BLUE LOCK mostra que é possível adaptar mangás para o live-action com fidelidade
Filme arrecadou cerca de 1 bilhão de ienes no Japão em menos de um mês e chega aos cinemas brasileiros em 10 de setembro

Uma das obras que mais conquistaram o público nos últimos anos, BLUE LOCK chegou aos cinemas japoneses em uma adaptação live-action que procura reproduzir com fidelidade a história original. O filme, produzido pelo estúdio Credeus e dirigido por Yusuke Taki (O País de Tanabata), é uma parceria entre Toho e Kodansha.
Lançado em agosto no Japão, o longa chega aos cinemas brasileiros em 10 de setembro, com distribuição da Sato Company. No Japão, o filme arrecadou cerca de 1 bilhão de ienes em bilheteria em menos de um mês em cartaz.
Criado por Muneyuki Kaneshiro e ilustrado por Yusuke Nomura, BLUE LOCK começou a ser publicado em 2018 pela Kodansha, com publicação da Panini no Brasil. A obra ganhou uma adaptação em anime em 2022, ano da Copa do Mundo
A convite da PikaBoom, uma das agências responsáveis pelo licenciamento da propriedade intelectual de BLUE LOCK para produtos oficiais, e da Sato Company, acompanhei a pré-estreia do filme. E, para quem conhece o mangá e o anime, a principal surpresa está justamente na maneira como a produção consegue transportar a história para o live-action.

O enredo, com spoilers
O filme começa de maneira semelhante à obra original. Yoichi Isagi disputa uma partida pela equipe de seu colégio, em Saitama, em busca de uma vaga no Campeonato Nacional. Após a derrota, ele recebe em casa uma convocação da Federação Japonesa de Futebol para participar do Projeto Blue Lock, ao lado de outros 299 jovens jogadores.
O projeto surge após a eliminação frustrante da Seleção Japonesa na Copa do Mundo de 2018. Liderado por Jinpachi Ego, o Blue Lock tem como objetivo encontrar, entre os 300 atletas convocados, um atacante capaz de levar o Japão ao topo do futebol mundial.
Para Ego, não basta ser um jogador habilidoso. O atacante ideal precisa ter egoísmo para assumir o protagonismo, ambição para buscar o gol e, acima de tudo, uma vontade incontrolável de vencer.
Entre os convocados está Ryōsuke Kira, adversário de Isagi na disputa por uma vaga no Campeonato Nacional e conhecido como a “Joia do Japão”. Os dois rapidamente criam uma relação de amizade, impulsionada pela personalidade gentil e educada de Kira.
Essa relação muda quando Isagi começa a incorporar os ideais de Ego.
Durante o primeiro estágio eliminatório do Blue Lock, os jogadores participam de uma espécie de pega-pega com uma bola. Nos últimos segundos da partida, Isagi elimina Kira, colocando fim às chances do jovem jogador de disputar uma Copa do Mundo pelo Japão.
A eliminação provoca um momento de choque em Isagi, mas ele não recua diante da decisão. Pelo contrário: a experiência marca o despertar de seu lado mais egoísta e competitivo.
Ao longo do projeto, Isagi passa a contar com jogadores como Meguru Bachira, Rensuke Kunigami e Hyōma Chigiri, formando o Time Z e tentando levá-lo às melhores posições dentro do Blue Lock.
O que muda em relação ao anime?
A adaptação cobre aproximadamente a primeira metade da primeira temporada do anime. Naturalmente, algumas características visuais da animação precisaram ser deixadas de lado na transposição para o live-action.
Sem os exageros visuais do anime, o filme aposta em uma abordagem mais realista para os personagens e para as partidas. A computação gráfica, porém, ajuda a manter parte da identidade visual de BLUE LOCK sem tentar reproduzir literalmente os efeitos da animação.
É justamente nesse equilíbrio que a produção funciona melhor: o filme não tenta simplesmente reproduzir cada elemento do anime, mas procura adaptar sua estética para uma linguagem cinematográfica.
O elenco
A escolha do elenco também é um dos pontos fortes da produção.
Um dos maiores destaques é Kaito Sakurai, intérprete de Meguru Bachira. Antes de BLUE LOCK, o ator interpretou Aqua Hoshino no live-action de Oshi no Ko, personagem de personalidade muito mais fria e calculista.
Em Bachira, Sakurai assume uma postura completamente diferente e consegue reproduzir a energia e a personalidade extravagante do personagem.
O elenco ainda conta com Fumiya Takahashi como Yoichi Isagi, Masataka Kubota como Jinpachi Ego, Kyohei Takahashi como Hyōma Chigiri e Koga Yudai, integrante do grupo &TEAM, no papel de Seishiro Nagi.
A distribuição de BLUE LOCK no Brasil
No Brasil, o filme chega aos cinemas pela Sato Company. A estreia estava inicialmente prevista para agosto, próxima ao lançamento japonês, mas precisou ser adiada.
Segundo comunicado de Victor Sato nas redes sociais da distribuidora, o adiamento ocorreu devido ao prazo necessário para o envio do filme em sua versão final à Ancine e para a definição da classificação indicativa.
A campanha brasileira também contou com a participação da PikaBoom, responsável pelo licenciamento da propriedade intelectual para empresas como Lojanime, de vestuário, e Grupo Dermiwil, de mochilas e materiais escolares, além da Panini, responsável pela publicação do mangá no Brasil.

Durante a pré-estreia, PikaBoom e Panini realizaram sorteios para a plateia convidada. Entre os prêmios estavam mochilas do Grupo Dermiwil e uma ecobag da Planet Mangás, selo da Panini, acompanhada de um pôster do filme e dos três primeiros volumes do mangá.
Ado também participa do filme
O filme também conta com uma colaboração com a cantora Ado, responsável pela música-tema “MONSTRUO”.
A faixa já está disponível no Spotify.
Afinal, BLUE LOCK funciona como live-action?
Sim.
O principal mérito do filme está justamente em entender o que precisa ser preservado na adaptação. A produção acompanha de perto a trama original e consegue transportar personagens e situações do mangá para o cinema sem depender completamente dos recursos visuais característicos do anime.
Isso faz com que o longa possa funcionar tanto para quem já acompanha BLUE LOCK quanto para quem está tendo o primeiro contato com a história.
Para os fãs, a fidelidade à trama e a caracterização dos personagens são os maiores atrativos. Para quem chega agora, o filme apresenta uma história relativamente direta, centrada na competição entre os jogadores e na filosofia de Jinpachi Ego.
No Brasil, porém, existem algumas limitações. O filme chega sem dublagem e, até o momento da pré-estreia, as sessões confirmadas estavam concentradas em cinemas selecionados da rede Kinoplex.
Ainda assim, fica a expectativa de que a distribuição possa ser ampliada ou que o filme posteriormente chegue ao streaming, eventualmente com uma versão dublada.
No fim, BLUE LOCK prova que adaptar um mangá para o live-action não precisa significar abandonar aquilo que fez a obra original funcionar. Quando a produção entende seus personagens, sua história e sua identidade visual, é possível fazer a transição para outra linguagem sem perder sua essência.