10 jogos da Amazônia Legal que se destacaram na Headscon

Dez jogos de cinco estados da Amazônia Legal foram apresentados na Headscon Acre, com seis categorias de premiação e destaque para os vencedores.

A produção independente de games na Amazônia Legal reúne projetos de diferentes gêneros e propostas, passando por terror, aventura, ação, educação e experiências experimentais. Dez desses jogos foram apresentados na Headscon Acre, durante a ExpoAcre, colocando desenvolvedores de cinco estados em contato com o público e dando visibilidade a uma produção que ainda busca maior espaço no mercado nacional.

A seleção também contou com uma disputa em seis categorias: Melhor Jogo pelo Júri Técnico, Melhor Jogo pelo voto popular, Melhor Arte, Melhor Áudio, Melhor Jogo com Temática Amazônica e Melhor Demo/Protótipo. Os vencedores receberam incentivos financeiros, e os dois projetos escolhidos como melhores jogos também ganharam apoio para participar da Gamescom, na Alemanha, em 2027.

Jogos apresentados durante a Headscon Acre 2026, com projetos de diferentes estados da Amazônia Legal.
Jogos apresentados durante a Headscon Acre 2026, com projetos de diferentes estados da Amazônia Legal. - Divulgação/Headscon Acre.

Os vencedores da Headscon Acre

Crianças Crescidas — Melhor Jogo pelo voto popular

Desenvolvido pela KGame, do Acre, Crianças Crescidas é uma releitura de Alice no País das Maravilhas que aposta em uma experiência de plataforma mais contemplativa.

O jogo troca a precisão tradicional do gênero pelo foco na atmosfera e na narrativa. Inspirado pelo universo de Lewis Carroll, o projeto aborda o amadurecimento a partir de elementos filosóficos e psicológicos, recuperando o imaginário da infância sob a perspectiva de quem já chegou à vida adulta.

O título foi escolhido pelo público como Melhor Jogo, recebendo R$ 21,5 mil em incentivo financeiro e apoio para estar presente na Gamescom Alemanha 2027.

Ball Champ — Melhor Jogo pelo Júri Técnico

Do Pará, o Toró Studios levou o prêmio de Melhor Jogo pelo Júri Técnico com Ball Champ, uma mistura pouco convencional de futebol de rua, beat’em up e roguelike.

Na história, a equipe Ball Champ precisa enfrentar demônios para salvar a felicidade do mundo. Para isso, a bola de futebol se transforma na principal arma do jogador, que precisa dominar dribles e chutes para enfrentar as hordas de inimigos.

O projeto recebeu R$ 21,5 mil e também ganhou apoio para participação na Gamescom Alemanha 2027.

A Floresta Tem Boca — Melhor Jogo com Temática Amazônica

O B.C.T Studio, do Acre, venceu a categoria de Melhor Jogo com Temática Amazônica com A Floresta Tem Boca.

O survival horror coloca o jogador dentro da Floresta Amazônica, onde é preciso encontrar totens e escapar com vida enquanto o Mapinguari percorre a mata em busca da vítima.

A experiência aposta no suspense psicológico e na ambientação amazônica, utilizando elementos da encantaria e do folclore brasileiro para construir a ameaça.

O projeto recebeu R$ 3,5 mil em incentivo.

Valsa das Macaúbas — Melhor Áudio

Representando o Tocantins, a Trinity Wave Studios venceu a categoria de Melhor Áudio com Valsa das Macaúbas.

O jogo combina horror psicológico e realismo fantástico em uma aventura investigativa em terceira pessoa. O jogador explora cenários, investiga mistérios e toma decisões que podem alterar o desenvolvimento da história.

A proposta recupera elementos dos adventures dos anos 2000, incluindo a ausência de dicas e de uma interface tradicional. A exploração depende inclusive de um mapa físico integrado ao universo do jogo.

O prêmio garantiu ao projeto um incentivo de R$ 3,5 mil.

Tiny Memory — Melhor Arte

O Amazonas foi representado pelo Salazar Studio, vencedor da categoria de Melhor Arte com Tiny Memory.

