Seu filho está com dificuldade para aprender a ler e escrever? Veja quais sinais merecem atenção

Por EdiCase

A alfabetização é uma das principais etapas da vida escolar e contribui para o desenvolvimento da aprendizagem ao longo dos anos seguintes. No Dia Mundial da Alfabetização, celebrado em 8 de setembro, dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) mostram que 66% dos estudantes brasileiros estavam alfabetizados ao final do 2º ano do ensino fundamental em 2025, percentual acima da meta nacional de 64% estabelecida para o período.

Com esse resultado, 34% dos estudantes avaliados ainda não haviam atingido o padrão nacional de alfabetização esperado para essa etapa. Nesse contexto, acompanhar o desenvolvimento da criança ao longo do processo pode ajudar a identificar possíveis dificuldades e compreender se elas fazem parte do ritmo de aprendizagem ou se exigem maior atenção.

Segundo Thaynara Souza, pedagoga e especialista em gestão e coordenação pedagógica do Colégio Sigma, observar o desenvolvimento da criança ao longo do tempo é mais importante do que analisar uma dificuldade isolada.

“Durante a alfabetização, é esperado que a criança cometa erros, faça trocas de letras e ainda precise de ajuda em algumas atividades. O que merece atenção é quando determinadas dificuldades permanecem por muito tempo, mesmo com os estímulos e intervenções realizados, ou quando começam a impedir que ela avance nas propostas de leitura e escrita”, explica a pedagoga.

Quais sinais merecem atenção?

No início do processo de alfabetização, é comum que as crianças estejam construindo relações entre sons e letras e aprendendo a organizar a escrita. Por isso, erros fazem parte da aprendizagem. A atenção deve estar voltada principalmente para a evolução apresentada pela criança e para a frequência com que determinadas dificuldades aparecem.

Entre os sinais que podem ser observados estão a dificuldade persistente para reconhecer letras e seus sons, a pouca evolução na leitura de palavras simples, a dificuldade para compreender o que acabou de ler e a resistência constante diante de atividades que envolvem leitura e escrita.

“Não existe um único sinal que permita dizer que uma criança está com um problema de aprendizagem. É preciso observar o conjunto e, principalmente, acompanhar se ela está avançando. A comparação com outras crianças da mesma idade também não é o melhor parâmetro, porque cada estudante tem seu próprio ritmo”, afirma a pedagoga do Colégio Sigma.

Como acompanhar a aprendizagem em casa 

A participação dos pais e responsáveis não precisa acontecer por meio de longas sessões de estudo. Atividades simples do cotidiano podem aproximar a criança da leitura e da escrita e ajudar os adultos a acompanhar o desenvolvimento infantil. Ler uma história juntos, pedir que a criança identifique uma palavra conhecida, escrever uma lista de compras ou deixar que ela tente escrever pequenos recados são algumas possibilidades. O objetivo não é transformar a casa em uma sala de aula, mas criar oportunidades de contato com a linguagem.

“É importante que a criança tenha contato com a leitura e a escrita de maneira natural. O adulto pode ler para ela, conversar sobre a história, perguntar o que entendeu e incentivar suas tentativas de escrita. Quando existe cobrança excessiva, a atividade pode deixar de ser prazerosa e passar a ser vista como uma obrigação”, orienta a especialista.

A parceria entre família e escola pode ajudar a compreender dificuldades e pensar em estratégias adequadas para cada estudante (Imagem: Media_Photos | Shutterstock)
A parceria entre família e escola pode ajudar a compreender dificuldades e pensar em estratégias adequadas para cada estudante (Imagem: Media_Photos | Shutterstock)

Família e escola devem atuar em conjunto 

A escola acompanha o estudante de forma contínua e consegue observar como ele responde às diferentes propostas pedagógicas. Por isso, quando os responsáveis percebem uma dificuldade que persiste, a conversa com professores e coordenação pode ajudar a entender o que está acontecendo.

“Família e escola precisam ter essa correlação, muitas vezes, uma dificuldade que parece grande em casa pode estar relacionada a uma habilidade específica que está sendo trabalhada na escola. Quando os adultos compartilham essas observações, fica mais fácil pensar em estratégias adequadas para aquela criança”, destaca Thaynara Souza.

Alfabetização vai além da decodificação 

O processo de alfabetização não termina quando a criança aprende a decodificar palavras. A leitura precisa ganhar fluência e compreensão, enquanto a escrita passa por diferentes etapas até que o estudante consiga produzir textos com cada vez mais autoomia. O próprio Indicador Criança Alfabetizada considera habilidades como a leitura de palavras, frases e textos curtos, além da localização de informações e da capacidade de inferir sentidos. O Inep utiliza como referência o padrão nacional definido a partir da Pesquisa Alfabetiza Brasil.

“Aprender a ler e escrever é um processo. Por isso, mais importante do que esperar que a criança simplesmente alcance determinado resultado, é acompanhar como ela está construindo essas habilidades e oferecer apoio sempre que necessário”, conclui Thaynara Souza.

Por Karina Oliveira