‘Usar fantasia de índio não é homenagem, é racismo’, diz ativista

A artista indígena Katú Mirim foi atacada nas redes sociais após publicar um vídeo e lançar o protesto #ÍndioNãoÉFantasia

Por: Redação
Katú publicou um vídeo nas redes sociais

Cocar, pinturas e saia com penas: a fantasia de índio está presente nas festas e blocos de rua durante todo o Carnaval. Disfarçada de “homenagem”, a prática é considerada racista por se apropriar da cultura dos povos, que até hoje são vítimas de genocídio.

Recentemente, a artista indígena Katú Mirim publicou um vídeo nas redes sociais explicando por que o uso desses trajes é algo racista e lançou o protesto #ÍndioNãoÉFantasia. “Isso é racismo. Indígenas existem, resistem e temos cultura”, diz. No post, a ativista foi atacada com comentários preconceituosos, como “índio que é índio mora no mato” e “volta para a aldeia”.

“Usar fantasia de índio é racismo porque discrimina nossa raça, fortalece o estereótipo do índio folclore e a hipersexualização da mulher indígena”, explica Katú em entrevista ao Catraca Livre. Em seu canal no YouTube, ela compartilhou outro vídeo sobre o assunto:

A decisão de gravar o vídeo veio após algumas compras na rua 25 de março, no centro de São Paulo. “As vitrines das lojas estavam lotadas de cocares e aquela cena ficou na minha cabeça. Para mim foi como ver meus ancestrais e a mim mesma sendo pendurados”, relata.

Para a ativista, o uso da fantasia de índio é apenas a “ponta do iceberg”. “O assunto é só um start para as discussões sobre questões raciais, direitos, visibilidade e representatividade dos povos originários“, afirma.

“Desde 1492, quando invadiram e colonizaram a América, o genocídio aliado ao etnocídio, assim que o Estado Brasileiro foi sendo construído. Uma terra indígena, onde a chamada ‘evolução’ foi agindo pela eliminação dos povos originários, da raça indígena. Raça essa que só entrou no IBGE em 1991. Se isso não é racismo é o que, então?”, completa.

Segundo Katú, a palavra fantasia tem uma conotação de falsidade, de algo que não existe. “Os povos indígenas já são estereotipados e descriminados, e a sociedade só lembra da nossa existência quando lhe convém, como é o caso da fantasia, que pega os nossos símbolos sagrados e os transforma em mercadoria e meros adornos descartáveis.”

Em 2017, a artista decidiu usar suas ações pela causa indígena para fundar o movimento “VI Visibilidade Indígena”, que luta pelos direitos e representatividade dos povos.

Assista ao vídeo:

https://www.facebook.com/kimkatu/videos/1435565469886912/

  • Leia mais:
1
Bolsonaro deixa o PSL para fundar um novo partido político
O presidente Jair Bolsonaro anunciou nesta terça-feira, 12, que vai deixar o Partido Social Liberal (PSL) após quase dois anos …
2
Entenda a crise política na Bolívia em 8 minutos
Após 13 anos no poder, o presidente boliviano Evo Morales renunciou ao cargo no último domingo, 10, em meio a …
3
DPVAT e INSS: os impactos das medidas de Bolsonaro para a população
O presidente Jair Bolsonaro assinou duas medidas provisórias (MPs) que prometem mudar a vida dos brasileiros. O anúncio foi feito …
4
O retrato da violência doméstica no Brasil
Cerca de 13 mulheres são assassinadas todos os dias no Brasil.  Em uma conta rápida, isso significa 4.750 mortes por …
5
O ambicioso plano de Paulo Guedes para a economia do Brasil
“Transformar o Estado Brasileiro” é o que pretende o ministro da Economia, Paulo Guedes, com o pacote de ações que …
6
O que acontecerá com Lula e outros presos após a decisão do STF?
Por 6 votos a 5, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu mudar o entendimento sobre a prisão de condenados em …
7
03:52
No Brasil, 13,5 milhões de pessoas vivem na pobreza extrema
Dados da última edição da Síntese de Indicadores Sociais do IBGE, que analisa a qualidade de vida da população, mostra …
8
03:58
Por que o câncer do prefeito de SP está cada vez mais comum ?
Diagnosticado com um tumor no sistema digestivo, aos 39 anos, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), apresenta um …