O jogo transforma a tradicional mecânica de memória em um sistema de combate. Durante as batalhas, encontrar pares de cartas permite executar ataques, defesas ou recuperar a vida do personagem. Errar, por outro lado, significa sofrer dano.

Conforme o jogador avança, o tabuleiro recebe novas cartas e aumenta o nível de dificuldade. A proposta combina estratégia, sorte e raciocínio rápido em uma estrutura de partidas dinâmicas.

O projeto recebeu R$ 3,5 mil pelo prêmio.

WTF: Wheels Tires and Flesh — Melhor Demo/Protótipo

Também do Amazonas, o Sardinhas Studios venceu a categoria de Melhor Demo/Protótipo com WTF: Wheels Tires and Flesh.

O jogo mistura bullet heaven, combate veicular e hordas de zumbis em uma experiência marcada pela velocidade e pelo humor. O jogador precisa criar combinações de armas cada vez mais poderosas enquanto enfrenta ondas de inimigos.

Um dos elementos de destaque é o contraste entre a ação caótica dos veículos e uma trilha sonora de música clássica, que ganha intensidade conforme a partida avança.

O prêmio concedeu R$ 3,5 mil ao projeto.

Outros jogos que chamaram atenção

Além dos vencedores, outros quatro projetos completaram a seleção apresentada na Headscon e mostram a variedade da produção independente na região.

Blissaster: O Apocalipse Finalmente Chegou — Amapá

Desenvolvido pela Rat in a Cup, Blissaster combina tower defense, bullet hell e roguelite em um jogo 2D com visão de cima para baixo.

O jogador controla Larry, responsável por proteger uma torre central enquanto enfrenta hordas de infectados. Para sobreviver, é necessário combinar armas, itens, armadilhas e estratégias de defesa.

O jogo aposta em uma abordagem acessível da estratégia e em um visual que remete a clássicos como Plants vs. Zombies.

Molar, o Vampiro Vegano — Acre

Criado pela contoconto, Molar, o Vampiro Vegano utiliza os games como ferramenta de educação alimentar.

Voltado para crianças a partir de quatro anos, o jogo acompanha um vampiro que prefere frutas e vegetais ao sangue. A aventura em plataforma apresenta uma proposta educativa baseada no incentivo à alimentação saudável.

O projeto foi testado na Creche Jacamim, no Acre, e, segundo o material da produção, apresentou forte envolvimento das crianças com o personagem e suas mecânicas.

KYRO — Pará

O Chuva Studio, do Pará, apresenta KYRO, uma aventura em pixel art com visão top-down inspirada nos jogos dos anos 1980.

O protagonista Aiden precisa ajudar a Ilha de Ka’a, último pedaço de um mundo ameaçado por um buraco negro. Armado com um estilingue, o personagem enfrenta desafios baseados na precisão e na exploração.

A aventura combina ação, suspense e uma narrativa voltada para temas como coragem, empatia e altruísmo.

Rural Watch — Acre

Fechando a seleção está Rural Watch, da 68 Studios, também do Acre.

Inspirado em I’m on Observation Duty e Five Nights at Freddy’s, o jogo coloca o jogador como um vigilante noturno que precisa monitorar câmeras e identificar anomalias em uma propriedade rural.

As alterações podem ser pequenas, como objetos fora do lugar e portas abertas, ou assumir formas sobrenaturais. A proposta combina o suspense do gênero com uma ambientação rural mais aconchegante e uma interface acessível para quem está entrando nesse tipo de jogo.

Uma cena independente que ganha espaço

Os dez projetos apresentados na Headscon mostram que a produção de games na Amazônia Legal não se limita a um único gênero ou proposta. Há espaço para jogos de terror baseados no folclore brasileiro, aventuras contemplativas, experiências educativas, jogos de ação e projetos que experimentam novas formas de combinar mecânicas conhecidas.

Ao colocar esses desenvolvedores em contato com público, premiações e oportunidades de projeção internacional, a Headscon também funciona como uma vitrine para uma cena independente que ainda tem muito espaço para crescer.

No fim, os vencedores mostram que existe uma produção diversa acontecendo longe dos polos tradicionais da indústria — e que a Amazônia Legal também tem seus próprios estúdios, personagens e histórias para colocar no mapa dos games brasileiros.