Das noites de gameplay ao mundial: Conheça o “time de amigos” que conquistou o LATAM e agora irá representar o Brasil no mundial de Ragnarok

O mundial de Ragnarok começará em 7 de novembro

Após 13 anos, o Brasil está de volta ao Mundial de 7×7 de Ragnarok. E estamos voltando com um dos times mais qualificados que poderíamos enviar para nos representar. Mais do que apenas bons jogadores que se juntaram com o intuito de competir, estamos falando de um grupo de amigos que se conheceram por causa do Ragnarok, montaram uma guilda por diversão e acabaram conquistando o LATAM, garantindo, consequentemente, a vaga para representar o Brasil no Mundial da modalidade 7×7.

A redação do Futuro Geek realizou, com exclusividade, uma entrevista com o time, que nos contou como o Ragnarok deixou de ser apenas um hobby e passou a ser levado a sério. Também conhecemos a rotina de treinos, as composições, como a modalidade funciona e quais são as expectativas de cada um para o torneio, que terá início no dia 7 de novembro.

Um dos pontos que mais chama a atenção nesse grupo, formado por Caduz, Fatal, Bladin, Jooezin, Dudols, Hik, Wind e Artiq, é o tempo que estão juntos. São 12 anos jogando todos os dias e, inclusive, participando da vida e do crescimento uns dos outros ao longo desse processo. Esse ponto, segundo os próprios jogadores, foi muito importante para que chegassem onde chegaram e também será um dos motivos que os levarão ainda mais longe: ao sonhado posto de melhores do mundo.

Elenco da Villains, representante do Brasil no mundial de Ragnarok 7×7
Elenco da Villains, representante do Brasil no mundial de Ragnarok 7×7 - Reprodução/Gravity Brasil

 Ter conseguido chegar até aqui, com esse time, com essas pessoas, torna tudo muito mais especial.

Dudols, capitão e criador da guilda

Modalidade 7×7 e composições

A modalidade do Ragnarok 7×7 tem um conceito bastante simples, porém divertido. Podemos resumir dizendo que o objetivo é eliminar os adversários. São 7 jogadores de cada lado, e o time que chegar a zero aliados primeiro perde. Os times são livres para escolher quaisquer personagens que quiserem, tendo como única restrição não repetir nenhuma classe por composição.

Para entendermos mais sobre as composições que nossos representantes utilizam, Jooezin, arcebispo do time, nos explicou quais são as classes de cada um dos integrantes e suas funções durante as partidas. “Atualmente a nossa composição principal funciona da seguinte forma: Eu jogo de arcebispo, tenho que impedir que meu time sofra com debuffs e que fiquem tranquilos sem status negativos; temos o feiticeiro que é o Dudols, ele fica encarregado de controlar o terreno; o Caduz é o renegado, a função dele é aplicar os debuffs no time adversário; nosso guardião real é o Wind, ele é responsável por segurar todo o dano da nossa equipe; Hik é o nosso shura, e além de causar debuffs no outro time, também consegue matar bastante; e para fechar temos o Bladin, que é o nosso trovador, e o Fatal, que é nosso sicário, ambos têm a função de causar muito dano, mas o trovador também pode causar debuffs”.

“A nossa estratégia consiste em aplicar debuffs e abrir espaços para matar os adversários. Caso consigamos, já começamos a buscar o snowball de 7×6, 7×5… Claro que pode ser que tenhamos baixas no caminho, mas o importante é derrotarmos toda a equipe inimiga. Temos o Fatal, por exemplo, que é um dos poucos players no mundo que sabe jogar bem de arcano, e poucos times no mundo tem jogadores que jogam como ele, então aproveitamos dessa vantagem e tentamos jogar ao redor desse personagem que é muito forte”, completou.

Bladin, DPS e atual MVP do LATAM, continuou explicando sobre os metas que enfrentarão no Mundial e como eles se diferenciam do que é jogado aqui no Brasil. “A diferença entre os metas que nós jogamos com o que eles jogam é que lá é mais lento, as coisas acontecem mais devagar do que aqui. Então eu acredito que vamos precisar ser mais cirúrgicos nas plays, não podemos bobear. Nós temos o nosso próprio estilo de jogo. Não sei se algum time no mundo já viu um WL tão forte quanto ao do Fatal, por exemplo. Então vamos manter o nosso jogo e acredito que isso vai ser uma grande surpresa para eles. Nossa ideia é chocar os caras. É o nosso primeiro ano, mas a gente vai ser o bicho papão deles”.

