Livros que viram brinquedos aproximam crianças das histórias em meio ao excesso de telas

Por EdiCase

As telas fazem parte da rotina de muitas famílias, mas encontrar espaço para brincadeiras, leitura e convivência continua sendo importante para o desenvolvimento infantil. Nesse cenário, livros com personagens que se movimentam, texturas e peças para manipular oferecem às crianças uma maneira de participar das histórias, explorando o conteúdo também por meio da brincadeira.

A preocupação não está apenas no tempo diante dos dispositivos, mas também nas experiências que podem acabar ficando de lado. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) apresenta recomendações para o uso de telas de acordo com a faixa etária e destaca a importância da supervisão dos responsáveis. O guia sobre o uso de telas por crianças e adolescentes, do Governo Federal, aborda como o contexto de uso dos dispositivos pode interferir nas interações com cuidadores e na exploração do ambiente.

O relatório internacional Childhood in a Digital World, publicado pelo UNICEF Innocenti em 2025, também contribui para uma discussão que vai além da oposição entre telas e brincadeiras: os efeitos das tecnologias dependem de fatores como o tipo de uso, o conteúdo acessado e as experiências oferecidas às crianças.

Quando brincar também é aprender

Brincar é uma das formas pelas quais as crianças conhecem o mundo e desenvolvem diferentes habilidades. Durante essas experiências, elas experimentam possibilidades, criam situações imaginárias, resolvem pequenos desafios e aprendem a interagir com outras pessoas.

“Durante as brincadeiras, a criança desenvolve linguagem, criatividade, memória, atenção e habilidades motoras. Ao imaginar situações, construir objetos e resolver pequenos desafios, também exercita funções executivas importantes, como planejamento, flexibilidade cognitiva e autorregulação”, explica a Dra. Renata Castro, pediatra e neonatologista.

Não é necessário ter brinquedos elaborados para estimular esse processo. Objetos simples, histórias inventadas e momentos de brincadeira com os adultos podem abrir espaço para a curiosidade e a imaginação.

Ao manusear o livro, a criança deixa de apenas acompanhar a narrativa (Imagem: Rawpixel.com | Shutterstock)
Ao manusear o livro, a criança deixa de apenas acompanhar a narrativa (Imagem: Rawpixel.com | Shutterstock)

Livros que convidam a participar da história

Os livros interativos aproximam a leitura da experiência de brincar. Ao tocar diferentes texturas, movimentar personagens ou manusear peças, a criança deixa de apenas acompanhar a narrativa e passa a explorar a história de maneira concreta.

“Quando a criança manipula objetos, movimenta personagens ou cria diferentes desfechos, ela precisa mobilizar habilidades motoras, linguagem, memória, imaginação e resolução de problemas”, explica a Dra. Renata Castro.

Esse tipo de experiência também pode ajudar a estabelecer relações entre palavras, imagens e objetos, além de incentivar a criação de novas histórias a partir do que foi apresentado no livro. A proposta é que a leitura seja um convite à descoberta, e não uma obrigação ou atividade com respostas certas.

A diretora da Editora Catapulta, Carmen Pareras, também destaca o interesse das famílias por livros que dialogam com as diferentes fases da infância. “A busca por obras que abordam emoções, situações reais e comportamentos positivos cresce entre pais e educadores interessados em apresentar o mundo às crianças de forma alinhada às suas fases de desenvolvimento. Nas prateleiras, já se nota um movimento claro: títulos que estimulam sensibilidade, criatividade e confiança ganham espaço e passam a integrar cada vez mais as escolhas das famílias”, afirma.

Carmen Pareras recomenda aos pais conhecerem juntos dos seus filhos a coleção LEGO® Pets de Mesa, que combina livros de atividades com peças LEGO®, moldes de papel e adesivos, oferecendo uma proposta que une leitura, criatividade e brincadeira.

Como equilibrar telas, livros e brincadeiras

O objetivo não precisa ser eliminar toda experiência digital, mas garantir que ela não ocupe o espaço de outras atividades importantes para a infância. “Estar atento à qualidade do conteúdo, à faixa etária e os adultos responsáveis serem participativos faz diferença na forma como as crianças usam a tecnologia”, revela a pediatra e neonatologista.

Na rotina, alternar momentos de uso de telas com leitura, brincadeiras livres, atividades ao ar livre e convivência com a família ajuda a ampliar as oportunidades de exploração. O adulto pode participar sem precisar conduzir cada etapa: ouvir a criança, acompanhar suas descobertas e dar espaço para que ela invente suas próprias brincadeiras já são formas de envolvimento.

Como aproximar livros e brincadeiras da rotina

Criar um momento de leitura não precisa exigir muito tempo nem seguir um roteiro rígido. Deixar a criança escolher o livro, reler uma história de que gosta, conversar sobre as ilustrações e imaginar outros finais são maneiras de tornar a experiência mais envolvente.

“O mais importante é que a criança descubra o livro como uma fonte de prazer, imaginação e descoberta, e não apenas como uma atividade escolar”, finaliza a Dra. Renata Castro.

Por Denise Bispo