Ex-Malhação Benjamin fala sobre transição sexual: ‘Eu era atriz de mim’

Ele, que antes era conhecido como Bia Damini, fez um relato sobre sua vida e o processo de transição

Por: Redação
Ouça este conteúdo

Bia Damini que fez parte do elenco de Malhação – Toda Forma de Amar até o início deste ano, interpretando a personagem Martinha, anunciou a se chamar Benjamin a partir desta terça-feira, 22, quando fez um desabafo nas redes sociais contando sobre a sua transição sexual.

malhação benjamin transição sexual
Crédito: Reprodução/InstagramEx-Malhação Benjamin fala sobre transição sexual: ‘Eu era atriz de mim’

Em seu Instagram, o ator e cantor dividiu seu momento de felicidade contanto sua trajetória relacionada a transição de gênero. No desabafo, publicado com uma foto sua ainda pequeno, ele divulga um textão sincero sobre as situações que passou até agora.

“Eu sou transexual. E para você que está lendo, isso apenas deve significar que meu nome de verdade é Benjamin e desejo ser tratado no masculino. Eu sou transexual. E nem por isso eu nasci no corpo errado ou odeio minha genitália ou não me amo como sou. Eu sou transexual. E nem por isso vou reproduzir machismo, misoginia e masculinidade tóxica. Eu sou transexual. E nem por isso você tem o direito de especular em cima do meu corpo e da minha existência. Eu sou transexual e essa é a minha história. Nem por isso tudo o que eu disse aqui é uma verdade universal e absoluta. A transexualidade é multipla. A minha transexualidade é uma dentre muitas que estão existindo por aí. Eu sou transexual e tenho orgulho da minha história e da minha existência. Eu sou transexual” escreveu o ator na sequência da foto que postou.

Na legenda da foto, Benjamin contou sua história. “22 de setembro de 2020 12:02. Benjamin quer te contar uma história. Ele sou eu. Nessa foto eu tinha 3 anos. Aos 3, eu acreditava ter nascido no corpo errado e por muitos anos rezei antes de dormir pra acordar no dia seguinte no corpo certo, no corpo de um menino. Aos 4, convenci meus amigos da escola de que eu era um menino disfarçado de menina, mas ninguém além deles poderia saber”, começou o ator.

Apocalypse: A dor e a delícia de ser uma idosa trans no Brasil

Aos 7, quando meus seios começaram a se desenvolver e eu não podia mais brincar na praia sem a parte de cima do biquini, eu chorei. Aos 9, quando eu menstruei, eu também chorei. Foram choros intermitentes que só cessaram depois de dias. Porque eu nasci fêmea, toda fêmea tem que ser menina. Foi isso que sempre me disseram. Então quem sabe seja isso mesmo. Eu sou uma menina e pra sempre vou ser. Mas eu não me sinto menina. Não sei nem ser menina. Não interessa. Aprende. É assim que vai ser. Enxuga essas lágrimas. Engole esse choro. Engole tudo o que te diferencia das outras meninas. Engoli. Comprei sutiã. Sou uma menina”, seguiu.

“Aos 12, comecei com as explosões de agressividade com a minha família e com qualquer colega na escola que me chamava de maria-macho. Aos 13, escrevi uma história de um menino chamado benjamin que sentia demais. Aos 14, veio a primeira depressão. Terapia. Remédios”, continuou.

“Aos 16 arrumei um namorado. Antônio. Antônio não é o nome dele de verdade. Tipo beatriz. Eu controlava até as roupas que o antônio usava. Troca esse shorts porque não tá combinando com a blusa, Antônio. Aliás, não gosto dessa blusa, deixa eu escolher outra. Tadinho do antônio. Antônio foi uma das algumas vítimas das minhas projeções de gênero inconscientes”, explicou Benjamin.

“A verdade é que eu queria poder usar as roupas que o antônio usava. E eu até podia. Mas tinha medo. Aos 18 comecei a namorar Ana. Ana não é o nome dela de verdade. Tipo Beatriz. Mas por 21 anos esse nome fez muito sentido. Atriz. Era isso que eu era. Atriz de mim. Quando ana terminou comigo, eu percebi que eu não sabia quem eu era de fato. Fui buscar”, finalizou o ator.

View this post on Instagram

22 de setembro de 2020 12:02 benjamin quer te contar uma história. ele sou eu. nessa foto eu tinha 3 anos. aos 3 eu acreditava ter nascido no corpo errado e por muitos anos rezei antes de dormir pra acordar no dia seguinte no corpo certo, no corpo de um menino. aos 4 convenci meus amigos da escola de que eu era um menino disfarçado de menina, mas ninguém além deles poderia saber. aos 7 quando meus seios começaram a se desenvolver e eu não podia mais brincar na praia sem a parte de cima do biquini eu chorei. aos 9 quando eu menstruei eu também chorei. foram choros intermitentes que só cessaram depois de dias. porque eu nasci fêmea toda fêmea tem que ser menina. foi isso que sempre me disseram. então quem sabe seja isso mesmo. eu sou uma menina e pra sempre vou ser. mas eu não me sinto menina. não sei nem ser menina. não interessa. aprende. é assim que vai ser. enxuga essas lágrimas. engole esse choro. engole tudo o que te diferencia das outras meninas. engoli. comprei sutiã. sou uma menina. aos 12 comecei com as explosões de agressividade com a minha família e com qualquer colega na escola que me chamava de maria-macho. aos 13 escrevi uma história de um menino chamado benjamin que sentia demais. aos 14 veio a primeira depressão. terapia. remédios. aos 16 arrumei um namorado. antônio. antônio não é o nome dele de verdade. tipo beatriz. eu controlava até as roupas que o antônio usava. troca esse shorts porque não tá combinando com a blusa, antônio. aliás, não gosto dessa blusa, deixa eu escolher outra. tadinho do antônio. antônio foi uma das algumas vítimas das minhas projeções de gênero inconscientes. a verdade é que eu queria poder usar as roupas que o antônio usava. e eu até podia. mas tinha medo. aos 18 comecei a namorar ana. ana não é o nome dela de verdade. tipo beatriz. mas por 21 anos esse nome fez muito sentido. atriz. era isso que eu era. atriz de mim. quando ana terminou comigo eu percebi que eu não sabia quem eu era de fato. fui buscar. (continua nos comentários)

A post shared by BENJAMÍN (@benjamindamini) on