Bladin, MVP do LATAM
Bladin, MVP do LATAM - Reprodução/Gravity Brasil

O que podemos esperar do mundial?

Agora que já conhecemos a modalidade, passamos a discutir sobre o Mundial e quais seriam os maiores obstáculos que podemos encontrar no caminho até o sonhado título. O consenso geral foi de que o representante da Tailândia é o time a ser batido. Vale lembrar que os tailandeses conquistaram os últimos 3 Mundiais consecutivamente.

“Olha, sem sombra de dúvidas, hoje o time a ser batido é o da Tailândia, eles têm uma hegemonia… Nos últimos 3 campeonatos, ganharam os 3. Então com certeza eles são o time mais difícil. Mas apesar de ser um time muito forte, ter a torcida local a seu favor, eu tenho total confiança na nossa equipe e temos sim potencial para vencer deles”, afirmou Jooezin.

Ainda sobre o assunto, Bladin completou dizendo que a Coreia do Sul e Taiwan chegam fortes para o Mundial. “Além da Tailândia, as equipes da Coreia do Sul e Taiwan também são muito fortes, acho que são as cascas mais grossas. Mas nós vimos os vods deles juntos, bolamos algumas estratégias, e estamos bem confiantes”.

O capitão da equipe, Dudols, continuou o assunto falando sobre como os times de fora enxergam o Brasil e como essa desconfiança gera uma motivação ainda maior para mostrarem que somos uma das principais regiões do mundo. “O pessoal lá de fora não está colocando muita fé em nós. O ponto é que nós também não colocamos muita fé neles. Nós assistimos os vods, vemos eles jogando… Eu tenho a crença de que os times que jogamos contra aqui no Brasil foram mais difíceis do que os times que encontraremos lá fora. Eu acho que a maior dificuldade que vamos ter na Tailândia vai ser o jet lag. Pois vamos ter pouco tempo para nos adaptarmos às coisas”.

O time da Tailândia só ganhou os últimos 3 mundiais porque nós não estávamos lá.

Dudols

Dudols, capitão da Villains
Dudols, capitão da Villains - Reprodução/Gravity Brasil

Conversamos também sobre qual seria o nosso grande diferencial em relação aos times que enfrentaremos no Mundial, e a resposta foi unânime. Além de o representante brasileiro ter ótimas peças individualmente e mecanicamente falando, o time tem um grupo muito unido e que está formado há bastante tempo. Na opinião do capitão Dudols, responsável por coordenar e comandar os jogadores dentro de jogo, essa é uma das principais armas da equipe.

“É um grupo muito unido, todos nós discutimos as coisas juntos, todos nós nos cobramos, e todos os dias estamos juntos conversando, debatendo e treinando. Acredito que o nosso entrosamento facilita demais em coordenar o time. A gente joga junto há muitos anos, então tem coisas que nem precisamos pedir que já fazemos automaticamente, sabe?”

“Nós sempre prezamos por manter a nossa base unida. Mesmo que tivesse um jogador aqui ou ali se destacando, sempre batemos o pé em manter o nosso time unido e melhorarmos. Nós conversamos muito, debatemos e nos cobramos para nós mesmos evoluirmos”, concluiu.

Bladin seguiu a mesma opinião de Dudols e comentou sobre a importância do entrosamento do elenco para que suas jogadas sejam efetivas. “A maior dificuldade de jogar na minha função é conseguir executar as microplays, e eu dependo sempre de outro aliado para conseguir fazer essas jogadas. Então a grande dificuldade é em mantermos tudo muito sincronizado durante as partidas para fazermos as plays acontecerem. O nosso entrosamento não vem de hoje. Estamos a 12 anos jogando juntos, e construímos a nossa sincronia assim. A gente treinou bastante, dias e dias… Então a sincronia veio com o tempo”.

Ainda sobre o tema, quando questionado sobre quem será o MVP do Mundial, Jooezin disse que acredita que Caduz será o destaque da edição. “Nós temos o atual MVP do Ragnarok LATAM no nosso time, que foi o Bladin, mas eu acho que uma pessoa que vai surpreender bastante no mundial e que eles não vão estar esperando nada vai ser o nosso renegado Caduz”.

