Fuvest 2027: 5 dicas para estudar as obras obrigatórias antes da prova
A primeira fase do Vestibular 2027 da Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest) será aplicada em 1º de novembro. Além dos demais conteúdos previstos no exame, os candidatos devem conhecer nove obras literárias que abordam questões sociais, culturais e políticas de diferentes períodos.
Segundo Daniel Perry, diretor executivo do Sistema Anglo de Ensino, da Cogna Educação, a leitura das obras amplia o repertório e ajuda o candidato a compreender os contextos históricos, sociais e literários explorados pela prova.
“É importante que o candidato leia as obras integralmente e procure compreender seus temas, personagens, linguagem e contexto, em vez de depender apenas de resumos. A Fuvest é uma prova que exige leitura atenta e capacidade de estabelecer relações, e o contato direto com os livros contribui justamente para o desenvolvimento dessas habilidades”, afirma.
A lista da Fuvest 2027 é composta exclusivamente por obras escritas por mulheres. Para Mauricio Soares da Silva Filho, autor de português do Anglo, a seleção contribui para ampliar o estudo de escritoras que receberam menos atenção da crítica ao longo do tempo. “Esse movimento proporcionou uma série de releituras e novos trabalhos sobre essas autoras, muitas delas silenciadas pelo histórico machista da sociedade”, complementa.
Quais são as obras obrigatórias da Fuvest 2027?
A lista de leituras obrigatórias da Fuvest 2027 reúne nove obras de diferentes períodos, gêneros e contextos literários:
- “Opúsculo Humanitário” – Nísia Floresta
- “Nebulosas” – Narcisa Amália
- “Memórias de Martha” – Júlia Lopes de Almeida
- “Caminho de Pedras” – Rachel de Queiroz
- “A Paixão Segundo G.H.” – Clarice Lispector
- “Geografia” – Sophia de Mello Breyner Andresen
- “Balada de Amor ao Vento” – Paulina Chiziane
- “Canção para Ninar Menino Grande” – Conceição Evaristo
- “A Visão das Plantas” – Djaimilia Pereira de Almeida
Como estudar as obras obrigatórias da Fuvest 2027
Diante das obras exigidas pelo vestibular, Mauricio Soares da Silva Filho traz 5 orientações para os candidatos que ainda precisam avançar na preparação:
1. Comece pelas obras de narrativa linear
Obras como “Memórias de Martha”, de Júlia Lopes de Almeida, “Caminho de Pedras”, de Rachel de Queiroz, e “Balada de Amor ao Vento”, de Paulina Chiziane, apresentam narrativas lineares. Por isso, a leitura integral é importante para acompanhar o desenvolvimento da história e compreender o contexto das personagens.
2. Conheça a estrutura e a linguagem de cada obra
Quando o tempo é curto, identificar o estilo de escrita, a estrutura e os temas recorrentes pode facilitar a análise das questões. A estratégia é especialmente útil para as obras líricas “Nebulosas”, de Narcisa Amália, e “Geografia”, de Sophia de Mello Breyner Andresen: o candidato pode selecionar poemas representativos e analisá-los com atenção para compreender as características de cada livro.
3. Estude as autoras
Conhecer a trajetória das escritoras e o contexto histórico e social em que cada obra foi produzida ajuda a interpretar temas e escolhas literárias. A articulação com conteúdos de história, geografia e sociologia também amplia o repertório necessário para a prova.
4. Consuma conteúdos sobre as obras
Resumos, videoaulas e adaptações para o cinema ou o teatro podem complementar a leitura ao apresentar outras interpretações das obras. Esses conteúdos ajudam na revisão, mas devem ser usados como apoio para comparar abordagens e desenvolver uma análise crítica.
“A Paixão Segundo G.H.”, de Clarice Lispector, ganhou uma adaptação para o cinema em 2023, com Maria Fernanda Cândido no papel principal. O filme pode ser utilizado como conteúdo complementar por quem ainda está se familiarizando com a obra.
5. Revise os movimentos literários das obras
Compreender o movimento literário e o período em que cada livro foi publicado ajuda a identificar características estéticas, críticas e questões de contexto. Essa revisão é especialmente útil para quem já concluiu a leitura e deseja aprofundar a interpretação das obras.
Mauricio Soares da Silva Filho também destaca que a leitura deve ser encarada como parte da formação do estudante, e não apenas como uma obrigação do vestibular. “Qual seria a pena de aprender, de desenvolver o hábito da leitura, de aumentar seu vocabulário e de ampliar sua visão de mundo? Os vestibulares prestam uma grande contribuição ao país, exigindo essas listas”, conclui.
Por Laura Ragazzi
