a receber ameaças dos colegas próprios colegas da corporação.

Neste domingo, 20, o sargento da Marinha publicou um vídeo nas redes sociais no qual agradece o apoio que tem recebido.

Rachadinha

O Ministério Público do Rio de Janeiro investiga o possível esquema de rachadinha – quando servidores devolvem parte do salário para o parlamentar – no antigo gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do estado, desde 2018.

O órgão já disse ter encontrado indícios de que o senador lavou R$ 2,27 milhões com compra de imóveis e em sua loja de chocolates.

Crédito: Reprodução/TwitterFlávio Bolsonaro e Fravício Queiroz são investigados no caso da rachadinha

O MP-RJ apontou que Fabrício Queiroz fez pagamentos em dinheiro de mensalidades escolares e plano de saúde das filhas do senador Flávio Bolsonaro, que totalizam R$ 261 mil.

Documento obtido pela TV Globo revela que 116 boletos foram quitados em espécie. Pelo menos dois deles, de mensalidades de um colégio no Rio –R$ 3.382,27 e R$ 3.560,28 em outubro de 2018–, foram comprovadamente pagos por Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio, segundo o MP.

Esses pagamentos seriam mais um indício da “rachadinha” praticada no gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) quando ele era deputado estadual.

De acordo com investigações, a devolução de salários era lavada por uma loja de chocolate e investimentos em imóveis. As investigações acreditam que Flávio é líder da organização criminosa e Queiroz é uma espécie de operador financeiro.

“A análise de suas atividades bancárias permitiu ao Gaecc/MPRJ comprovar que Fabrício Queiroz também transferia parte dos recursos ilícitos desviados da Alerj diretamente ao patrimônio familiar do então deputado estadual Flávio Bolsonaro, mediante depósitos bancários e pagamentos de despesas pessoais do parlamentar e de sua família”, diz trecho da decisão que ordenou a prisão de Fabrício Queiroz.

Fabrício Queiroz foi preso em Atibaia, no interior de SP. Ele estava em um imóvel que pertence a Frederick Wassef, ex-advogado da família Bolsonaro.

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