Esta será a primeira vez que os jogadores irão jogar presencialmente, e o que para muitos seria um ponto de atenção, para os brasileiros está gerando uma motivação a mais dentro do elenco. “Vai ser muito gostoso jogar presencialmente. O cara a cara vai ser diferente, ainda mais por ser fora de casa. Eu tenho muita convicção de que vamos ganhar. Os tailandeses podem fazer o que for, nós estamos muito centrados e a gente vai conseguir sim”, comentou o capitão.

E, mantendo a mesma linha, Bladin concordou com o feiticeiro do time e acrescentou que a diferença climática e cultural pode atrapalhar, mas que vencer, na casa dos adversários, tornaria tudo ainda mais prazeroso.

Retorno do Brasil para o mundial e campanha nas classificatórias

O Brasil passou 13 longos anos longe dos palcos mundiais do Ragnarok. O retorno tem sido uma das principais motivações para os jogadores. Segundo Jooezin, a mescla entre conhecermos bem o jogo deles e estarmos sendo subestimados faz com que o Brasil seja uma das grandes potências do mundo.

“A nossa modalidade está retornando agora para o mundial. O Brasil não participa de um mundial de 7×7 desde 2013, e vamos retornar agora em 2026. São 13 anos desse hiato sem nós. Os outros países continuaram disputando, mas será a nossa primeira vez em muito tempo. Tá todo mundo muito ansioso, o Brasil vai retornar agora para o mundial, e nós temos total convicção de que podemos trazer esse título. Já treinamos, já fizemos screens contra outras seleções e sabemos do nosso potencial. O Brasil é muito forte nessa modalidade e eu tenho certeza de que nós somos uma das cabeças para ganhar esse título”.

Jooezin, Arcebispo da Villains
Jooezin, Arcebispo da Villains - Reprodução/Gravity Brasil

No 7×7, que é o que nós jogamos, somos os primeiros a ir, e eu tenho total convicção que nosso time vai estar nas cabeças desse campeonato

Jooezin

O arcebispo seguiu comentando sobre as dificuldades que o time passou até chegar ao Mundial. “Nossa trajetória até aqui foi puxada. Treinamos bastante, viramos madrugadas estudando, tudo para chegarmos no nosso objetivo final, que era sermos campeões”.

Dudols concordou e aproveitou a oportunidade para exaltar a dedicação e os sacrifícios feitos por todos do elenco para que alcançassem os objetivos traçados no início da jornada competitiva. “Acredito que um dos pontos que foi mais cruciais para termos vencido aqui no LATAM, foi a virada de chave de entendermos que isso deixou de ser só um hobby. Nós passamos a treinar e a nos dedicar todos os dias. Antes a gente só entrava, fazia alguma coisinha, e depois saía e íamos fazer outra coisa. A partir do momento em que virou uma competição, nós paramos tudo das nossas vidas, tivemos que sacrificar algumas coisas, e decidimos treinar e ganhar. Virou nossa rotina, entrar todos os dias, treinar e melhorarmos cada vez mais”.

O esforço e a dedicação de todos do elenco deram resultados, e eles alcançaram o objetivo de serem campeões. Mas esse não é o único motivo de comemoração do time, visto que Bladin sagrou-se MVP do LATAM com uma campanha que contemplou 156 kills. O DPS aproveitou a oportunidade para enaltecer a importância que cada um no elenco teve para que ele alcançasse esse prêmio. “Acredito que o MVP foi consequência do time. O time que me possibilitou jogar bem. Eu conseguia matar os adversários enquanto recebia o suporte deles, então o meu MVP tem dedo de cada um ali. Não tive um destaque muito surpreendente, fiz apenas o meu papel, de matar”.

Entretanto, a conquista não veio fácil. Durante as finais, o time chegou a ficar atrás por 2 a 0 e, graças a uma jogada do próprio Bladin, o grupo conseguiu reverter o placar e levar o título para casa. “Nós sempre tivemos a segurança de que iríamos vencer. Tanto que nas finais, nós estávamos perdendo de 2 a 0, e mesmo assim a nossa call estava tranquila. Ninguém se exaltou ou desacreditou, e no final conseguimos virar”, comentou Bladin.

O hobby que mudou vidas: As noites em claro de Ragnarok que passaram a ser sonhadas durante o dia

O Ragnarok mudou a vida desses 8 jogadores. Graças ao jogo, eles puderam se conhecer, formaram uma amizade e podem sonhar o mesmo sonho juntos: serem campeões mundiais. Mas o sonho nem sempre foi esse. No começo, tudo era apenas diversão. Um grupo de amigos se juntou e resolveu fundar uma guilda para jogar juntos.

