Parece IA? Veja como descobrir se uma imagem foi gerada por inteligência artificial

Por EdiCase

Uma foto perfeita nem sempre retrata um momento que realmente aconteceu. Com a evolução das ferramentas de inteligência artificial generativa (IA), imagens sintéticas estão cada vez mais convincentes e depender apenas da percepção visual pode não ser suficiente para descobrir o que é real.

Para Igor Baliberdin, designer estratégico e fundador da LOOOP, com mais de 20 anos de experiência na interseção entre design, negócios e tecnologia, a principal mudança é entender que não existe mais um único “erro de IA” capaz de denunciar uma imagem. “A tecnologia evoluiu muito. Hoje, procurar apenas uma mão estranha ou uma palavra escrita de forma errada pode funcionar em alguns casos, mas não é uma estratégia confiável. O mais importante é desenvolver um olhar investigativo e combinar diferentes sinais”, explica.

Segundo o especialista, alguns cuidados podem ajudar a avaliar uma imagem antes de acreditar ou compartilhar. Confira, abaixo, algumas dicas!

1. Observe mãos, olhos, dentes e detalhes

Partes do corpo continuam sendo bons pontos de observação, principalmente quando aparecem em situações complexas. Mãos com dedos desproporcionais, acessórios que parecem se fundir à pele, dentes excessivamente uniformes ou olhos com reflexos incompatíveis podem indicar uma geração artificial.

“Não significa que qualquer detalhe estranho seja prova de IA. Uma fotografia real também pode ter distorções, desfoque ou problemas de iluminação. O ponto é observar se existem várias pequenas inconsistências acontecendo ao mesmo tempo”, afirma Igor Baliberdin.

2. Amplie a imagem e procure inconsistências

Uma imagem pode parecer completamente natural quando vista rapidamente no celular, mas revelar problemas ao ser ampliada. Texturas de pele, fios de cabelo, bordas de objetos, estampas, letras e elementos no fundo merecem atenção.

“É interessante olhar para aquilo que normalmente ignoramos. A IA pode acertar muito bem o elemento principal e ainda apresentar pequenas inconsistências nas relações entre os objetos. O problema está muitas vezes no detalhe, não no centro da imagem”, explica o designer.

A relação entre luz, sombras e reflexos ajuda a avaliar a coerência de uma imagem (Imagem: fizkes | Shutterstock)
A relação entre luz, sombras e reflexos ajuda a avaliar a coerência de uma imagem (Imagem: fizkes | Shutterstock)

3. Analise luz, sombras e reflexos

A iluminação também pode entregar uma imagem sintética. Observe se a direção da luz faz sentido, se as sombras acompanham os objetos e se os reflexos em espelhos, vidros ou superfícies metálicas correspondem ao que está acontecendo na cena.

“Uma fotografia é resultado de uma série de relações físicas: luz, distância, perspectiva, profundidade, reflexo. Quando alguma dessas relações não fecha, temos um sinal para investigar melhor”, orienta o especialista.

4. Desconfie de textos e objetos com aparência “quase certa”

Placas, embalagens, telas, documentos e letreiros são outros pontos importantes. Mesmo quando a IA produz frases visualmente convincentes, pequenos elementos podem apresentar caracteres estranhos, palavras sem sentido ou informações que não correspondem ao contexto.

“É aquele tipo de imagem que parece correta à primeira vista, mas, quando você lê o que está escrito, percebe que alguma coisa não faz sentido. A informação visual precisa ser analisada com a informação que ela pretende transmitir”, afirma Igor Baliberdin.

5. Investigue de onde a imagem veio

Talvez esse seja um dos passos mais importantes. Antes de perguntar apenas “parece IA?”, vale perguntar: quem publicou? Quando? Em qual contexto? Existe a imagem original? Outros veículos ou perfis confiáveis publicaram a mesma cena? A busca reversa também pode ajudar a descobrir a origem da fotografia e identificar quando ela começou a circular.

Para Igor Baliberdin, essa mudança de comportamento é fundamental. “A origem da imagem muitas vezes diz mais do que a própria imagem. Uma fotografia sem contexto, recebida em um grupo ou republicada por um perfil desconhecido, merece um nível maior de verificação”, completa.

6. Não confie apenas no próprio olhar

Mesmo uma imagem que parece convincente merece ser analisada com cuidado. Quando houver potencial de causar impacto, especialmente em notícias, saúde, segurança ou denúncias, vale combinar a observação visual com a busca pela origem e a confirmação em fontes confiáveis.

“Quanto mais convincente a imagem, menos sentido faz confiar somente na intuição. A pergunta não deveria ser ‘eu consigo perceber que isso é IA?’, mas ‘quais evidências eu tenho de que essa imagem é verdadeira?’”, afirma Igor Baliberdin.

O novo letramento é aprender a desconfiar sem deixar de enxergar 

A evolução da IA generativa está mudando não apenas a produção de imagens, mas também a relação das pessoas com aquilo que veem. Pesquisa da Gartner divulgada em junho de 2026 apontou que 49% dos consumidores americanos acreditam que a IA generativa tornou pior a qualidade do conteúdo disponível, percentual que chega a 57% entre Gen Z e millennials.

Para Igor Baliberdin, o caminho não é assumir que toda imagem pode ser falsa, mas desenvolver uma postura mais crítica diante do conteúdo digital. “Estamos entrando em uma realidade em que ver não será mais suficiente para acreditar. Isso não significa desconfiar de tudo, mas entender que imagens precisam ser contextualizadas. O olhar do futuro não é apenas o olhar de quem enxerga uma boa fotografia, mas de quem consegue questionar a origem, a coerência e a intenção por trás dela”, conclui o designer.

Por Maria Rossi