“Quando eu criei a guilda, foi só por diversão, nunca tinha pensado que poderia ser algo sério. Quando eu criei, foi só para brincar com o pessoal e acabamos montando um clã só de amigos. E chegar onde chegou foi muito especial”, declarou Dudols, criador da guilda.

Jooezin também falou sobre o início do clã e sobre a formação inicial do time para disputarem os campeonatos. “Dentro do Ragnarok existe a Guerra do Império, e nosso grupo se formou lá. Nossa guilda tinha mais de 60 pessoas, e acabamos decidindo formar um time com essa base. Quando surgiu essa modalidade, nós nos interessamos, e acabamos chegando onde chegamos, sendo campeões”.

O Ragnarok não proporcionou apenas a amizade, mas, com o título do LATAM e a conquista da vaga para o Mundial, também foi o motivo do encontro entre eles. Bladin falou que esta é a primeira vez que todos se reúnem no mesmo lugar e exaltou a felicidade em poder viver isso com seus companheiros. “Mesmo nos conhecendo a bastante tempo, essa é a primeira vez que todos nós nos encontramos. Já aconteceu de um ou outro se encontrar, mas todo mundo junto é a primeira vez. E tudo isso está sendo muito fantástico… Nunca fui para a Tailândia, então vai ser uma experiência nova, e estou bem animado, ainda mais por estar indo com meus companheiros”.

Dudols continuou falando sobre a importância que o Ragnarok tem em sua vida e que vai muito além de um simples hobby. “O Ragnarok está abrindo portas que nunca imaginei. É a primeira vez que estou indo para fora do país e é graças ao Ragnarok. Eu estava até brincando com o pessoal nesses dias: A gente estava jogando e agora estamos indo para a Tailândia. Não esperava, sabe? É algo muito gratificante, pois é um jogo que está comigo a 17 anos, nos bons momentos e nos maus. Então é muito gratificante saber que o Ragnarok está me proporcionando isso”.

Porém, nem tudo são flores. É verdade que, em muitos esports, jogadores que se destacam em nível nacional podem se dar ao luxo de escolher seguir a carreira de atleta como profissão, mas o mesmo ainda não pode ser dito sobre o Ragnarok. Como esta é a primeira edição em que o Brasil participa do Mundial, as coisas ainda não estão avançadas e profissionalizadas a ponto de permitir que os jogadores foquem 100% em melhorar no jogo.

“Todos nós ainda precisamos trabalhar e fazer uma renda por fora. Não dá para viver de Ragnarok. Nós não temos uma organização por trás, nós mesmos formamos o time. Não temos um manager, um chefe, um salário… A gente juntou 7 amigos ali e decidimos participar do campeonato, e deu no que deu, ganhamos”, declarou Bladin.

A verdade é que o Ragnarok está caminhando para se tornar um esporte eletrônico e, aos poucos, a tendência é que essa realidade possa ser diferente. O que nos resta fazer agora é torcer pelos jogadores que estarão representando o Brasil na Tailândia, pois é certa a garantia de alto nível de gameplay.

Elenco da Villains, representante do Brasil no mundial de Ragnarok 7×7
Elenco da Villains, representante do Brasil no mundial de Ragnarok 7×7 - Reprodução/Gravity Brasil

Obrigado a todos que estão torcendo por nós. Obrigado, Bárbara, minha esposa que me acompanha e me dá todo o suporte para que isso aconteça, e para nosso servidor, podem acreditar que nós estamos indo lá, não para turismo, nós estamos indo para ganhar isso.

Jooezin

Quero agradecer a todos que torceram por nós e também aos que torceram contra, pois isso alimenta a gente, nos fez ter ainda mais vontade de ganhar. Quero mandar um abraço a minha esposa, Rafaela. E falar que nós vamos para lá para trazer esse mundial. O primeiro do Brasil e nós vamos trazer para vocês.

Bladin

Vem acompanhar e torcer por nós. Nós vamos trazer esse título para casa. Estamos muito confiantes. E quero mandar um beijo especial para a minha namorada, Gabriela. E para o pessoal lá de fora, eles não perdem por esperar o que vai chegar para eles. Eles nunca jogaram contra um time brasileiro, e nem contra um time que tem o conhecimento que a gente tem.

Dudols

Os jogadores brasileiros embarcam rumo ao Mundial já no dia 3 de novembro e estreiam no campeonato mais importante de Ragnarok no dia 7 de novembro.